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sábado, 7 de novembro de 2026

Rambo III

Rambo III
John Rambo (Sylvester Stallone) é enviado ao Afeganistão numa missão não oficial para libertar o seu antigo mentor, o Coronel Trautman (Richard Crenna) que agora se encontra prisioneiro das tropas de ocupação soviética naquele país. "Rambo III" é a esperada continuação da saga do super soldado Rambo. Sem dúvida é um dos mais fracos exemplares da franquia. O roteiro escrito por Stallone foca totalmente em cenas completamente inverossímeis de ação e se esquece de todo o resto. A essência do personagem, que foi parcialmente captada no primeiro filme, aqui se perde completamente. Rambo se torna literalmente um exército de um homem só. Ele enfrenta todo o exército soviético sozinho e praticamente os liquida nos desertos do Afeganistão. O filme é exagerado ao extremo e com isso perde toda e qualquer credibilidade. Só para relembrar: Rambo invade uma base militar russa, mata vários soldados, liberta Trautman e não satisfeito solta ainda todos os demais prisioneiros do local. Consegue escapar de um cerco, rouba um helicóptero soviético de última geração, sofre um desastre com ele (mas não se machuca), corre pelo deserto e enfrenta no muque uma coluna de tanques do exército russo! O pior porém acontece nas cenas finais quando rouba um tanque russo e com ele dá uma "trombada" de frente com um outro helicóptero inimigo (e novamente sobrevive sem maiores problemas).

É ou não é um amontoados de absurdos? O que será que deu na cabeça do Stallone em escrever tantas cenas impossíveis? Para piorar o filme levou uma rasteira da história. Nele acompanhamos a aliança entre Rambo e os rebeldes afegãos, mostrados como heróis da liberdade contra o invasor soviético. O problema é que esses mesmos rebeldes iriam dar origem ao regime brutal dos Talibãs anos depois quando os russos finalmente deixaram o Afeganistão de lado, ou seja, Rambo aqui se alia com um grupo que anos depois seria uma das bases de sustentação de grupos terroristas como a Al-Qaeda (o próprio Bin Laden tinha no Afeganistão uma de suas bases mais sólidas). Acredito que por isso Rambo III seja um dos filmes ideologicamente mais incorretos da história do cinema americano. Talvez por essa razão Stallone nem o cite mais atualmente provavelmente por se sentir constrangido pelo roteiro que escreveu. Enfim, "Rambo III" é aquele tipo de produção que entornou o caldo, transformando o personagem em uma mera caricatura, tudo sob uma verniz ideológica muito infeliz.

Rambo III (Idem, Estados Unidos, 1988) Direção: Peter MacDonald / Roteiro: Sylvester Stallone, Sheldon Lettich baseados no personagem criado por David Morrell / Elenco: Sylvester Stallone, Richard Crenna, Marc De Jonge / Sinopse: John Rambo (Sylvester Stallone) é enviado ao Afeganistão numa missão não oficial para libertar o seu antigo mentor, o Coronel Trautman (Richard Crenna) que agora se encontra prisioneiro das tropas de ocupação soviética naquele país.

Pablo Aluísio.

terça-feira, 3 de fevereiro de 2026

Rambo - Programado Para Matar

Rambo - Programado Para Matar
O filme Rambo – Programado para Matar (First Blood) foi lançado em 22 de outubro de 1982, marcando a estreia de Sylvester Stallone como John Rambo, personagem que se tornaria um dos maiores ícones do cinema de ação. Dirigido por Ted Kotcheff, o longa é baseado no romance homônimo de David Morrell e apresenta uma abordagem mais dramática e psicológica do que os filmes posteriores da franquia. A história acompanha um veterano da Guerra do Vietnã que, ao retornar aos Estados Unidos, enfrenta rejeição social, traumas profundos e hostilidade institucional. Diferente do estereótipo do herói invencível, Rambo surge inicialmente como uma figura solitária e fragilizada, cuja explosão de violência é resultado direto do abandono e da incompreensão que sofre.

A recepção crítica de Rambo – Programado para Matar foi, em geral, positiva, especialmente por sua seriedade temática. O The New York Times elogiou a performance contida de Stallone, destacando a dimensão humana do personagem e o comentário social sobre o tratamento dado aos veteranos de guerra. O Los Angeles Times ressaltou a direção segura de Ted Kotcheff, que conseguiu equilibrar ação e drama sem glorificar excessivamente a violência. Já a revista Variety apontou que o filme se diferenciava de outras produções de ação da época justamente por seu tom sombrio e crítico, transformando o conflito interno do protagonista no verdadeiro motor da narrativa.

Outros veículos, como o Washington Post, destacaram a força emocional do desfecho e a denúncia implícita da negligência governamental em relação aos ex-combatentes do Vietnã. A crítica reconheceu que, apesar de conter cenas intensas de ação, o filme funcionava principalmente como um drama sobre alienação, trauma psicológico e choque entre indivíduo e autoridade. Com o passar do tempo, essa leitura se consolidou, fazendo com que First Blood fosse reavaliado como uma obra mais complexa do que sua fama posterior poderia sugerir. Muitos analistas contemporâneos apontam o filme como um retrato cru de uma América ainda marcada pelas feridas da guerra.

No aspecto comercial, Rambo – Programado para Matar foi um grande sucesso de bilheteria. Produzido com um orçamento estimado em cerca de US$ 15 milhões, o filme arrecadou aproximadamente US$ 47 milhões apenas nos Estados Unidos. No mercado internacional, o desempenho também foi expressivo, elevando a arrecadação mundial para cerca de US$ 125 milhões. Esse resultado garantiu não apenas o retorno financeiro, mas também a continuidade da história em diversas sequências, embora estas adotassem um tom cada vez mais voltado para a ação espetacular.

Atualmente, Rambo – Programado para Matar é considerado um clássico do cinema dos anos 1980 e o capítulo mais respeitado da franquia. Críticos e estudiosos destacam que o filme original se distancia do discurso triunfalista comum aos filmes seguintes, oferecendo uma visão amarga sobre guerra, violência e exclusão social. A atuação de Stallone é frequentemente citada como uma de suas melhores, justamente pela contenção emocional e pelo impacto do famoso monólogo final. Hoje, o longa é visto como uma obra fundamental para compreender não apenas o personagem Rambo, mas também o contexto cultural e político dos Estados Unidos no pós-Guerra do Vietnã.

Rambo – Programado para Matar (First Blood, Estados Unidos, 1982) Direção: Ted Kotcheff / Roteiro: Michael Kozoll, William Sackheim e Sylvester Stallone (baseado no romance de David Morrell) / Elenco: Sylvester Stallone, Richard Crenna, Brian Dennehy, Bill McKinney, Jack Starrett, David Caruso / Sinopse: Um veterano da Guerra do Vietnã entra em confronto com autoridades locais após sofrer perseguição e abuso, desencadeando uma caçada implacável que expõe os traumas da guerra, o abuso de poder e o isolamento social.

Erick Steve.