sábado, 7 de novembro de 2026

Rambo III

Rambo III
John Rambo (Sylvester Stallone) é enviado ao Afeganistão numa missão não oficial para libertar o seu antigo mentor, o Coronel Trautman (Richard Crenna) que agora se encontra prisioneiro das tropas de ocupação soviética naquele país. "Rambo III" é a esperada continuação da saga do super soldado Rambo. Sem dúvida é um dos mais fracos exemplares da franquia. O roteiro escrito por Stallone foca totalmente em cenas completamente inverossímeis de ação e se esquece de todo o resto. A essência do personagem, que foi parcialmente captada no primeiro filme, aqui se perde completamente. Rambo se torna literalmente um exército de um homem só. Ele enfrenta todo o exército soviético sozinho e praticamente os liquida nos desertos do Afeganistão. O filme é exagerado ao extremo e com isso perde toda e qualquer credibilidade. Só para relembrar: Rambo invade uma base militar russa, mata vários soldados, liberta Trautman e não satisfeito solta ainda todos os demais prisioneiros do local. Consegue escapar de um cerco, rouba um helicóptero soviético de última geração, sofre um desastre com ele (mas não se machuca), corre pelo deserto e enfrenta no muque uma coluna de tanques do exército russo! O pior porém acontece nas cenas finais quando rouba um tanque russo e com ele dá uma "trombada" de frente com um outro helicóptero inimigo (e novamente sobrevive sem maiores problemas).

É ou não é um amontoados de absurdos? O que será que deu na cabeça do Stallone em escrever tantas cenas impossíveis? Para piorar o filme levou uma rasteira da história. Nele acompanhamos a aliança entre Rambo e os rebeldes afegãos, mostrados como heróis da liberdade contra o invasor soviético. O problema é que esses mesmos rebeldes iriam dar origem ao regime brutal dos Talibãs anos depois quando os russos finalmente deixaram o Afeganistão de lado, ou seja, Rambo aqui se alia com um grupo que anos depois seria uma das bases de sustentação de grupos terroristas como a Al-Qaeda (o próprio Bin Laden tinha no Afeganistão uma de suas bases mais sólidas). Acredito que por isso Rambo III seja um dos filmes ideologicamente mais incorretos da história do cinema americano. Talvez por essa razão Stallone nem o cite mais atualmente provavelmente por se sentir constrangido pelo roteiro que escreveu. Enfim, "Rambo III" é aquele tipo de produção que entornou o caldo, transformando o personagem em uma mera caricatura, tudo sob uma verniz ideológica muito infeliz.

Rambo III (Idem, Estados Unidos, 1988) Direção: Peter MacDonald / Roteiro: Sylvester Stallone, Sheldon Lettich baseados no personagem criado por David Morrell / Elenco: Sylvester Stallone, Richard Crenna, Marc De Jonge / Sinopse: John Rambo (Sylvester Stallone) é enviado ao Afeganistão numa missão não oficial para libertar o seu antigo mentor, o Coronel Trautman (Richard Crenna) que agora se encontra prisioneiro das tropas de ocupação soviética naquele país.

Pablo Aluísio.

Rambo III
Lançado em 25 de maio de 1988, Rambo III é o terceiro filme da série protagonizada por Sylvester Stallone, dirigido por Peter MacDonald e produzido pela Carolco Pictures, com distribuição da TriStar Pictures. Além de Stallone, que também participou do roteiro ao lado de Sheldon Lettich, o elenco conta com Richard Crenna, Marc de Jonge, Kurtwood Smith e Spiros Focás. A história começa quando John Rambo, depois dos acontecimentos do filme anterior, encontra-se em um mosteiro budista na Tailândia, tentando levar uma vida tranquila e afastada da violência. Seu antigo comandante, coronel Samuel Trautman (Richard Crenna), procura convencê-lo a participar de uma missão secreta no Afeganistão, onde forças soviéticas combatem os guerrilheiros mujahidin. Rambo recusa inicialmente a proposta, mas muda de atitude quando recebe a notícia de que Trautman foi capturado pelos soviéticos durante a operação. Decidido a salvar o amigo, ele parte sozinho para o território afegão, onde enfrenta o poderoso coronel Zaysen (Marc de Jonge), responsável pelo campo de prisioneiros. Com a ajuda dos combatentes locais, Rambo organiza uma operação de resgate que se transforma em uma verdadeira guerra particular contra as forças soviéticas. A produção apresenta cenas grandiosas de combate, explosões, perseguições e confrontos militares, levando a fórmula de ação da franquia a uma escala ainda maior. Filmado em locações de Israel, Tailândia e Estados Unidos, o longa também ficou marcado pelos problemas de produção, incluindo a substituição do diretor Russell Mulcahy por Peter MacDonald e o crescimento expressivo do orçamento. 

A recepção crítica na época do lançamento foi bastante dividida, com predominância de avaliações negativas ou moderadas. No The New York Times, a crítica Janet Maslin observou que a postura excessivamente séria de Rambo e sua inclinação para discursos políticos poderiam tornar o personagem ridículo, não fosse a presença física impressionante de Stallone e algumas tentativas de humor autodepreciativo. Maslin reconheceu, portanto, o carisma físico do protagonista, embora considerasse exagerada a construção do personagem. Na revista Time, Richard Schickel publicou uma crítica bastante severa, intitulada "Muscles + Money = Excess", na qual questionava o enorme investimento financeiro e a obsessão do filme em transformar Rambo em uma espécie de herói mitológico. Para Schickel, a produção confundia espetáculo com grandiosidade e oferecia violência em excesso, sem apresentar uma história suficientemente interessante para justificar suas ambições. Já a revista Variety demonstrou maior entusiasmo pelas sequências de combate, descrevendo as batalhas como espetáculos explosivos e frequentemente aterrorizantes. A publicação destacou a presença de Stallone no centro da ação, ressaltando a maneira como o ator incorporava o personagem com uma intensidade quase messiânica. 

O Los Angeles Times, em crítica assinada por Michael Wilmington, foi particularmente contundente. O jornalista comparou o filme a um monumento de aproximadamente 60 milhões de dólares construído em homenagem ao próprio Stallone, criticando o excesso de violência, o culto à musculatura do protagonista e a maneira como a política e a guerra eram utilizadas apenas como pano de fundo para glorificar o herói. Wilmington considerou que Rambo III transformava a guerra em um espetáculo de destruição, esvaziando qualquer possibilidade de reflexão mais profunda sobre o conflito afegão. Outras avaliações também apontaram que a produção havia abandonado quase completamente o drama psicológico de Rambo: Programado para Matar (1982), transformando o personagem em um super-herói praticamente invulnerável. Essa mudança de orientação foi uma das principais críticas feitas ao terceiro capítulo da franquia. Entretanto, o filme também recebeu elogios por sua competência técnica, especialmente pela fotografia, pela trilha sonora de Jerry Goldsmith e pela dimensão de suas sequências de ação. A química entre Stallone e Richard Crenna foi outro aspecto frequentemente reconhecido, pois a amizade entre Rambo e Trautman constitui o elemento emocional mais importante da narrativa. 

Com orçamento estimado entre 58 e 63 milhões de dólares, Rambo III arrecadou aproximadamente 189 milhões mundialmente, resultado expressivo em números absolutos, mas inferior ao desempenho extraordinário de seu antecessor, que havia ultrapassado 300 milhões de dólares. Portanto, apesar de ter alcançado uma bilheteria considerável, o filme ficou abaixo das expectativas comerciais criadas pelo sucesso anterior, especialmente diante de seu orçamento gigantesco. A recepção crítica também não melhorou significativamente com o passar dos anos: atualmente, possui cerca de 39% de aprovação no Rotten Tomatoes, sendo geralmente considerado um dos capítulos mais exagerados da franquia. Entretanto, Rambo III permanece como um importante representante do cinema de ação hollywoodiano da década de 1980, período marcado por protagonistas musculosos, patriotismo explícito, conflitos internacionais e grandes espetáculos de violência. Sua representação dos combatentes afegãos como aliados dos americanos adquiriu uma dimensão histórica particularmente curiosa diante dos acontecimentos políticos posteriores no Afeganistão. O filme também ficou conhecido por ter sido, na época, uma das produções mais caras já realizadas em Hollywood. Hoje, é lembrado com certa nostalgia pelos admiradores de Stallone e do cinema de ação clássico, especialmente por suas batalhas grandiosas, pela participação de Richard Crenna e pela consolidação definitiva de Rambo como um dos personagens mais populares do gênero.

Erick Steve. 

Falcão - O Campeão dos Campeões

Falcão - O Campeão dos Campeões
Sylvester Stallone nunca foi bobo. Se uma fórmula estava dando certo por que mudá-la? O exemplo maior é esse filme “Over The Top” (que no Brasil recebeu um título espalhafatoso e, na minha opinião, sem impacto). A fórmula em questão já havia dado muito certo na série Rocky então o próprio Stallone resolveu requentar esse prato, criando uma espécie de genérico daquele seu personagem mais famoso. Aqui temos o mesmo argumento que foi usado em Rocky: um homem comum que tenta superar seus problemas pessoais vencendo no mundo dos esportes. A única diferença é que sai o boxe de Rocky e entra as competições de queda de braço de Falcão. No núcleo familiar acompanhamos a tentativa de Lincoln Hawk (Stallone) em se aproximar de seu único filho, um garoto introspectivo que foi criado em uma escola militar. Stallone repete aqui todos os seus maneirismos em cena. Usando de seu carisma ele tenta conquistar a amizade do filho que não vê há anos. “Falcão, o Campeão dos Campeões” foi lançado no auge da popularidade de Stallone na carreira mas curiosamente não conseguiu repetir o êxito de bilheteria de seus outros filmes na época. Só para relembrar o filme foi lançado nas telas logo após “Stallone Cobra” e pouco antes de “Rambo III” mas teve desempenho apenas mediano nas bilheterias americanas. Provavelmente o público não comprou a idéia de ver o astro disputando competições de quedas de braços com outros caminhoneiros ao longo de toda a fita.

O filme foi dirigido por Menahem Golan. Ele era um dos donos da Cannon Group, produtora muito atuante no cinema de ação da década de 80. Tendo dirigido Chuck Norris no sucesso “Comando Delta”, Golan agora dava um passo ousado contratando o maior nome do cinema na época. Por um cachê milionário ele trouxe Stallone para a Cannon mas o resultado modesto de faturamento logo desfez a parceria. Pouco tempo depois a própria Cannon fecharia as portas encerrando definitivamente suas atividades. Visto hoje em dia “Falcão – O Campeão dos Campeões” se revela até um bom passatempo. Claro que os longos anos que separam de seu lançamento deixaram “Falcão” datado. De qualquer forma se o espectador deixar isso de lado pode até mesmo se divertir com as cenas de queda de braço, tudo com muito suor e caretas por parte de Stallone e elenco. Embora tenha rendido uma bilheteria de respeito no Brasil o filme anda esquecido. No saldo final não deixa de ser uma boa opção para se conhecer a fórmula Stallone de fazer cinema na década de 80. Um pipocão que apesar dos anos ainda pode funcionar caso você não seja demasiadamente exigente.

Falcão – O Campeão dos Campeões (Over The Top, Estados Unidos, 1987) Direção: Menahem Golan / Roteiro: Sylvester Stallone, Gary Conway, David Engelbach, Stirling Silliphant / Elenco: Sylvester Stallone, Robert Loggia, Susan Blakely, Rick Zumwalt / Sinopse: Lincoln Hawk (Sylvester Stallone) é um caminhoneiro que participa de competições de quedas de braço. Agora terá que lidar com seu filho que não vê há muito tempo.

Pablo Aluísio.

Falcão - O Campeão dos Campeões
Lançado em 13 de fevereiro de 1987, Falcão – O Campeão dos Campeões (Over the Top), dirigido por Menahem Golan e produzido pela Cannon Films, é um drama esportivo estrelado por Sylvester Stallone, que também participou da elaboração do roteiro ao lado de Stirling Silliphant. O elenco conta ainda com Robert Loggia, Susan Blakely, David Mendenhall e Rick Zumwalt. A história acompanha Lincoln Hawk (Stallone), um caminhoneiro que percorre as estradas americanas transportando mercadorias em seu enorme caminhão. Separado da esposa e afastado do filho Michael (Mendenhall), Hawk recebe a oportunidade de reconstruir o relacionamento com o garoto quando seu antigo sogro, Jason Cutler (Loggia), permite que ele acompanhe o filho durante uma viagem. Cutler, um empresário milionário e autoritário, considera Hawk um homem fracassado e tenta impedir que Michael desenvolva qualquer ligação afetiva com o pai. Durante a jornada, inicialmente marcada por desconfiança e conflitos, os dois começam a construir uma relação de amizade e carinho. Paralelamente, Hawk participa de competições de queda de braço, atividade na qual demonstra extraordinária força e habilidade. Seu objetivo é conquistar o campeonato mundial de Las Vegas, cuja premiação poderá proporcionar uma nova oportunidade de vida e independência financeira. O torneio, entretanto, representa muito mais do que uma disputa esportiva: é a possibilidade de provar ao filho que ele não é o fracassado que todos imaginam. Com uma narrativa que combina drama familiar, esporte e superação pessoal, o filme apresenta uma das interpretações mais emotivas de Stallone fora das franquias Rocky e Rambo. 

A recepção crítica na época do lançamento foi predominantemente negativa, embora alguns jornalistas tenham reconhecido qualidades na interpretação de Stallone e na proposta dramática. No The New York Times, Janet Maslin classificou o filme como um dos trabalhos mais confusos do ator, embora ressalvasse que não chegava a representar um desastre completo como outras produções anteriores de sua carreira. A crítica também chamou atenção para a quantidade excessiva de publicidade de produtos e marcas inserida nas cenas, algo bastante evidente durante as viagens de caminhão e as competições esportivas. Na revista Variety, a avaliação foi um pouco mais favorável. A publicação reconheceu que Stallone demonstrava sinceridade e sensibilidade na interpretação de um pai que havia cometido erros e desejava recuperar o amor do filho. David Mendenhall também foi elogiado por sua atuação simpática, contribuindo para o desenvolvimento da relação entre os dois personagens. Entretanto, a revista considerou que a produção era convencional em praticamente todos os aspectos, sem apresentar grandes novidades dentro da fórmula dos dramas esportivos. A principal crítica recorrente era justamente a tentativa de repetir a estrutura emocional de Rocky, substituindo o boxe pela queda de braço, mas sem alcançar a mesma força dramática. 

O Los Angeles Times, em crítica assinada por Sheila Benson, foi bastante severo, afirmando que a história não apresentava nenhuma surpresa e que acompanhar disputas de queda de braço não era particularmente interessante como espetáculo cinematográfico. A jornalista também criticou os numerosos anúncios comerciais espalhados pela produção, considerando que a publicidade indireta se tornava uma distração constante. No The Washington Post, Rita Kempley observou que Stallone parecia tentar reproduzir a fórmula de seus sucessos anteriores, mas sem conseguir alcançar a intensidade de Rocky. A crítica considerou que o filme apresentava um protagonista emocionalmente vulnerável, mas incapaz de expressar seus sentimentos de maneira convincente. Paul Attanasio, também do Washington Post, ironizou a escolha da queda de braço como novo território para os triunfos improváveis do ator, questionando qual seria a próxima modalidade esportiva escolhida por Stallone. Já o Chicago Tribune, através de Dave Kehr, apresentou uma avaliação relativamente mais moderada, considerando que o filme era superior a Rocky IV em determinados aspectos, embora não possuísse os exageros que haviam tornado Rambo e Cobra tão populares entre os admiradores do cinema de ação. Em conjunto, as críticas demonstravam que a produção era vista como um entretenimento previsível, mas com alguns momentos emocionalmente eficientes. 

Com orçamento estimado em 25 milhões de dólares, Falcão – O Campeão dos Campeões arrecadou aproximadamente 16 milhões de dólares nos cinemas norte-americanos, resultado bastante decepcionante para uma produção estrelada por uma das maiores estrelas de Hollywood naquele momento. Os dados disponíveis do Box Office Mojo registram uma arrecadação mundial praticamente igual à norte-americana, sem uma bilheteria internacional expressiva contabilizada. O fracasso comercial representou uma dificuldade adicional para a Cannon Films, que atravessava problemas financeiros durante aquele período. A recepção crítica também permaneceu modesta: atualmente, o Rotten Tomatoes registra 32% de aprovação da crítica, enquanto o Metacritic apresenta uma pontuação de 40 em 100. Apesar disso, o filme conquistou uma vida posterior bastante interessante no mercado de vídeo e na televisão, tornando-se uma produção cultuada por muitos admiradores de Stallone e do cinema de ação dos anos 1980. Sua trilha sonora, produzida por Giorgio Moroder, merece destaque, especialmente pela participação de artistas como Sammy Hagar, Robin Zander e Kenny Loggins. A canção Meet Me Half Way, interpretada por Loggins, tornou-se particularmente associada ao filme. Atualmente, Falcão é lembrado com carinho por seu sentimentalismo, pela relação entre pai e filho e pelas competições de queda de braço, que proporcionam algumas das sequências mais características do cinema popular daquela década. Embora esteja longe de representar um dos grandes trabalhos de Stallone, permanece como um título bastante querido pelos fãs de sua filmografia.

Erick Steve. 

Stallone Cobra

Stallone Cobra
Já que o assunto filmes de ação e pancadaria da década de 80 vieram á tona me lembrei de uma das produções mais famosas daqueles anos: "Stallone Cobra". Na época em que o filme chegou nos cinemas pela primeira vez houve uma avalanche de reações extremas em relação ao seu lançamento. Os fãs de Stallone obviamente adoraram ver o ator distribuindo sua cota de sopapos nos vilões em cenas cada vez mais violentas. Já os que acusavam esses filmes de incidar a violência na sociedade foram à luta e aqui no Brasil o filme saiu em diversas versões, várias delas censuradas: uma para menores de 18 anos (com cenas cortadas), outra para maiores de 18 anos (com todas as cenas de sangue) e por fim uma versão para menores de 16 anos com cortes amenizados. Uma coisa de louco! O resultado foi que a bilheteria do filme praticamente triplicou porque o público acabou indo ao cinema várias vezes para conferir todas as versões - o que no fundo era uma bobagem pois os cortes somados não chegam nem a dois minutos. O sucesso continuou depois quando a fita chegou nas locadoras, liderando por semanas o ranking das mais alugadas. Não há como negar que se viveu uma verdadeira febre de popularidade de "Stallone Cobra" no país. Os críticos obviamente ficaram loucos e arrancaram os cabelos pois não se cansavam de criticar tudo na produção. 

O público por sua vez adorou e quebrou cada novo recorde de bilheteria da semana anterior que já havia sido quebrada pelo próprio filme! "Cobra" foi sem dúvida um filme de extremos, quem odiava não perdoava nada e quem adorava Stallone simplesmente idolatrou a fita e ignorou todo o resto! E no meio desse cabo de batalha quem afinal tinha razão? Nenhuma posição extrema ou radical consegue ter razão no final das contas. Os críticos que pareciam ter uma rixa pessoal com o ator americano exageraram nas críticas ferozes e o público tampouco conseguiu ver os defeitos do filme meio que hipnotizados pela incrível popularidade que Sylvester Stallone tinha na ocasião. Na verdade "Stallone Cobra" é uma boa fita de ação policial com um personagem muito carismático, principalmente para a população que muitas vezes sente falta de um "justiceiro" como ele. A mesma coisa aconteceu recentemente com o Capitão Nascimento de "Tropa de Elite". São tiras que querem resolver o problema da criminalidade se tornando eles mesmos a cura para a situação. Cobra não se importa em pendurar um bandido em um gancho, assim como o Capitão Nascimento também não se importa em dar uns "corretivos" na malandragem do morro! O povo obviamente adora esse tipo de personagem! São duas facetas da mesma moeda. De certa forma são todos filhos de Dirty Harry, o policial politicamente incorreto feito por Clint Eastwood na década de 70 que provocava os bandidos dizendo "Faça o meu dia, punk!". Em outras palavras "reaja para que eu possa mandar você para o buraco logo!". Claro que qualquer pessoa pode ser contra esse tipo de atitude. Agora, o que não vale a pena é censurar personagens de ficção como Cobra ou Capitão Nascimento como forma de dar alguma lição de moral para a sociedade, aí sinceramente já foge do que seria razoável. Censura no Brasil nunca mais!  

Stallone Cobra (Cobra, Estados Unidos, 1986) Direção: George P. Cosmatos / Roteiro: Sylvester Stallone baseado na novela de Paula Gosling / Elenco: Sylvester Stallone, Brigitte Nielsen, Reni Santoni / Sinopse: Marion 'Cobra' Cobretti (Sylvester Stallone) é um tira de métodos poucos usuais que não perdoa bandidos e meliantes em geral.  

Pablo Aluísio.

Stallone Cobra
Lançado em 23 de maio de 1986 nos Estados Unidos, Stallone Cobra (Cobra), dirigido pelo cineasta grego George P. Cosmatos, é um filme policial de ação produzido pela Cannon Films, com distribuição da Warner Bros. Sylvester Stallone, além de protagonizar a produção, também escreveu o roteiro, baseado no romance policial Fair Game, de Paula Gosling. O elenco conta com Brigitte Nielsen, Reni Santoni, Andrew Robinson e Brian Thompson. Stallone interpreta o tenente Marion Cobretti, conhecido pelo apelido de Cobra, um policial da divisão de elite de Los Angeles especializado em enfrentar criminosos extremamente violentos. Individualista, durão e pouco interessado nos procedimentos burocráticos da polícia, Cobra acredita que determinados criminosos só podem ser combatidos utilizando métodos igualmente agressivos. Sua missão mais importante começa quando Ingrid Knudsen (Brigitte Nielsen), uma modelo que testemunhou um assassinato, torna-se alvo de uma organização secreta conhecida como Nova Ordem, responsável por uma série de crimes brutais. Depois de sobreviver a uma tentativa de assassinato, Ingrid passa a receber proteção policial, mas os integrantes da organização conseguem localizar seu esconderijo e intensificam a perseguição. Cobra assume pessoalmente a responsabilidade de protegê-la, levando-a para uma região afastada da cidade, onde os dois acabam enfrentando uma verdadeira guerra contra os assassinos. Com fotografia sombria, violência explícita, perseguições automobilísticas e um protagonista inspirado nos policiais durões do cinema americano, o filme apresenta uma visão extremamente pessimista da criminalidade urbana. A produção também ficou marcada pela estética característica da Cannon Films, que procurava competir com os grandes estúdios de Hollywood investindo em filmes de ação protagonizados por estrelas populares.

A recepção crítica na época do lançamento foi bastante negativa, principalmente em razão da violência, do roteiro simplificado e da visão autoritária apresentada pelo protagonista. No The New York Times, Nina Darnton publicou uma das avaliações mais contundentes, considerando Cobra um filme perturbador não apenas pela violência que mostrava, mas também pelas ideias que transmitia e pela maneira como apresentava seu personagem principal como uma solução para os problemas da sociedade. A crítica questionava particularmente a glorificação de um policial que desprezava os procedimentos legais e acreditava que a força deveria prevalecer sobre as instituições. No Los Angeles Times, Sheila Benson foi ainda mais severa, classificando a produção como um espetáculo barulhento, grotesco e exaustivo. A jornalista criticou a ausência de desenvolvimento dos personagens, a pobreza dos diálogos e a quantidade de violência utilizada como principal atração. Para Benson, o filme privilegiava armas e mortes em detrimento de qualquer construção dramática consistente. O The Washington Post, em crítica assinada por Paul Attanasio, também atacou duramente o trabalho, questionando a interpretação de Stallone e a superficialidade de sua visão de mundo. Essas avaliações demonstravam que o filme havia provocado forte rejeição entre os críticos mais interessados na dimensão artística e social do cinema policial.

Entretanto, nem todas as avaliações foram desfavoráveis. A revista Variety publicou uma crítica relativamente positiva, descrevendo Cobra como um thriller policial elegante, extremamente violento e empolgante. A publicação reconheceu a eficiência da direção de George P. Cosmatos e a capacidade de Stallone de sustentar um espetáculo de ação durante seus 87 minutos. Gene Siskel, do Chicago Tribune, apresentou uma avaliação mais moderada, comparando o personagem de Stallone aos policiais interpretados por Clint Eastwood. Para Siskel, enquanto Eastwood utilizava o olhar e a ironia, Stallone recorria principalmente à violência para resolver seus conflitos. Uma avaliação particularmente interessante apareceu no Daily Variety, que considerou Cobra um personagem mais simpático do que as versões recentes de Rocky e Rambo, destacando seu comportamento reservado, seu humor seco e sua personalidade peculiar. Também merece registro a controvérsia provocada pelo filme no Brasil: em 1986, cenas de violência foram censuradas, sua classificação indicativa foi elevada e aproximadamente quinze minutos foram retirados da versão exibida nos cinemas brasileiros. O episódio demonstrou que a violência da produção ultrapassava os limites considerados aceitáveis pelas autoridades da época. 

Com orçamento estimado em 25 milhões de dólares, Stallone Cobra arrecadou aproximadamente 49 milhões de dólares nos Estados Unidos e Canadá, além de apresentar resultados expressivos em diversos mercados internacionais. O filme estreou em primeiro lugar nas bilheterias americanas, arrecadando cerca de 15,7 milhões de dólares durante o feriado prolongado do Memorial Day, estabelecendo um recorde de estreia para a Warner Bros. naquele período. Embora não tenha repetido o desempenho de Rambo II, a produção foi comercialmente importante para a Cannon Films e confirmou a força de Stallone como astro do cinema de ação. Com o passar dos anos, sua reputação tornou-se bastante particular: continua sendo um filme rejeitado por grande parte da crítica especializada, com apenas 24% de aprovação no Rotten Tomatoes, mas conquistou uma legião de admiradores entre os fãs do cinema de ação dos anos 1980. Atualmente, é considerado um dos exemplos mais característicos da estética daquela década, com seu protagonista de poucas palavras, jaqueta de couro, óculos escuros, automóvel clássico e métodos violentos. A trilha sonora, a fotografia noturna e as sequências de perseguição também contribuíram para sua identidade visual. Stallone Cobra talvez não seja uma obra cinematograficamente sofisticada, mas permanece como um dos personagens mais emblemáticos da carreira de Stallone e um título cultuado por aqueles que apreciam o cinema policial e de ação de sua época.

Erick Steve. 

sábado, 24 de outubro de 2026

Pantera Negra

Pantera Negra
O filme já é um grande sucesso de bilheteria. Já faturou até o momento a incrível soma de 1 bilhão de dólares pelos cinemas mundo afora. Um número de respeito. O próprio estúdio ficou bem surpreso com esse resultado, uma vez que o Pantera Negra não era muito popular nem no mundo dos quadrinhos, então não se esperava mesmo uma bilheteria tão robusta assim nesse seu primeiro filme no cinema. A boa notícia é que o filme é realmente bom. Como se trata do primeiro filme o roteiro precisou apresentar o personagem ao público, mostrando suas origens, suas principais características e personalidade. Se saiu muito bem nisso. A estrutura narrativa é bem feita, usando um fato ocorrido no passado para melhor explicar as origens desse super herói. Aliás é sempre bom lembrar que o Pantera Negra foi um dos primeiros super-heróis negros da Marvel, criado pela dupla Stan Lee e Jack Kirby, ainda nos anos 60, bem no auge dos conflitos envolvendo os direitos civis dos negros. Momento conturbado na história americana.

Dito tudo isso, o filme me agradou bastante. Existe todo um novo universo a explorar, o que provavelmente vai gerar várias continuações nos próximos anos. O Pantera Negra na verdade é mais um "cargo" do que um herói convencional. Atravessando os séculos, inúmeros homens vestiram seu uniforme. Tal como acontecia com o Fantasma, um dos personagens mais famosos de quadrinhos no Brasil. Assim o enredo do filme começa justamente quando o antigo Pantera Negra morre e sua tradição é passada para o filho. Antes porém ele precisa provar seu valor em um combate de vida e morte. Um dos aspectos mais interessante dessa estória é a existência de uma nação africana chamada Wakanda. É o lar do Pantera Negra. Um país altamente desenvolvido que esconde sua existência do mundo usando dos mais modernos meios tecnológicos. A ironia involuntária vem do fato de que o líder dessa nação que se diz tão desenvolvida é determinado por um brutal combate corpo a corpo, algo um tanto primitivo. Outro fato que contradiz essa suposta superioridade é que tão logo começa uma disputa pela sucessão do trono logo explode uma guerra civil entre o seu povo. Qualquer semelhança com as mais miseráveis nações africanas do mundo real definitivamente não seria mera coincidência.

Pantera Negra (Black Panther, Estados Unidos, 2018) Direção: Ryan Coogler / Roteiro: Ryan Coogler, Joe Robert Cole / Elenco: Chadwick Boseman, Michael B. Jordan, Lupita Nyong'o / Sinopse: Após a morte de seu velho pai, T'Challa (Chadwick Boseman) se torna o herdeiro do manto do Pantera Negra. Também se torna o sucessor do trono, se tornando rei de Wakanda. Antes disso porém precisa provar seu valor como homem e como guerreiro, enfrentando um novo desafio, seu próprio primo que, abandonado nos Estados Unidos muitos anos atrás, retorna para reclamar seu direito ao trono de sua nação.

Pablo Aluísio.

sábado, 17 de outubro de 2026

Guardiões da Galáxia Vol. 3

Título no Brasil: Guardiões da Galáxia Vol. 3 
Título Original: Guardians of the Galaxy Vol. 3
Ano de Lançamento: 2023
País: Estados Unidos
Estúdio: Marvel Studios
Direção: James Gunn
Roteiro: James Gunn, Jim Starlin
Elenco: Chris Pratt, Chukwudi Iwuji, Bradley Cooper, Vin Diesel, Pom Klementieff, Karen Gillan

Sinopse:
Rocket precisa enfrentar velhos fantasms do passado. Ele foi fruto de um processo inovador de engenharia genética e agora vai se ver frente a frente com o mesmo vilão que de certa maneira foi o responsável por sua própria transformação. Filme indicado ao Oscar na categoria de Melhores Efeitos Especiais. 

Comentários:
Eu gostei desse filme! E isso não deixa de ser uma surpresa porque eu ando mais do que saturado de ver esses filmes baseados em quadrinhos. Só que verdade seja dita, não tem nenhum filme ruim dessa boa franquia dos Guardiões da Galáxia. No mundo dos gibis a Marvel desenvolveu uma linha de publicações baseadas em personagens de ficção que viviam suas aventuras no espaço. Era pura Sci-fi dos anos 60. O tempo passou e muitos desses personagens ganharam uma nova roupagem e deram muito certo, ainda nos dias atuais. Esse terceiro filme inclusive tem o melhor roteiro de todos, usando muito bem de duas linhas narrativas que se complementam, uma no passado, outra no presente. E o destaque vai para o Rocket. Na história desse filme você vai entender porque ele sempre foi tão inteligente e ranzinza ao mesmo tempo. Enfim, uma ótima aventura para entretenimento e passatempo, nunca ofendendo a inteligência do espectador. 

Pablo Aluísio.

Guardiões da Galáxia Vol. 2

Guardiões da Galáxia Vol. 2
A Marvel voltou a acertar no cinema com esse segundo filme da franquia "Guardians of the Galaxy". Não deixa de ser irônico o fato da empresa estar acertando tanto no cinema e errando também tanto na mesma proporção em seu próprio universo, a dos quadrinhos. Como se sabe a Marvel fez uma remodelação radical de seus personagens nesse ano e conseguiu desagradar a todo mundo. Com vendas baixas, está mais uma vez tentando consertar seus erros. Isso, claro, nos quadrinhos, porque no cinema o estúdio tem acertado cada vez mais. Esse é mais um bom filme para provar isso. Mesmo que você não tenha a menor ideia do que seja esse grupo chamado Guardiões da Galáxia, vai acabar no mínimo se divertindo no final. Outro ponto positivo: não é necessário ter visto o primeiro filme, pois esse aqui funciona perfeitamente bem sozinho.

A trama gira em torno do fato de que Peter Quill (Chris Pratt) finalmente encontrou seu pai! E ele é nada mais, nada menos, do que Kurt Russell! Brincadeiras à parte, é isso mesmo. Russell interpreta um sujeito chamado Ego. No começo parece ser mais um viajante espacial, um cara boa praça, muito amigável. Só que no fundo ele é uma espécie de deus antigo que tem ambições nada sutis sobre o universo. Colocar Kurt Russell no elenco foi certamente uma das melhores decisões dos produtores, porque esse veterano das telas, de tantos filmes de ação, acaba sendo um chamariz a mais para um público mais velho se interessar em assistir a esse filme. E por falar em filmes de ação dos anos 80, os fãs desse estilo terão outra surpresa com a participação especial de Sylvester Stallone. Tudo bem, ele só tem duas cenas no filme inteiro, mas que não deixam de agradar aos cinéfilos que cresceram vendo seus filmes. Em termos de produção também não há o que reclamar. A direção de arte optou por um universo muito colorido, com uso de toneladas de efeitos especiais de bom gosto (o que era previsível). O roteiro também está bem OK, com trama interessante, se fechando muito bem no final. Então é isso, mais um acerto da Marvel nos cinemas. Um filme divertido, que vai agradar tanto aos leitores de quadrinhos, como aos espectadores que só gostam de cinema.

Guardiões da Galáxia Vol. 2 (Guardians of the Galaxy Vol. 2, Estados Unidos, 2017) Direção: James Gunn / Roteiro: James Gunn, Dan Abnett / Elenco: Chris Pratt, Kurt Russell, Sylvester Stallone, Zoe Saldana, Dave Bautista, Vin Diesel, Bradley Cooper, Michael Rooker / Sinopse: Peter Quill (Chris Pratt) nunca conheceu seu pai. Durante mais uma viagem pela galáxia acaba encontrando com Ego (Kurt Russell) que se apresenta como seu pai perdido. Ele teve um romance com a mãe de Peter na Terra e desse relacionamento Quinn nasceu. Só que Ego não é uma pessoa comum, ele é uma antiga entidade, com poderes realmente divinos. Filme vencedor do Golden Trailer Awards, indicado ao Teen Choice Awards.

Pablo Aluísio.

Guardiões da Galáxia

Título no Brasil: Guardiões da Galáxia
Título Original: Guardians of the Galaxy
Ano de Produção: 2014
País: Estados Unidos
Estúdio: Marvel Studios
Direção: James Gunn
Roteiro: James Gunn, Nicole Perlman
Elenco: Chris Pratt, Vin Diesel, Bradley Cooper
  
Sinopse:
Um improvável grupo, formado por membros com problemas criminais diversos pela galáxia, se reúne para tentar deter uma incrível ameaça contra todos os seres livres do universo. Adaptação para o cinema dos personagens de histórias em quadrinhos criados por Dan Abnett e Andy Lanning para a editora Marvel Comics. Filme indicado ao Oscar nas categorias de Melhor Maquiagem e Melhores Efeitos Especiais. Também indicado ao BAFTA Awards nas mesmas categorias.

Comentários:
Baseado em personagens não tão famosos do universo Marvel, "Guardians of the Galaxy" acabou caindo no gosto do público, dando continuidade à incrível série de sucessos do cinema baseados em histórias em quadrinhos. Ao custo de 170 milhões de dólares o filme certamente acertou seu alvo, a do público jovem que lota os cinemas atualmente em busca da mais pura diversão. E o filme não nega suas intenções em nenhum momento, pois é de fato uma fita produzida para divertir, acima de tudo. Para o cinéfilo mais veterano será fácil encontrar semelhanças demais com o universo "Star Wars", mas mesmo assim o divertimento estará garantido. Os personagens são claramente carismáticos, o roteiro valoriza a mais pura ação, com muita adrenalina e os efeitos especiais são realmente muito bem realizados. Apesar de tudo isso, de ser um filme tecnicamente irrepreensível em termos de produção de um modo em geral, o filme também passa longe de ser a obra prima que alguns críticos disseram por aí. É bom, divertido e tudo o mais, porém não chegaria ao ponto de qualificar como excelente ou algo próximo a isso. Como fez sucesso nas bilheterias é certo que teremos mais sequências nos próximos anos, provavelmente uma ou duas continuações, porém sem maiores surpresas. Não vá assistir esperando por um filmão e se divirta sem maiores compromissos.

Pablo Aluísio.

Guardiões da Galáxia

Título no Brasil: Guardiões da Galáxia
Título Original: Guardians of the Galaxy
Ano de Produção: 2014
País: Estados Unidos
Estúdio: Marvel Studios, Columbia Pictures
Direção: James Gunn
Roteiro: James Gunn, Nicole Perlman
Elenco: Chris Pratt, Vin Diesel, Bradley Cooper, Josh Brolin, Glenn Close, John C. Reilly

Sinopse:
Um grupo formado por seres de diversos planetas da galáxia se une contra o terrível Ronan (Lee Pace) que está em busca de uma poderosa partícula que fez parte da origem do universo. Adaptação para o cinema dos personagem criados em quadrinhos por Stan Lee. Filme indicado aos prêmios Annie Awards e Black Reel Awards.

Comentários:
Não achei tão excepcional como muitos diziam. Na verdade temos aqui uma adaptação correta dos quadrinhos e nada muito além disso. É fato que de uma forma ou outra está ocorrendo uma certa saturação em filmes adaptados de HQs, então quando o espectador se depara com um filme que seja pelo menos bem realizado, tentando ser o mais fiel possível ao material original, se cria um certo exagero em relação aos méritos cinematográficos do mesmo. O roteiro é bem centrado, porém não foge muito da velha fórmula de heróis tentando salvar o mundo (no caso aqui a galáxia). Para a Marvel sem dúvida é um excelente investimento já que esses personagens não são tão populares do público em geral como um Homem-Aranha ou um Thor. Na verdade esse grupo de estranhos seres só é mais conhecido mesmo dentro do universo dos fãs de quadrinhos. A sorte para os roteiristas do filme é que Stan Lee (sempre ele, o maior criador de heróis da Marvel), deu personalidades marcantes para todos os membros do grupo. 

Peter Quill (Chris Pratt) é o único terráqueo da trupe. Sequestrado quando ainda garoto em plenos anos 80, logo após a morte de sua mãe, ele passa seus dias enfrentando vilões enquanto ouve música oitentista em seu velho walkman (quem se lembra dessa velharia?). Rocket Raccoon (Bradley Cooper) é um mercenário durão que tem um inegável talento com máquinas, porém como é apenas um guaxinim precisa de alguém com força bruta ao seu lado, função desempenhada por Groot, que mais parece uma árvore ambulante. Os vilões também são bacanas, com destaque para Ronan e Thanos (tão conhecido vilão do universo Marvel). O filme tem um excelente elenco, mas infelizmente a imensa maioria dos atores está desperdiçada. Josh Brolin, Glenn Close e John C. Reilly praticamente não servem para nada. Para ser bem sincero nem deveriam estar aqui. Fora isso muitos efeitos especiais e uma direção de arte que se não chega a ser brilhante pelo menos se mostra certeira. Pelas expectativas criadas fiquei com um leve sabor de decepção após o fim da exibição. De fato "Guardiões da Galáxia" é uma boa aventura, divertida, porém passa muito longe de ser uma obra prima.

Pablo Aluísio.

sábado, 10 de outubro de 2026

Quarteto Fantástico: Primeiros Passos

Quarteto Fantástico: Primeiros Passos
Quarteto Fantástico: Primeiros Passos, lançado nos cinemas em julho de 2025, representa uma nova tentativa da Marvel Studios de levar às telas a equipe de super-heróis criada por Stan Lee e Jack Kirby para os quadrinhos. Dirigido por Matt Shakman, o longa apresenta uma realidade alternativa inspirada visualmente na década de 1960, com arquitetura futurista, tecnologia imaginativa, figurinos coloridos e uma atmosfera que remete à ficção científica clássica. O elenco principal reúne Pedro Pascal como Reed Richards, o Senhor Fantástico; Vanessa Kirby como Sue Storm, a Mulher Invisível; Joseph Quinn como Johnny Storm, o Tocha Humana; e Ebon Moss-Bachrach como Ben Grimm, o Coisa. Ralph Ineson interpreta Galactus, a entidade cósmica que ameaça devorar a Terra, enquanto Julia Garner vive Shalla-Bal, uma versão do Surfista Prateado. A narrativa começa apresentando o cotidiano dos quatro heróis, que já são conhecidos e admirados pela população de seu mundo. Reed e Sue, além de parceiros na luta contra ameaças extraordinárias, estão prestes a enfrentar as responsabilidades da maternidade e da paternidade. Essa dimensão familiar torna-se central quando Galactus surge com a intenção de consumir o planeta e exige um preço pessoal para poupar a humanidade. Diferentemente de outras adaptações anteriores, o filme não gasta muito tempo com a origem dos poderes da equipe, preferindo apresentar os protagonistas já estabelecidos em suas funções. A proposta é combinar aventura cósmica, humor, drama familiar e a estética retrofuturista dos quadrinhos publicados durante a chamada Era de Prata. Produzido por Kevin Feige e lançado pela Marvel Studios em parceria com a Disney, o longa também marcou a introdução oficial do Quarteto Fantástico no Universo Cinematográfico Marvel, depois de anos em que os direitos cinematográficos da equipe estiveram ligados à 20th Century Fox.

A recepção da crítica americana foi majoritariamente positiva, especialmente pela química entre os protagonistas e pela identidade visual da produção. No Rotten Tomatoes, o filme alcançou aproximadamente 86% de aprovação da crítica, com base em mais de quatrocentas avaliações, enquanto a aprovação do público chegou a cerca de 90%. O consenso crítico destacou que a boa sintonia do elenco e o desenho de produção inspirado nos anos 1960 finalmente fizeram justiça à Primeira Família da Marvel. Peter Debruge, da revista Variety, considerou que a nova abordagem funcionava como um recomeço para uma franquia que havia enfrentado dificuldades nas adaptações anteriores. Em sua avaliação, o filme apresentava uma identidade própria e oferecia uma alternativa bem-vinda à necessidade constante de acompanhar dezenas de produções interligadas do universo Marvel. David Rooney, do The Hollywood Reporter, também valorizou a decisão de apresentar uma história relativamente independente, capaz de ser compreendida sem que o espectador precisasse conhecer todos os filmes anteriores do estúdio. Entre os aspectos mais elogiados estavam a direção de Matt Shakman, a fotografia de Jess Hall, o trabalho de cenografia de Kasra Farahani e a trilha sonora de Michael Giacchino. A interpretação de Vanessa Kirby recebeu atenção especial, pois Sue Storm é retratada não apenas como integrante fundamental da equipe, mas como uma personagem com autoridade, inteligência e força emocional. Joseph Quinn também foi apontado como uma presença carismática, acrescentando humor e energia ao papel de Johnny Storm. Nem todos os críticos, entretanto, ficaram inteiramente satisfeitos: algumas avaliações consideraram o roteiro excessivamente convencional, com um antagonista pouco desenvolvido e uma conclusão que recorria a fórmulas conhecidas do gênero. Ainda assim, o conjunto foi recebido como uma das produções mais visualmente distintas da Marvel em vários anos, principalmente por abandonar parte da aparência padronizada que caracterizou muitos filmes anteriores do estúdio. 

Na Europa, a recepção também foi predominantemente favorável, embora os comentários tenham ressaltado algumas limitações dramáticas. O jornal britânico The Guardian elogiou o tom descontraído e a atmosfera retrofuturista, observando que o filme recuperava uma dimensão lúdica do cinema de super-heróis. A crítica destacou a combinação de aventura espacial com elementos de comédia familiar, além da influência visual da televisão e da ficção científica dos anos 1960. A produção foi elogiada por construir uma Nova York alternativa que parece pertencer a outro período histórico, mas que incorpora tecnologias imaginárias, veículos voadores e edifícios monumentais. Essa concepção estética permite que o filme se diferencie de outras histórias de super-heróis ambientadas em cidades contemporâneas. A trilha de Michael Giacchino também recebeu elogios por seu caráter grandioso e melódico, reforçando a ideia de uma aventura espacial clássica. Por outro lado, parte da crítica europeia observou que o desenvolvimento dos antagonistas não acompanha a riqueza visual da produção e que algumas passagens dramáticas poderiam ter sido aprofundadas. O filme não foi concebido como uma cinebiografia nem como uma adaptação de um acontecimento histórico, mas como uma aventura de ficção científica baseada em personagens dos quadrinhos; por isso, seu reconhecimento crítico esteve ligado sobretudo à direção artística, ao elenco e à renovação da franquia. No momento de seu lançamento, a produção ainda não possuía um histórico consolidado de grandes prêmios cinematográficos, e sua relevância era avaliada principalmente pela recepção dos críticos e pelo desempenho nas salas de cinema. O consenso internacional foi de que Matt Shakman havia encontrado uma abordagem mais adequada para os personagens, ainda que a narrativa não estivesse livre de problemas. A combinação de aventura, humor, emoção e referências à cultura visual de meados do século XX foi considerada uma das maiores virtudes da obra.

Comercialmente, Quarteto Fantástico: Primeiros Passos teve uma estreia mundial expressiva. O filme arrecadou aproximadamente US$ 218 milhões em seu primeiro fim de semana, incluindo cerca de US$ 118 milhões nos Estados Unidos e Canadá e US$ 100 milhões nos mercados internacionais. A estreia em primeiro lugar demonstrou que a marca ainda possuía grande capacidade de atrair espectadores, apesar das dificuldades enfrentadas por algumas produções recentes de super-heróis. Ao longo de sua exibição, o longa acumulou aproximadamente US$ 274,3 milhões na América do Norte e US$ 247,6 milhões nos demais territórios, chegando a cerca de US$ 521,9 milhões em bilheteria mundial. O resultado foi importante para a Marvel, embora a análise de sua rentabilidade dependa também do orçamento de produção, dos gastos de divulgação e da parcela da arrecadação efetivamente recebida pelo estúdio. Estimativas publicadas apontaram um orçamento de produção bruto próximo de US$ 230 milhões, com valores líquidos inferiores após incentivos e ajustes financeiros. A campanha promocional apostou na novidade de apresentar uma equipe já estabelecida, em vez de repetir uma longa narrativa de origem, e destacou o visual retrofuturista como um dos principais atrativos para as salas premium. No Brasil, o lançamento também teve desempenho expressivo: em aproximadamente duas semanas, o filme havia atraído cerca de 2,58 milhões de espectadores e arrecadado R$ 54,8 milhões. Esses números indicaram que o interesse do público não se limitava ao mercado americano e que a combinação entre personagens conhecidos, espetáculo visual e uma nova identidade estética funcionava em diferentes territórios. A bilheteria mundial confirmou que o filme era comercialmente relevante, embora não tenha atingido as cifras extraordinárias dos maiores sucessos históricos do Universo Cinematográfico Marvel. Seu desempenho também contribuiu para manter o Quarteto Fantástico no centro dos planos futuros do estúdio.

A importância de Quarteto Fantástico: Primeiros Passos está, sobretudo, na maneira como tenta recuperar a essência da equipe: quatro personagens diferentes que precisam agir como uma família antes de conseguirem funcionar como um grupo de super-heróis. Nas histórias originais de Stan Lee e Jack Kirby, publicadas a partir de 1961, os conflitos domésticos, as divergências de personalidade e a curiosidade científica eram tão importantes quanto as batalhas contra monstros e ameaças cósmicas. O filme de Matt Shakman procura recuperar esse espírito, dando destaque à relação entre Reed e Sue, à impulsividade de Johnny e à humanidade de Ben Grimm. A escolha de ambientar a narrativa em uma realidade alternativa também permite que a produção estabeleça sua própria identidade sem depender diretamente dos acontecimentos de todos os filmes anteriores da Marvel. A estética dos anos 1960 não funciona apenas como decoração: ela evoca uma época em que a exploração espacial, os avanços científicos e a ideia de um futuro tecnológico despertavam grande fascínio popular. Galactus, por sua vez, representa uma ameaça de escala verdadeiramente cósmica, ampliando o horizonte da franquia para além dos conflitos urbanos e das disputas entre heróis e vilões convencionais. O filme também procura equilibrar o espetáculo visual com questões sobre responsabilidade, sacrifício e proteção dos entes queridos. Embora alguns críticos tenham considerado o roteiro menos original do que sua concepção visual, a recepção geral indicou que o longa conseguiu reconquistar parte da confiança do público na adaptação desses personagens. 

Sua contribuição mais duradoura poderá ser a consolidação de uma versão cinematográfica do Quarteto Fantástico capaz de sustentar novas histórias dentro do universo Marvel. Mais do que apresentar uma equipe poderosa, a produção enfatiza que o vínculo entre seus integrantes é sua principal fonte de força. Nesse sentido, o título Primeiros Passos funciona tanto como referência à nova fase da franquia quanto como declaração de intenções: estabelecer uma base emocional e visual para aventuras futuras.

Quarteto Fantástico: Primeiros Passos (The Fantastic Four: First Steps, Estados Unidos, 2025) Direção: Matt Shakman / Roteiro: Josh Friedman, Eric Pearson, Jeff Kaplan e Ian Springer / Elenco: Pedro Pascal, Vanessa Kirby, Joseph Quinn, Ebon Moss-Bachrach, Julia Garner e Ralph Ineson / Sinopse: Em uma realidade retrofuturista inspirada nos anos 1960, Reed Richards, Sue Storm, Johnny Storm e Ben Grimm precisam proteger a Terra de Galactus, uma entidade cósmica que ameaça consumir o planeta. Enquanto enfrentam essa ameaça extraordinária, os quatro heróis também precisam lidar com as responsabilidades familiares e com a difícil decisão que pode determinar o destino da humanidade.

Erick Steve. 

Quarteto Fantástico: Primeiros Passos

Título no Brasil: Quarteto Fantástico
Título Original: The Fantastic Four: First Steps
Ano de Lançamento: 2025
País: Estados Unidos
Estúdio: Marvel Studios
Direção: Matt Shakman
Roteiro: Josh Friedman, Eric Pearson
Elenco: Pedro Pascal, Vanessa Kirby, Joseph Quinn, Ebon Moss-Bachrach, Julia Garner, Ralph Ineson

Sinopse:
Nesta nova adaptação do clássico grupo de super-heróis da Marvel, o Quarteto Fantástico — Reed Richards (Sr. Fantástico), Sue Storm (Mulher Invisível), Johnny Storm (Tocha Humana) e Ben Grimm (Coisa) — enfrenta uma ameaça cósmica de proporções épicas no contexto de um mundo de estética retro-futurista inspirado nos anos 1960. Já consolidados como heróis após seus poderes, eles devem confrontar seres de imenso poder, entre eles Galactus, a entidade devoradora de mundos, e seu arauto Surfista Prateado, enquanto lutam para proteger o planeta e sua própria unidade como “família” de heróis.

Comentários:
Eu curti bastante esse novo filme do Quarteto Fantástico e isso me surpreendeu porque sinceramente pensei que seria bem cansativo, ainda mais depois de tantos filmes, sendo o último lançado, o pior deles. Só que escolheram uma direção de arte vintage, o que eu gosto de chamar de "Futuro do Passado", ou seja, como as pessoas dos anos 60 pensavam que seria o futuro! Ficou ótimo, um clima de Jetsons em cada cena. Até o uniforme dos primeiros quadrinhos foi resgatado, uma atitude ousada, uma vez que poderia passar como algo ultrapassado e até mesmo cafona! Felizmente, ao meu crivo, isso passou longe de acontecer. E o roteiro segue o itinerário de uma boa revista em quadrinhos bem velha, daqueles que você encontra por acaso no porão da casa do seu tio avô! Muita gente pode achar tudo empoeirado, mas penso diferente. Esses filmes com esse tipo de design de produção me soam muito atrativos. Afinal eu sempre fui um grande fã da estética retrô, vintage, em todos os seus menores aspectos e detalhes. 

Pablo Aluísio.