O filme Labirinto (Labyrinth) foi lançado nos Estados Unidos em 27 de junho de 1986, com direção de Jim Henson, criador dos Muppets e uma das figuras mais importantes da fantasia audiovisual do século XX. O elenco é liderado por David Bowie, em uma de suas performances mais icônicas no cinema, interpretando Jareth, o Rei dos Duendes, e por Jennifer Connelly, então ainda muito jovem, no papel de Sarah. Completam o elenco principal diversos personagens criados com animatrônicos e marionetes desenvolvidos pelo Jim Henson’s Creature Shop. A história acompanha Sarah, uma adolescente sonhadora e frustrada com suas responsabilidades familiares, que acidentalmente deseja que seu irmão bebê seja levado por Jareth. Quando percebe as consequências de suas palavras, ela é lançada em um mundo fantástico repleto de criaturas estranhas, desafios e enigmas, sendo obrigada a atravessar um enorme labirinto para resgatar o menino. O ponto de partida do filme estabelece uma jornada de amadurecimento, onde fantasia e realidade se misturam, sem jamais revelar o desfecho dessa aventura.
No momento de seu lançamento, Labirinto recebeu uma reação crítica bastante mista por parte da imprensa americana. O The New York Times descreveu o filme como “visualmente inventivo, mas narrativamente irregular”, destacando o trabalho técnico enquanto questionava a força dramática da história. O Los Angeles Times elogiou a imaginação visual e o design de produção, afirmando que o filme era “um espetáculo artesanal raro em uma indústria cada vez mais dependente de efeitos mecânicos”. Já a revista Variety observou que a obra parecia indecisa quanto ao seu público-alvo, oscilando entre um tom infantil e elementos mais sombrios. Muitos críticos reconheceram o charme singular do universo criado por Jim Henson, mas apontaram dificuldades no ritmo e na construção do roteiro, especialmente para espectadores adultos.
O The Washington Post comentou que o filme possuía “momentos de puro encanto visual”, mas carecia de uma narrativa mais envolvente, enquanto a The New Yorker classificou a produção como “uma fantasia belamente construída que nem sempre encontra uma base emocional sólida”. A atuação de David Bowie dividiu opiniões: alguns críticos elogiaram seu carisma e presença magnética, enquanto outros consideraram o tom exagerado e deslocado. Ainda assim, houve consenso quanto à originalidade estética do filme, com elogios frequentes aos cenários, figurinos e criaturas. No balanço geral da época, Labirinto foi visto como uma obra criativa e ambiciosa, porém falha em alcançar plenamente seu potencial, resultando em uma recepção crítica morna e sem grande entusiasmo imediato.
Comercialmente, Labirinto teve um desempenho abaixo do esperado. Produzido com um orçamento estimado em cerca de US$ 25 milhões, o filme arrecadou aproximadamente US$ 12,9 milhões nas bilheterias dos Estados Unidos, tornando-se um fracasso comercial inicial. No mercado internacional, a arrecadação ajudou a amenizar as perdas, mas não foi suficiente para transformar o filme em um sucesso financeiro na época de seu lançamento. O resultado decepcionante impactou negativamente os planos de Jim Henson para projetos semelhantes no cinema, reforçando a percepção do estúdio de que fantasias elaboradas desse tipo enfrentavam dificuldades comerciais em meados dos anos 1980. Apesar disso, o filme encontrou uma segunda vida no mercado de vídeo doméstico e nas exibições televisivas ao longo dos anos seguintes.
Nos dias atuais, Labirinto é amplamente reconhecido como um filme cult, sendo muito mais valorizado do que em sua estreia. A obra passou a ser celebrada por sua estética artesanal, pela trilha sonora marcante e pela performance memorável de David Bowie. Críticos contemporâneos frequentemente destacam o filme como um exemplo raro de fantasia autoral dentro do cinema comercial dos anos 1980. A jornada de amadurecimento de Sarah passou a ser reinterpretada sob leituras simbólicas e psicológicas, aumentando o prestígio crítico da obra. Hoje, Labirinto é considerado um clássico cult, frequentemente citado como uma das produções mais queridas e singulares da filmografia de Jim Henson.
Labirinto (Labyrinth, Estados Unidos, Reino Unido, 1986) Direção: Jim Henson / Roteiro: Terry Jones e Jim Henson (história baseada em conceito de Jim Henson, com personagens desenvolvidos pelo Jim Henson Company) / Elenco: David Bowie, Jennifer Connelly, Toby Froud, Shelley Thompson, Brian Henson, Ron Mueck / Sinopse: Uma jovem é forçada a atravessar um mundo fantástico repleto de criaturas e enigmas após fazer um desejo impulsivo, enfrentando desafios que colocam à prova sua coragem, imaginação e senso de responsabilidade.
Erick Steve.

Cine Review
ResponderExcluirPablo Aluísio.
Nunca assisti.
ResponderExcluir