quarta-feira, 11 de fevereiro de 2026

Pensamentos Mortais

Pensamentos Mortais
Pensamentos Mortais (Mortal Thoughts) foi lançado em 19 de abril de 1991, dirigido por Alan Rudolph e estrelado por Demi Moore, Glenne Headly e Bruce Willis, com participações importantes de John Pankow e Bill Smitrovich. O filme apresenta um suspense psicológico ambientado em uma comunidade operária nos Estados Unidos, concentrando-se na relação intensa entre duas amigas de longa data. A narrativa tem início quando a polícia passa a investigar a morte de um homem violento e abusivo, levando uma das mulheres a ser interrogada por horas enquanto recorda os acontecimentos que antecederam o crime. A partir desse ponto de partida, o longa desenvolve uma atmosfera de tensão crescente, explorando memórias fragmentadas, lealdade emocional e a dificuldade de distinguir verdade, culpa e proteção. O enredo se constrói de forma intimista e subjetiva, evitando revelar antecipadamente as consequências finais da investigação.

No momento de seu lançamento, Pensamentos Mortais recebeu uma reação crítica mista da imprensa americana. O The New York Times destacou o clima psicológico do filme e a tentativa de construir suspense a partir de diálogos e lembranças, elogiando especialmente a presença dramática de Demi Moore. Contudo, o jornal também observou que a narrativa poderia soar excessivamente contida para um thriller. O Los Angeles Times ressaltou a direção discreta de Alan Rudolph, afirmando que o cineasta buscava mais a complexidade emocional das personagens do que reviravoltas típicas do gênero policial.

A revista Variety avaliou o filme como um drama criminal de ritmo lento, dependente sobretudo das atuações centrais para sustentar a tensão. Já o The New Yorker comentou que o longa possuía uma abordagem quase teatral, concentrada nas ambiguidades morais e psicológicas das protagonistas, embora nem sempre alcançasse o impacto pretendido. Parte da crítica considerou que o potencial dramático da premissa era maior do que sua execução, enquanto outros valorizaram o retrato sensível da amizade feminina sob pressão extrema. O consenso geral permaneceu dividido, oscilando entre reconhecimento das atuações e reservas quanto ao suspense.

No aspecto comercial, Pensamentos Mortais teve desempenho moderado nas bilheterias. Produzido com orçamento estimado em cerca de US$ 40 milhões, o filme arrecadou aproximadamente US$ 18 milhões nos Estados Unidos, com retorno internacional relativamente discreto. O resultado ficou abaixo das expectativas comerciais associadas ao elenco conhecido, especialmente considerando a popularidade crescente de Bruce Willis no início dos anos 1990. Ainda assim, o longa encontrou audiência posterior no mercado de vídeo doméstico e em exibições televisivas, ampliando gradualmente seu alcance junto ao público interessado em thrillers psicológicos.

Com o passar do tempo, Pensamentos Mortais passou por uma reavaliação moderadamente positiva, sendo lembrado mais por suas interpretações do que por seu sucesso inicial. A atuação de Demi Moore costuma ser apontada como um de seus trabalhos dramáticos mais intensos do período, enquanto a dinâmica entre as duas protagonistas ganhou leitura contemporânea ligada a temas de solidariedade feminina e violência doméstica. Embora não seja considerado um clássico do gênero, o filme mantém interesse como exemplo de thriller psicológico intimista do início dos anos 1990 e como registro de um momento específico da carreira de seus atores principais.

Pensamentos Mortais (Mortal Thoughts, Estados Unidos, 1991) Direção: Alan Rudolph / Roteiro: William Reilly / Elenco: Demi Moore, Glenne Headly, Bruce Willis, John Pankow, Bill Smitrovich, Harvey Keitel / Sinopse: Durante o interrogatório sobre a morte de um homem violento, uma mulher revisita lembranças que revelam segredos, lealdades e ambiguidades morais capazes de alterar completamente a percepção dos fatos.

Erick Steve. 

sábado, 7 de fevereiro de 2026

Jogo Bruto

Jogo Bruto
Raw Deal foi lançado em 6 de junho de 1986, dirigido por John Irvin e estrelado por Arnold Schwarzenegger, ao lado de Kathryn Harrold, Sam Wanamaker, Darren McGavin e Paul Shenar. Inserido no auge do cinema de ação dos anos 1980, o filme apresenta Schwarzenegger como um ex-agente do FBI que vive afastado do serviço após uma missão malsucedida, levando uma rotina aparentemente comum em uma pequena cidade. O ponto de partida da narrativa ocorre quando uma autoridade federal o procura com uma proposta secreta: infiltrar-se em uma poderosa organização criminosa responsável por uma onda de violência e corrupção. Para cumprir essa tarefa, o protagonista precisa assumir uma nova identidade e mergulhar em um ambiente dominado por desconfiança, brutalidade e jogos de poder. A história desenvolve, a partir daí, uma trama de vingança pessoal, lealdade ambígua e confrontos inevitáveis, mantendo o suspense sobre as consequências finais de sua missão.

Na época do lançamento, Raw Deal recebeu uma reação crítica majoritariamente negativa a mista por parte da imprensa americana. O The New York Times considerou o filme previsível dentro das convenções do gênero, observando que a narrativa seguia “um caminho familiar de infiltração e violência estilizada” sem grande profundidade dramática. O jornal reconheceu, contudo, a presença física marcante de Schwarzenegger como elemento central de atração para o público. Já o Los Angeles Times apontou que o longa possuía momentos de tensão eficientes, mas carecia de desenvolvimento mais consistente dos personagens e de maior originalidade na condução do enredo.

A revista Variety descreveu o filme como um produto típico do cinema de ação da década, destacando sequências explosivas e ritmo acelerado, porém criticando a dependência excessiva de clichês narrativos. O The New Yorker observou que a produção parecia construída principalmente para explorar o carisma crescente de Schwarzenegger, mais do que para oferecer um thriller policial realmente complexo. Ainda assim, parte da crítica reconheceu que o filme cumpria sua função como entretenimento direto e violento, adequado ao gosto popular do período. O consenso geral foi de avaliação morna, sem grande entusiasmo crítico, mas também sem rejeição completa dentro do contexto do gênero.

No campo comercial, Raw Deal apresentou desempenho modesto nas bilheterias. Produzido com um orçamento estimado em cerca de US$ 10 milhões, o filme arrecadou aproximadamente US$ 16 milhões nos Estados Unidos, com resultados internacionais complementando discretamente esse total. Embora não tenha sido um fracasso, o retorno financeiro ficou abaixo de outros sucessos estrelados por Schwarzenegger na mesma década. Mesmo assim, a produção encontrou vida mais longa no mercado de vídeo doméstico e nas exibições televisivas, formatos nos quais muitos filmes de ação dos anos 1980 consolidaram sua popularidade junto ao público.

Com o passar do tempo, Raw Deal passou a ser visto como um título menor, porém representativo, da filmografia de Schwarzenegger e do cinema de ação oitentista. Críticos contemporâneos costumam avaliá-lo como uma obra funcional, marcada por violência estilizada, trilha sonora típica da época e narrativa direta, sem grandes ambições artísticas. Ainda assim, fãs do gênero reconhecem seu valor como exemplo do período em que produções policiais de baixo a médio orçamento exploravam temas de infiltração, vingança e justiça pessoal. Hoje, o filme mantém status de curiosidade cult entre admiradores do ator e do cinema de ação clássico.

Jogo Bruto (Raw Deal, Estados Unidos, 1986) Direção: John Irvin / Roteiro: Gary DeVore e Norman Wexler / Elenco: Arnold Schwarzenegger, Kathryn Harrold, Sam Wanamaker, Darren McGavin, Paul Shenar, Steven Hill / Sinopse: Um ex-agente federal aceita uma missão secreta para infiltrar-se em uma organização criminosa poderosa, assumindo nova identidade e enfrentando perigos que colocam à prova sua lealdade, resistência e desejo de vingança.

Erick Steve.

terça-feira, 3 de fevereiro de 2026

Rambo - Programado Para Matar

Rambo - Programado Para Matar
O filme Rambo – Programado para Matar (First Blood) foi lançado em 22 de outubro de 1982, marcando a estreia de Sylvester Stallone como John Rambo, personagem que se tornaria um dos maiores ícones do cinema de ação. Dirigido por Ted Kotcheff, o longa é baseado no romance homônimo de David Morrell e apresenta uma abordagem mais dramática e psicológica do que os filmes posteriores da franquia. A história acompanha um veterano da Guerra do Vietnã que, ao retornar aos Estados Unidos, enfrenta rejeição social, traumas profundos e hostilidade institucional. Diferente do estereótipo do herói invencível, Rambo surge inicialmente como uma figura solitária e fragilizada, cuja explosão de violência é resultado direto do abandono e da incompreensão que sofre.

A recepção crítica de Rambo – Programado para Matar foi, em geral, positiva, especialmente por sua seriedade temática. O The New York Times elogiou a performance contida de Stallone, destacando a dimensão humana do personagem e o comentário social sobre o tratamento dado aos veteranos de guerra. O Los Angeles Times ressaltou a direção segura de Ted Kotcheff, que conseguiu equilibrar ação e drama sem glorificar excessivamente a violência. Já a revista Variety apontou que o filme se diferenciava de outras produções de ação da época justamente por seu tom sombrio e crítico, transformando o conflito interno do protagonista no verdadeiro motor da narrativa.

Outros veículos, como o Washington Post, destacaram a força emocional do desfecho e a denúncia implícita da negligência governamental em relação aos ex-combatentes do Vietnã. A crítica reconheceu que, apesar de conter cenas intensas de ação, o filme funcionava principalmente como um drama sobre alienação, trauma psicológico e choque entre indivíduo e autoridade. Com o passar do tempo, essa leitura se consolidou, fazendo com que First Blood fosse reavaliado como uma obra mais complexa do que sua fama posterior poderia sugerir. Muitos analistas contemporâneos apontam o filme como um retrato cru de uma América ainda marcada pelas feridas da guerra.

No aspecto comercial, Rambo – Programado para Matar foi um grande sucesso de bilheteria. Produzido com um orçamento estimado em cerca de US$ 15 milhões, o filme arrecadou aproximadamente US$ 47 milhões apenas nos Estados Unidos. No mercado internacional, o desempenho também foi expressivo, elevando a arrecadação mundial para cerca de US$ 125 milhões. Esse resultado garantiu não apenas o retorno financeiro, mas também a continuidade da história em diversas sequências, embora estas adotassem um tom cada vez mais voltado para a ação espetacular.

Atualmente, Rambo – Programado para Matar é considerado um clássico do cinema dos anos 1980 e o capítulo mais respeitado da franquia. Críticos e estudiosos destacam que o filme original se distancia do discurso triunfalista comum aos filmes seguintes, oferecendo uma visão amarga sobre guerra, violência e exclusão social. A atuação de Stallone é frequentemente citada como uma de suas melhores, justamente pela contenção emocional e pelo impacto do famoso monólogo final. Hoje, o longa é visto como uma obra fundamental para compreender não apenas o personagem Rambo, mas também o contexto cultural e político dos Estados Unidos no pós-Guerra do Vietnã.

Rambo – Programado para Matar (First Blood, Estados Unidos, 1982) Direção: Ted Kotcheff / Roteiro: Michael Kozoll, William Sackheim e Sylvester Stallone (baseado no romance de David Morrell) / Elenco: Sylvester Stallone, Richard Crenna, Brian Dennehy, Bill McKinney, Jack Starrett, David Caruso / Sinopse: Um veterano da Guerra do Vietnã entra em confronto com autoridades locais após sofrer perseguição e abuso, desencadeando uma caçada implacável que expõe os traumas da guerra, o abuso de poder e o isolamento social.

Erick Steve. 

sexta-feira, 30 de janeiro de 2026

Willow

Willow
O filme Willow foi lançado nos Estados Unidos em 20 de maio de 1988, com direção de Ron Howard e produção executiva de George Lucas, que também idealizou a história. O elenco principal é liderado por Warwick Davis, em seu primeiro grande papel como protagonista, interpretando o camponês Willow Ufgood, ao lado de Val Kilmer como o espadachim Madmartigan, Joanne Whalley como Sorsha e Jean Marsh como a rainha Bavmorda. A narrativa se inicia em um reino dominado por uma tirana obcecada por uma antiga profecia que anuncia sua queda, quando um bebê nasce com um destino extraordinário. Willow, um membro de um povo pequeno e marginalizado, acaba envolvido nessa trama ao assumir a missão de proteger a criança. O ponto de partida da história estabelece uma clássica jornada de fantasia, misturando magia, aventura e amadurecimento pessoal, sem jamais revelar o desfecho da missão ou o destino final dos personagens.

No momento de seu lançamento, Willow foi recebido pela crítica americana com reações mistas, especialmente por ser comparado diretamente a outras fantasias épicas da época. O The New York Times descreveu o filme como “uma aventura simpática, embora excessivamente familiar”, destacando o carisma de Warwick Davis, mas apontando a previsibilidade da trama. O Los Angeles Times elogiou os efeitos visuais e a ambição do projeto, afirmando que o filme “oferece espetáculo suficiente para encantar o público jovem”. A revista Variety ressaltou o valor de produção elevado e a trilha sonora épica de James Horner, mas observou que a narrativa seguia fórmulas já bem conhecidas do gênero.

Por outro lado, a The New Yorker foi mais severa, comentando que o filme parecia “uma colagem de ideias de fantasia já vistas anteriormente”, sem a força mítica necessária para se destacar. O Washington Post observou que, embora visualmente atraente, Willow carecia de originalidade e profundidade emocional. Val Kilmer, no entanto, foi amplamente elogiado por trazer humor e energia ao filme, sendo apontado como um dos elementos mais memoráveis da produção. No balanço geral, a crítica da época considerou Willow uma obra tecnicamente competente e agradável, porém derivativa, resultando em uma recepção moderada, distante do entusiasmo gerado por outros épicos de fantasia lançados na década.

Comercialmente, Willow teve um desempenho razoável, mas abaixo das expectativas iniciais. Produzido com um orçamento estimado em cerca de US$ 35 milhões, o filme arrecadou aproximadamente US$ 57 milhões nas bilheterias dos Estados Unidos. No mercado internacional, a arrecadação adicionou cerca de US$ 80 milhões, elevando o total mundial para algo em torno de US$ 137 milhões. Embora não tenha sido um fracasso financeiro, o resultado foi considerado decepcionante para um projeto associado aos nomes de George Lucas e Ron Howard. Esse desempenho acabou afastando, por muitos anos, a possibilidade de uma continuação direta no cinema.

Com o passar do tempo, Willow passou por uma reavaliação crítica significativa. Atualmente, o filme é amplamente considerado um clássico cult da fantasia, especialmente entre o público que cresceu assistindo à obra em VHS e sessões televisivas. A atuação de Warwick Davis ganhou reconhecimento histórico por representar um raro protagonismo de um personagem com nanismo em uma grande produção hollywoodiana. O tom aventureiro, os efeitos práticos e a trilha sonora passaram a ser valorizados como marcas de uma era anterior ao domínio dos efeitos digitais. Hoje, Willow é visto com carinho e nostalgia, sendo reconhecido por seu charme, imaginação e importância cultural dentro do gênero.

Willow (Willow, Estados Unidos, 1988) Direção: Ron Howard / Roteiro: Bob Dolman (história baseada em argumento de George Lucas) / Elenco: Warwick Davis, Val Kilmer, Joanne Whalley, Jean Marsh, Billy Barty, Patricia Hayes / Sinopse: Um camponês relutante é forçado a deixar sua aldeia para proteger uma criança destinada a mudar o destino de um reino, embarcando em uma jornada repleta de magia, perigos e aliados improváveis.

Erick Steve. 

quarta-feira, 28 de janeiro de 2026

Labirinto

Labirinto
O filme Labirinto (Labyrinth) foi lançado nos Estados Unidos em 27 de junho de 1986, com direção de Jim Henson, criador dos Muppets e uma das figuras mais importantes da fantasia audiovisual do século XX. O elenco é liderado por David Bowie, em uma de suas performances mais icônicas no cinema, interpretando Jareth, o Rei dos Duendes, e por Jennifer Connelly, então ainda muito jovem, no papel de Sarah. Completam o elenco principal diversos personagens criados com animatrônicos e marionetes desenvolvidos pelo Jim Henson’s Creature Shop. A história acompanha Sarah, uma adolescente sonhadora e frustrada com suas responsabilidades familiares, que acidentalmente deseja que seu irmão bebê seja levado por Jareth. Quando percebe as consequências de suas palavras, ela é lançada em um mundo fantástico repleto de criaturas estranhas, desafios e enigmas, sendo obrigada a atravessar um enorme labirinto para resgatar o menino. O ponto de partida do filme estabelece uma jornada de amadurecimento, onde fantasia e realidade se misturam, sem jamais revelar o desfecho dessa aventura.

No momento de seu lançamento, Labirinto recebeu uma reação crítica bastante mista por parte da imprensa americana. O The New York Times descreveu o filme como “visualmente inventivo, mas narrativamente irregular”, destacando o trabalho técnico enquanto questionava a força dramática da história. O Los Angeles Times elogiou a imaginação visual e o design de produção, afirmando que o filme era “um espetáculo artesanal raro em uma indústria cada vez mais dependente de efeitos mecânicos”. Já a revista Variety observou que a obra parecia indecisa quanto ao seu público-alvo, oscilando entre um tom infantil e elementos mais sombrios. Muitos críticos reconheceram o charme singular do universo criado por Jim Henson, mas apontaram dificuldades no ritmo e na construção do roteiro, especialmente para espectadores adultos.

O The Washington Post comentou que o filme possuía “momentos de puro encanto visual”, mas carecia de uma narrativa mais envolvente, enquanto a The New Yorker classificou a produção como “uma fantasia belamente construída que nem sempre encontra uma base emocional sólida”. A atuação de David Bowie dividiu opiniões: alguns críticos elogiaram seu carisma e presença magnética, enquanto outros consideraram o tom exagerado e deslocado. Ainda assim, houve consenso quanto à originalidade estética do filme, com elogios frequentes aos cenários, figurinos e criaturas. No balanço geral da época, Labirinto foi visto como uma obra criativa e ambiciosa, porém falha em alcançar plenamente seu potencial, resultando em uma recepção crítica morna e sem grande entusiasmo imediato.

Comercialmente, Labirinto teve um desempenho abaixo do esperado. Produzido com um orçamento estimado em cerca de US$ 25 milhões, o filme arrecadou aproximadamente US$ 12,9 milhões nas bilheterias dos Estados Unidos, tornando-se um fracasso comercial inicial. No mercado internacional, a arrecadação ajudou a amenizar as perdas, mas não foi suficiente para transformar o filme em um sucesso financeiro na época de seu lançamento. O resultado decepcionante impactou negativamente os planos de Jim Henson para projetos semelhantes no cinema, reforçando a percepção do estúdio de que fantasias elaboradas desse tipo enfrentavam dificuldades comerciais em meados dos anos 1980. Apesar disso, o filme encontrou uma segunda vida no mercado de vídeo doméstico e nas exibições televisivas ao longo dos anos seguintes.

Nos dias atuais, Labirinto é amplamente reconhecido como um filme cult, sendo muito mais valorizado do que em sua estreia. A obra passou a ser celebrada por sua estética artesanal, pela trilha sonora marcante e pela performance memorável de David Bowie. Críticos contemporâneos frequentemente destacam o filme como um exemplo raro de fantasia autoral dentro do cinema comercial dos anos 1980. A jornada de amadurecimento de Sarah passou a ser reinterpretada sob leituras simbólicas e psicológicas, aumentando o prestígio crítico da obra. Hoje, Labirinto é considerado um clássico cult, frequentemente citado como uma das produções mais queridas e singulares da filmografia de Jim Henson.

Labirinto (Labyrinth, Estados Unidos, Reino Unido, 1986) Direção: Jim Henson / Roteiro: Terry Jones e Jim Henson (história baseada em conceito de Jim Henson, com personagens desenvolvidos pelo Jim Henson Company) / Elenco: David Bowie, Jennifer Connelly, Toby Froud, Shelley Thompson, Brian Henson, Ron Mueck / Sinopse: Uma jovem é forçada a atravessar um mundo fantástico repleto de criaturas e enigmas após fazer um desejo impulsivo, enfrentando desafios que colocam à prova sua coragem, imaginação e senso de responsabilidade.

Erick Steve.

sábado, 24 de janeiro de 2026

Tuff Turf: O Rebelde

Tuff Turf: O Rebelde
Quem é mais jovem provavelmente só conhece o ator James Spader por causa da série "Lista Negra". Porém quem é fã veterano de cinema lembra de outra fase da carreira desse ator. Lembra dos anos 80 quando ele se especializou em fazer papéis de jovens riquinhos e malvados, principalmente nos filmes memoráveis de adolescentes dirigidos pelo genial John Hughes. Pois bem, esse filme "Tuff Turf: O Rebelde" é justamente dessa época. Claro que os melhores filmes sobre rebeldes foram feitos nos anos 1950, mas é aquela coisa, certos nichos cinematográficos resistem ao passar dos anos. Nunca morrem e estão sempre se renovando, de uma maneira ou outra.

Não é dos melhores filmes do Spader nessa fase de sua vida, temos que reconhecer bem isso. Entretanto fez um sucesso considerável no Brasil por ter sido lançado em VHS por aqui pelo selo SBT Vídeos. Isso mesmo, o Silvio Santos entrou no mercado das locadoras de vídeos nos anos 80 e promoveu demais essa fita em seu canal de TV. Talvez justamente por essa razão esse filme tenha ficado tão conhecido entre os jovens brasileiros. No geral é uma fita B que até tem seus bons momentos, mas certamente durante a década de 1980 o James Spader fez coisa muito, mas muito melhor.

Tuff Turf: O Rebelde (Tuff Turf, Estados Unidos, 1985) Direção: Fritz Kiersch / Roteiro: Jette Rinck, Greg Collins O'Neill / Elenco: James Spader, Kim Richards, Paul Mones, Matt Clark / Sinopse: O novo garoto da escola, o novato, deve lutar contra uma gangue de jovens valentões do bairro depois de roubar a garota do líder dasse grupo de delinquentes.

Pablo Aluísio.


Em Cartaz: Tuff Turf - O Rebelde
Tuff Turf – O Rebelde chegou aos cinemas em 1985, dirigido por Fritz Kiersch e estrelado por James Spader, com Kim Richards no papel feminino principal. O filme se insere diretamente na onda de dramas juvenis dos anos 1980, explorando conflitos de classe, violência urbana e romance proibido. A história acompanha um jovem rico que se muda para um bairro dominado por gangues e acaba se envolvendo em confrontos físicos e emocionais que testam sua identidade e seu lugar naquele ambiente hostil.

Do ponto de vista comercial, Tuff Turf teve uma bilheteria modesta, sem alcançar o sucesso de títulos contemporâneos mais populares do gênero, como The Karate Kid ou Footloose. Ainda assim, o filme conseguiu boa circulação nos cinemas de bairro e posteriormente ganhou visibilidade no mercado de vídeo doméstico, onde encontrou um público fiel entre adolescentes e jovens adultos. A trilha sonora, com forte presença de rock e new wave, também ajudou a manter o filme em evidência além de sua passagem inicial pelas salas.

A recepção crítica em 1985 foi predominantemente negativa, embora não totalmente hostil. O The New York Times descreveu o longa como “um drama juvenil previsível, sustentado mais pelo estilo do que pela substância”, observando que a narrativa seguia fórmulas já conhecidas do cinema adolescente da época. Já a Variety comentou que o filme era “energeticamente encenado, mas dramaticamente raso”, destacando que o roteiro não aprofundava de forma convincente os conflitos sociais que propunha abordar.

As atuações, no entanto, receberam atenção especial. James Spader foi citado por alguns críticos como um ator carismático, ainda em início de carreira, capaz de transmitir vulnerabilidade e arrogância ao mesmo tempo. Jornais regionais americanos chegaram a afirmar que Spader “tem presença de astro, mesmo quando o material não o favorece”, enquanto Kim Richards foi vista como adequada ao papel, embora limitada por um roteiro pouco desenvolvido.

Com o passar dos anos, Tuff Turf – O Rebelde passou a ser reavaliado como um típico produto de seu tempo, mais lembrado por sua estética oitentista — figurinos, trilha sonora e clima urbano — do que por seus méritos narrativos. Embora não tenha sido um sucesso crítico nem comercial em 1985, o filme conquistou status de cult menor, especialmente entre fãs de James Spader e do cinema juvenil da década. Hoje, é visto como um retrato cru e estilizado das ansiedades adolescentes daquele período, ainda que preso às convenções de sua época.

terça-feira, 20 de janeiro de 2026

Febre de juventude

Febre de juventude
Não importa se você não viveu aquela época (muito provavelmente não viveu mesmo pois lá se vão mais de 50 anos!) pois certamente vai acabar gostando desse filme muito simpático que mostra o alvoroço que foi a chegada da chamada Beatlemania nos Estados Unidos. A cultura jovem de massa, do histerismo e dos gritinhos, certamente já tinha nascido nos anos 50 com Elvis Presley mas foi mesmo nos anos 60 que houve de verdade uma verdadeira febre de juventude entre a rapaziada que adorava rock ´n´ roll. O catalisador desse movimento foi esse quarteto criado em Liverpool por garotos da classe trabalhadora da cidade. John, Paul, George e Ringo viraram ícones, ídolos e mudaram a música para sempre! O filme porém não mostra os membros da banda e suas apresentações mas sim a reação que acontecia ao redor nos jovens que iam assistir os concertos e sonhavam em um dia encontrar pela frente esses grandes talentos. Essa aliás foi uma das grandes boas ideias do filme pois o espectador é transportado para dentro daquela época, interagindo com os personagens, seus cabelos, suas roupas e seu estilo de vida. Obviamente que muitas das situações soam engraçadas por si só, como por exemplo um dos caras do grupo que compra uma ridícula peruca beatle, mas isso tudo no final das contas acaba fazendo parte da (grande) diversão que é o filme em si.

Aliás o tom é facilmente captado pelo próprio nome original do filme, "I Want Hold Your Hand", uma das músicas mais significativas da explosão do grupo nas paradas americanas, quando em sua primeira excursão pelos Estados Unidos causaram um enorme furor de música e diversão. Por falar em diversão esse foi um projeto muito pessoal do diretor Robert Zemeckis que usou muito de suas próprias lembranças de juventude para recriar o clima que viveu na Nova Iorque de 1964, quando os Beatles por lá passaram. O roteiro foi escrito a quatro mãos com Bob Gale, outro grande fã do grupo britânico. Para completar o trio o aclamado diretor Steven Spielberg resolveu produzir o filme de tão encantado que ficou o enredo. Aliás pense rápido: que outro grande sucesso do cinema esse mesmo trio iria fazer na década seguinte, marcando para sempre o cinema de diversão de Hollywood? Se pensou em "De Volta Para o Futuro" acertou!. Foram eles mesmos que voltando a trabalhar juntos em meados dos anos 80 iriam concretizar umas das trilogias mais bem sucedidas da história de Hollywood. Aqui em "Febre da Juventude" eles parecem ter tido a mesma intenção - voltar no tempo para viver em uma época mágica da história. Aproveite e conheça o filme e tenha a mesma sensação (e o melhor de tudo sem precisar de uma máquina do tempo para isso!).

Febre da Juventude (Wanna Hold Your Hand, Estados Unidos,1978) Direção: Robert Zemeckis / Roteiro: Bob Gale, Robert Zemeckis / Elenco: Nancy Allen, Bobby Di Cicco, Marc McClure / Sinopse: Grupo de jovens americanos faz de tudo para chegar perto de seus ídolos, os Beatles, em sua primeira excursão pelos Estados Unidos.

Pablo Aluísio.

Em Cartaz: Febre de juventude
A comédia Febre de Juventude estreou nos cinemas em abril de 1978, dirigida por Robert Zemeckis e produzida por Steven Spielberg, que à época já era um dos nomes mais influentes de Hollywood. Ambientado em 1964, o filme acompanha um grupo de adolescentes obcecados pelos Beatles tentando de todas as formas assistir à histórica primeira apresentação da banda na televisão americana, no The Ed Sullivan Show. Desde o lançamento, a obra foi percebida como uma celebração nostálgica da juventude e do impacto cultural da Beatlemania.

Em termos de bilheteria, o filme teve um desempenho modesto, ficando aquém das expectativas comerciais. Apesar do prestígio de Spielberg como produtor, Febre de Juventude não se transformou em sucesso de público imediato, em parte por seu elenco pouco conhecido e por seu humor mais delicado e observacional. Ainda assim, conseguiu boa circulação nos Estados Unidos e encontrou maior acolhida em exibições posteriores, especialmente na televisão.

A reação da crítica em 1978 foi amplamente positiva. O The New York Times descreveu o filme como “uma comédia leve, espirituosa e cheia de afeto pela cultura pop dos anos 1960”, destacando seu ritmo ágil e seu olhar carinhoso sobre a adolescência. A revista Time afirmou que a produção era “barulhenta, doce e surpreendentemente inteligente”, elogiando a forma como o filme capturava a histeria coletiva sem ridicularizar seus personagens.

Os críticos também chamaram atenção para o talento emergente de Robert Zemeckis, apontando que sua direção revelava “energia visual e timing cômico incomuns para um estreante”. A influência de Spielberg foi notada no tom otimista e no dinamismo da narrativa, enquanto o roteiro foi elogiado por equilibrar humor físico com comentários sutis sobre identidade juvenil, consumo cultural e idolatria.

Com o passar dos anos, Febre de Juventude passou a ser visto como um clássico cult, especialmente entre fãs dos Beatles e estudiosos do cinema nostálgico americano. Já em 1978, alguns críticos observavam que o filme possuía um charme que poderia crescer com o tempo. Hoje, ele é lembrado como uma obra simpática e significativa, tanto por antecipar a carreira de Zemeckis quanto por representar uma das produções mais pessoais e afetuosas associadas ao nome de Steven Spielberg fora da direção.