sábado, 21 de fevereiro de 2026

Desafiando o Assassino

Título no Brasil: Desafiando o Assassino
Título Original: Mr. Majestyk
Ano de Produção: 1974
País: Estados Unidos
Estúdio: United Artists
Direção: Richard Fleischer
Roteiro: Elmore Leonard
Elenco: Charles Bronson, Linda Cristal, Al Lettieri

Sinopse:
Vince Majestyk (Bronson) é um modesto plantador de frutas que acaba virando alvo de um grupo de criminosos por desafiar as regras do sindicato local de trabalhadores rurais ao dar emprego para um grupo de mestiços. O que seus inimigos não sabem é que ele é na verdade um veterano da guerra do Vietnã, perito em armas de grosso calibre, pronto para enfrentar todos os que lhe querem prejudicar.

Comentários:
Mais uma fita de ação com Charles Bronson que na época fez muito sucesso nos cinemas populares, de bairro, que existiam em todo o Brasil. O roteiro é dos mais simples (o que não quer dizer que não seja muito eficiente). Como sempre Bronson interpreta um sujeito que só deseja levar sua vida em paz, cuidando de suas plantações. O problema é que resolvem mexer com ele. Aí não tem jeito, sobra chuva de balas para todos os lados. Usando do velho chavão "Mexeram com o cara errado", o antes pacato e pacífico personagem de Bronson vira um Rambo dos campos. Armado até os dentes passa fogo nos mafiosos que querem lhe explorar. O diretor  Richard Fleischer parece ter um prazer sádico em explodir melancias com rajadas de poderosas metralhadoras. Em seu modo de ver, aquilo era "pura arte cinematográfica"! É curioso que Bronson, que até teve uma carreira bem diversificada nos primeiros anos de carreira, surgindo em praticamente todos os gêneros, tenha a partir dos anos 70 se especializado em filmes mais populares de pura ação. Isso ocorreu principalmente depois que os produtores descobriram que ele poderia se dar muito bem estrelando filmes desse tipo. A partir daí ele deixou de ser um coadjuvante eclético para se tornar um autêntico astro de ação dentro da indústria de cinema dos Estados Unidos. Levou até o fim de sua vida essa escolha. Assista e confira o que dá mexer com o fazendeiro errado.

Pablo Aluísio.

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2026

Uma Saída de Mestre

Título no Brasil: Uma Saída de Mestre
Título Original: The Italian Job
Ano de Produção: 2003
País: Estados Unidos, Inglaterra, França, Itália
Estúdio: Paramount Pictures
Direção: F. Gary Gray
Roteiro: Troy Kennedy-Martin, Donna Powers
Elenco: Mark Wahlberg, Jason Statham, Donald Sutherland, Edward Norton, Charlize Theron, Fausto Callegarini

Sinopse:

Depois de ser traído e deixado para morrer na Itália, Charlie Croker (Mark Wahlberg) e sua equipe planejam um elaborado assalto, com o objetivo de roubar uma grande fortuna em ouro. O alvo passa a ser justamente aquele que o traiu, seu ex-aliado. Filme premiado no World Stunt Awards.

Comentários:
Esse filme de ação reuniu um elenco e tanto! Realmente admirável. Penso inclusive que se fosse produzido nos dias de hoje não iriam conseguir reunir tantos astros e estrelas famosos do cinema atual. Afinal o cachê de todos eles inflacionou bastante desde 2003, quando o filme foi feito. Outro ponto positivo é que se trata de um filme sobre assalto. Esse é aquele tipo de filme que precisa ter um roteiro muito ruim para não dar certo. O natural mesmo é que acabe rendendo pelo menos um bom enredo, com doses de ação e suspense. A intenção dos ladrões é roubar um enorme carregamento em barras de ouro. O sonho de todo criminoso desse tipo. E para isso eles reúnem um tipo de "experts", cada um na sua area de atuação. Recentemente assistindo ao novo "Velozes e Furiosos" há uma pequena menção a essa produção quando Jason Statham mostra ao The Rock um pequeno carro italiano, um daqueles mini veículos, populares entre os consumidores da Itália. E esses carrinhos acabam sendo também uma das estrelas desse filme, em ótimas cenas de perseguição. Enfim, se você curte esse tipo de action movie, pode assistir sem medo. Vai gostar, seja de uma maneira ou outra.

Pablo Aluísio.

sábado, 14 de fevereiro de 2026

Mad Max 2

Mad Max 2
Mad Max 2 (Mad Max 2: The Road Warrior) foi lançado em 24 de dezembro de 1981 na Austrália (chegando a outros países em 1982), dirigido por George Miller e estrelado por Mel Gibson, com participações de Bruce Spence, Vernon Wells, Michael Preston e Kjell Nilsson. Situado em um futuro pós-apocalíptico marcado pela escassez de combustível e pelo colapso da civilização, o filme acompanha Max, um ex-policial solitário que vagueia pelas estradas desertas tentando sobreviver. O ponto de partida da narrativa surge quando ele encontra uma pequena comunidade que protege um valioso suprimento de gasolina, tornando-se alvo de uma violenta gangue liderada por um tirano carismático. A partir desse encontro, Max é gradualmente envolvido no conflito entre sobrevivência individual e responsabilidade coletiva, dando início a uma jornada de ação intensa e atmosfera desoladora, sem antecipar o destino final dos personagens.

No momento de seu lançamento internacional, Mad Max 2 recebeu uma aclamação crítica significativa, surpreendendo parte da imprensa que esperava apenas uma continuação de baixo orçamento. O The New York Times destacou a energia visual do filme e sua narrativa quase sem diálogos, observando que a obra funcionava como “uma perseguição cinematográfica contínua, conduzida com precisão extraordinária”. Já o Los Angeles Times elogiou a imaginação visual de George Miller e a construção de um universo convincente com recursos limitados, ressaltando que o diretor transformava ação física em linguagem cinematográfica pura.

A revista Variety descreveu o longa como “um espetáculo de ação feroz e inventivo”, apontando que sua coreografia de perseguições elevava o padrão do gênero. O The New Yorker observou que o filme possuía uma qualidade quase mítica, comparando Max a um cavaleiro solitário em um faroeste futurista. Embora a violência estilizada tenha causado alguma reserva entre críticos mais conservadores, o consenso geral foi claramente positivo, reconhecendo o filme como uma sequência superior ao original e um marco inovador do cinema de ação moderno.

No campo comercial, Mad Max 2 foi um grande sucesso internacional, especialmente considerando seu orçamento modesto de cerca de US$ 4,5 milhões. O filme arrecadou aproximadamente US$ 36 milhões apenas nos Estados Unidos e ultrapassou US$ 100 milhões mundialmente em diferentes relançamentos e mercados. Esse desempenho transformou a produção australiana em fenômeno global, consolidando a carreira internacional de Mel Gibson e garantindo a continuidade da franquia. O sucesso também demonstrou que filmes de ação visualmente inventivos poderiam competir com grandes produções de Hollywood mesmo com recursos limitados.

Com o passar das décadas, Mad Max 2 tornou-se amplamente considerado um dos maiores filmes de ação já realizados. Sua influência estética pode ser vista em inúmeros filmes, videogames e obras de cultura pop que exploram cenários pós-apocalípticos e perseguições motorizadas. Críticos contemporâneos frequentemente destacam a clareza visual das sequências de ação, a narrativa minimalista e a construção de mundo extremamente eficiente. Hoje, o longa é visto não apenas como o ponto alto da trilogia original, mas como uma referência fundamental para o cinema de ação e aventura das décadas seguintes.

Mad Max 2 (Mad Max 2: The Road Warrior, Austrália, 1981) Direção: George Miller / Roteiro: Terry Hayes, George Miller e Brian Hannant / Elenco: Mel Gibson, Bruce Spence, Vernon Wells, Michael Preston, Kjell Nilsson, Emil Minty / Sinopse: Em um deserto pós-apocalíptico dominado pela escassez de combustível, um guerreiro solitário envolve-se na defesa de uma comunidade sitiada por saqueadores violentos, enfrentando escolhas entre sobrevivência individual e solidariedade.

Erick Steve.

O Ajuste de Contas

Título no Brasil: O Ajuste de Contas
Título Original: An Eye for an Eye
Ano de Lançamento: 1981
País: Estados Unidos
Estúdio: Avco Embassy Pictures
Direção: Steve Carver
Roteiro: James Bruner, William Gray
Elenco: Chuck Norris, Christopher Lee, Richard Roundtree, Matt Clark, Mako, Maggie Cooper

Sinopse:
Após o assassinato brutal de seu parceiro por uma organização criminosa ligada ao tráfico de drogas, um policial de San Francisco decide abandonar os métodos legais e buscar vingança por conta própria. Em sua caçada, ele enfrenta assassinos profissionais, corrupção e uma rede internacional de crime, colocando sua própria vida em risco enquanto tenta fazer justiça fora da lei.

Comentários:
Esse filme recebeu diversos títulos no Brasil, entre eles "Olho por Olho", "Justiça Selvagem" e "A Hora da Vingança". Essa produção faz parte da fase inicial de Chuck Norris como astro de ação nos cinemas, ajudando a consolidar sua imagem de justiceiro implacável. Christopher Lee interpreta um dos principais antagonistas, em um raro papel de vilão em filme policial contemporâneo. A trama segue a tradição dos thrillers de vingança populares no início dos anos 1980. O longa mistura artes marciais com ação policial urbana, característica marcante dos filmes de Norris nesse período. Teve bom desempenho comercial e contribuiu para o crescimento da carreira do ator no gênero de ação. Tornou-se presença frequente em exibições de TV e ganhou status cult entre fãs do cinema de ação dos anos 80.

Pablo Aluísio. 

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2026

Pensamentos Mortais

Pensamentos Mortais
Pensamentos Mortais (Mortal Thoughts) foi lançado em 19 de abril de 1991, dirigido por Alan Rudolph e estrelado por Demi Moore, Glenne Headly e Bruce Willis, com participações importantes de John Pankow e Bill Smitrovich. O filme apresenta um suspense psicológico ambientado em uma comunidade operária nos Estados Unidos, concentrando-se na relação intensa entre duas amigas de longa data. A narrativa tem início quando a polícia passa a investigar a morte de um homem violento e abusivo, levando uma das mulheres a ser interrogada por horas enquanto recorda os acontecimentos que antecederam o crime. A partir desse ponto de partida, o longa desenvolve uma atmosfera de tensão crescente, explorando memórias fragmentadas, lealdade emocional e a dificuldade de distinguir verdade, culpa e proteção. O enredo se constrói de forma intimista e subjetiva, evitando revelar antecipadamente as consequências finais da investigação.

No momento de seu lançamento, Pensamentos Mortais recebeu uma reação crítica mista da imprensa americana. O The New York Times destacou o clima psicológico do filme e a tentativa de construir suspense a partir de diálogos e lembranças, elogiando especialmente a presença dramática de Demi Moore. Contudo, o jornal também observou que a narrativa poderia soar excessivamente contida para um thriller. O Los Angeles Times ressaltou a direção discreta de Alan Rudolph, afirmando que o cineasta buscava mais a complexidade emocional das personagens do que reviravoltas típicas do gênero policial.

A revista Variety avaliou o filme como um drama criminal de ritmo lento, dependente sobretudo das atuações centrais para sustentar a tensão. Já o The New Yorker comentou que o longa possuía uma abordagem quase teatral, concentrada nas ambiguidades morais e psicológicas das protagonistas, embora nem sempre alcançasse o impacto pretendido. Parte da crítica considerou que o potencial dramático da premissa era maior do que sua execução, enquanto outros valorizaram o retrato sensível da amizade feminina sob pressão extrema. O consenso geral permaneceu dividido, oscilando entre reconhecimento das atuações e reservas quanto ao suspense.

No aspecto comercial, Pensamentos Mortais teve desempenho moderado nas bilheterias. Produzido com orçamento estimado em cerca de US$ 40 milhões, o filme arrecadou aproximadamente US$ 18 milhões nos Estados Unidos, com retorno internacional relativamente discreto. O resultado ficou abaixo das expectativas comerciais associadas ao elenco conhecido, especialmente considerando a popularidade crescente de Bruce Willis no início dos anos 1990. Ainda assim, o longa encontrou audiência posterior no mercado de vídeo doméstico e em exibições televisivas, ampliando gradualmente seu alcance junto ao público interessado em thrillers psicológicos.

Com o passar do tempo, Pensamentos Mortais passou por uma reavaliação moderadamente positiva, sendo lembrado mais por suas interpretações do que por seu sucesso inicial. A atuação de Demi Moore costuma ser apontada como um de seus trabalhos dramáticos mais intensos do período, enquanto a dinâmica entre as duas protagonistas ganhou leitura contemporânea ligada a temas de solidariedade feminina e violência doméstica. Embora não seja considerado um clássico do gênero, o filme mantém interesse como exemplo de thriller psicológico intimista do início dos anos 1990 e como registro de um momento específico da carreira de seus atores principais.

Pensamentos Mortais (Mortal Thoughts, Estados Unidos, 1991) Direção: Alan Rudolph / Roteiro: William Reilly / Elenco: Demi Moore, Glenne Headly, Bruce Willis, John Pankow, Bill Smitrovich, Harvey Keitel / Sinopse: Durante o interrogatório sobre a morte de um homem violento, uma mulher revisita lembranças que revelam segredos, lealdades e ambiguidades morais capazes de alterar completamente a percepção dos fatos.

Erick Steve. 

sábado, 7 de fevereiro de 2026

Jogo Bruto

Jogo Bruto
Raw Deal foi lançado em 6 de junho de 1986, dirigido por John Irvin e estrelado por Arnold Schwarzenegger, ao lado de Kathryn Harrold, Sam Wanamaker, Darren McGavin e Paul Shenar. Inserido no auge do cinema de ação dos anos 1980, o filme apresenta Schwarzenegger como um ex-agente do FBI que vive afastado do serviço após uma missão malsucedida, levando uma rotina aparentemente comum em uma pequena cidade. O ponto de partida da narrativa ocorre quando uma autoridade federal o procura com uma proposta secreta: infiltrar-se em uma poderosa organização criminosa responsável por uma onda de violência e corrupção. Para cumprir essa tarefa, o protagonista precisa assumir uma nova identidade e mergulhar em um ambiente dominado por desconfiança, brutalidade e jogos de poder. A história desenvolve, a partir daí, uma trama de vingança pessoal, lealdade ambígua e confrontos inevitáveis, mantendo o suspense sobre as consequências finais de sua missão.

Na época do lançamento, Raw Deal recebeu uma reação crítica majoritariamente negativa a mista por parte da imprensa americana. O The New York Times considerou o filme previsível dentro das convenções do gênero, observando que a narrativa seguia “um caminho familiar de infiltração e violência estilizada” sem grande profundidade dramática. O jornal reconheceu, contudo, a presença física marcante de Schwarzenegger como elemento central de atração para o público. Já o Los Angeles Times apontou que o longa possuía momentos de tensão eficientes, mas carecia de desenvolvimento mais consistente dos personagens e de maior originalidade na condução do enredo.

A revista Variety descreveu o filme como um produto típico do cinema de ação da década, destacando sequências explosivas e ritmo acelerado, porém criticando a dependência excessiva de clichês narrativos. O The New Yorker observou que a produção parecia construída principalmente para explorar o carisma crescente de Schwarzenegger, mais do que para oferecer um thriller policial realmente complexo. Ainda assim, parte da crítica reconheceu que o filme cumpria sua função como entretenimento direto e violento, adequado ao gosto popular do período. O consenso geral foi de avaliação morna, sem grande entusiasmo crítico, mas também sem rejeição completa dentro do contexto do gênero.

No campo comercial, Raw Deal apresentou desempenho modesto nas bilheterias. Produzido com um orçamento estimado em cerca de US$ 10 milhões, o filme arrecadou aproximadamente US$ 16 milhões nos Estados Unidos, com resultados internacionais complementando discretamente esse total. Embora não tenha sido um fracasso, o retorno financeiro ficou abaixo de outros sucessos estrelados por Schwarzenegger na mesma década. Mesmo assim, a produção encontrou vida mais longa no mercado de vídeo doméstico e nas exibições televisivas, formatos nos quais muitos filmes de ação dos anos 1980 consolidaram sua popularidade junto ao público.

Com o passar do tempo, Raw Deal passou a ser visto como um título menor, porém representativo, da filmografia de Schwarzenegger e do cinema de ação oitentista. Críticos contemporâneos costumam avaliá-lo como uma obra funcional, marcada por violência estilizada, trilha sonora típica da época e narrativa direta, sem grandes ambições artísticas. Ainda assim, fãs do gênero reconhecem seu valor como exemplo do período em que produções policiais de baixo a médio orçamento exploravam temas de infiltração, vingança e justiça pessoal. Hoje, o filme mantém status de curiosidade cult entre admiradores do ator e do cinema de ação clássico.

Jogo Bruto (Raw Deal, Estados Unidos, 1986) Direção: John Irvin / Roteiro: Gary DeVore e Norman Wexler / Elenco: Arnold Schwarzenegger, Kathryn Harrold, Sam Wanamaker, Darren McGavin, Paul Shenar, Steven Hill / Sinopse: Um ex-agente federal aceita uma missão secreta para infiltrar-se em uma organização criminosa poderosa, assumindo nova identidade e enfrentando perigos que colocam à prova sua lealdade, resistência e desejo de vingança.

Erick Steve.

terça-feira, 3 de fevereiro de 2026

Rambo - Programado Para Matar

Rambo - Programado Para Matar
O filme Rambo – Programado para Matar (First Blood) foi lançado em 22 de outubro de 1982, marcando a estreia de Sylvester Stallone como John Rambo, personagem que se tornaria um dos maiores ícones do cinema de ação. Dirigido por Ted Kotcheff, o longa é baseado no romance homônimo de David Morrell e apresenta uma abordagem mais dramática e psicológica do que os filmes posteriores da franquia. A história acompanha um veterano da Guerra do Vietnã que, ao retornar aos Estados Unidos, enfrenta rejeição social, traumas profundos e hostilidade institucional. Diferente do estereótipo do herói invencível, Rambo surge inicialmente como uma figura solitária e fragilizada, cuja explosão de violência é resultado direto do abandono e da incompreensão que sofre.

A recepção crítica de Rambo – Programado para Matar foi, em geral, positiva, especialmente por sua seriedade temática. O The New York Times elogiou a performance contida de Stallone, destacando a dimensão humana do personagem e o comentário social sobre o tratamento dado aos veteranos de guerra. O Los Angeles Times ressaltou a direção segura de Ted Kotcheff, que conseguiu equilibrar ação e drama sem glorificar excessivamente a violência. Já a revista Variety apontou que o filme se diferenciava de outras produções de ação da época justamente por seu tom sombrio e crítico, transformando o conflito interno do protagonista no verdadeiro motor da narrativa.

Outros veículos, como o Washington Post, destacaram a força emocional do desfecho e a denúncia implícita da negligência governamental em relação aos ex-combatentes do Vietnã. A crítica reconheceu que, apesar de conter cenas intensas de ação, o filme funcionava principalmente como um drama sobre alienação, trauma psicológico e choque entre indivíduo e autoridade. Com o passar do tempo, essa leitura se consolidou, fazendo com que First Blood fosse reavaliado como uma obra mais complexa do que sua fama posterior poderia sugerir. Muitos analistas contemporâneos apontam o filme como um retrato cru de uma América ainda marcada pelas feridas da guerra.

No aspecto comercial, Rambo – Programado para Matar foi um grande sucesso de bilheteria. Produzido com um orçamento estimado em cerca de US$ 15 milhões, o filme arrecadou aproximadamente US$ 47 milhões apenas nos Estados Unidos. No mercado internacional, o desempenho também foi expressivo, elevando a arrecadação mundial para cerca de US$ 125 milhões. Esse resultado garantiu não apenas o retorno financeiro, mas também a continuidade da história em diversas sequências, embora estas adotassem um tom cada vez mais voltado para a ação espetacular.

Atualmente, Rambo – Programado para Matar é considerado um clássico do cinema dos anos 1980 e o capítulo mais respeitado da franquia. Críticos e estudiosos destacam que o filme original se distancia do discurso triunfalista comum aos filmes seguintes, oferecendo uma visão amarga sobre guerra, violência e exclusão social. A atuação de Stallone é frequentemente citada como uma de suas melhores, justamente pela contenção emocional e pelo impacto do famoso monólogo final. Hoje, o longa é visto como uma obra fundamental para compreender não apenas o personagem Rambo, mas também o contexto cultural e político dos Estados Unidos no pós-Guerra do Vietnã.

Rambo – Programado para Matar (First Blood, Estados Unidos, 1982) Direção: Ted Kotcheff / Roteiro: Michael Kozoll, William Sackheim e Sylvester Stallone (baseado no romance de David Morrell) / Elenco: Sylvester Stallone, Richard Crenna, Brian Dennehy, Bill McKinney, Jack Starrett, David Caruso / Sinopse: Um veterano da Guerra do Vietnã entra em confronto com autoridades locais após sofrer perseguição e abuso, desencadeando uma caçada implacável que expõe os traumas da guerra, o abuso de poder e o isolamento social.

Erick Steve. 

sexta-feira, 30 de janeiro de 2026

Willow

Willow
O filme Willow foi lançado nos Estados Unidos em 20 de maio de 1988, com direção de Ron Howard e produção executiva de George Lucas, que também idealizou a história. O elenco principal é liderado por Warwick Davis, em seu primeiro grande papel como protagonista, interpretando o camponês Willow Ufgood, ao lado de Val Kilmer como o espadachim Madmartigan, Joanne Whalley como Sorsha e Jean Marsh como a rainha Bavmorda. A narrativa se inicia em um reino dominado por uma tirana obcecada por uma antiga profecia que anuncia sua queda, quando um bebê nasce com um destino extraordinário. Willow, um membro de um povo pequeno e marginalizado, acaba envolvido nessa trama ao assumir a missão de proteger a criança. O ponto de partida da história estabelece uma clássica jornada de fantasia, misturando magia, aventura e amadurecimento pessoal, sem jamais revelar o desfecho da missão ou o destino final dos personagens.

No momento de seu lançamento, Willow foi recebido pela crítica americana com reações mistas, especialmente por ser comparado diretamente a outras fantasias épicas da época. O The New York Times descreveu o filme como “uma aventura simpática, embora excessivamente familiar”, destacando o carisma de Warwick Davis, mas apontando a previsibilidade da trama. O Los Angeles Times elogiou os efeitos visuais e a ambição do projeto, afirmando que o filme “oferece espetáculo suficiente para encantar o público jovem”. A revista Variety ressaltou o valor de produção elevado e a trilha sonora épica de James Horner, mas observou que a narrativa seguia fórmulas já bem conhecidas do gênero.

Por outro lado, a The New Yorker foi mais severa, comentando que o filme parecia “uma colagem de ideias de fantasia já vistas anteriormente”, sem a força mítica necessária para se destacar. O Washington Post observou que, embora visualmente atraente, Willow carecia de originalidade e profundidade emocional. Val Kilmer, no entanto, foi amplamente elogiado por trazer humor e energia ao filme, sendo apontado como um dos elementos mais memoráveis da produção. No balanço geral, a crítica da época considerou Willow uma obra tecnicamente competente e agradável, porém derivativa, resultando em uma recepção moderada, distante do entusiasmo gerado por outros épicos de fantasia lançados na década.

Comercialmente, Willow teve um desempenho razoável, mas abaixo das expectativas iniciais. Produzido com um orçamento estimado em cerca de US$ 35 milhões, o filme arrecadou aproximadamente US$ 57 milhões nas bilheterias dos Estados Unidos. No mercado internacional, a arrecadação adicionou cerca de US$ 80 milhões, elevando o total mundial para algo em torno de US$ 137 milhões. Embora não tenha sido um fracasso financeiro, o resultado foi considerado decepcionante para um projeto associado aos nomes de George Lucas e Ron Howard. Esse desempenho acabou afastando, por muitos anos, a possibilidade de uma continuação direta no cinema.

Com o passar do tempo, Willow passou por uma reavaliação crítica significativa. Atualmente, o filme é amplamente considerado um clássico cult da fantasia, especialmente entre o público que cresceu assistindo à obra em VHS e sessões televisivas. A atuação de Warwick Davis ganhou reconhecimento histórico por representar um raro protagonismo de um personagem com nanismo em uma grande produção hollywoodiana. O tom aventureiro, os efeitos práticos e a trilha sonora passaram a ser valorizados como marcas de uma era anterior ao domínio dos efeitos digitais. Hoje, Willow é visto com carinho e nostalgia, sendo reconhecido por seu charme, imaginação e importância cultural dentro do gênero.

Willow (Willow, Estados Unidos, 1988) Direção: Ron Howard / Roteiro: Bob Dolman (história baseada em argumento de George Lucas) / Elenco: Warwick Davis, Val Kilmer, Joanne Whalley, Jean Marsh, Billy Barty, Patricia Hayes / Sinopse: Um camponês relutante é forçado a deixar sua aldeia para proteger uma criança destinada a mudar o destino de um reino, embarcando em uma jornada repleta de magia, perigos e aliados improváveis.

Erick Steve. 

quarta-feira, 28 de janeiro de 2026

Labirinto

Labirinto
O filme Labirinto (Labyrinth) foi lançado nos Estados Unidos em 27 de junho de 1986, com direção de Jim Henson, criador dos Muppets e uma das figuras mais importantes da fantasia audiovisual do século XX. O elenco é liderado por David Bowie, em uma de suas performances mais icônicas no cinema, interpretando Jareth, o Rei dos Duendes, e por Jennifer Connelly, então ainda muito jovem, no papel de Sarah. Completam o elenco principal diversos personagens criados com animatrônicos e marionetes desenvolvidos pelo Jim Henson’s Creature Shop. A história acompanha Sarah, uma adolescente sonhadora e frustrada com suas responsabilidades familiares, que acidentalmente deseja que seu irmão bebê seja levado por Jareth. Quando percebe as consequências de suas palavras, ela é lançada em um mundo fantástico repleto de criaturas estranhas, desafios e enigmas, sendo obrigada a atravessar um enorme labirinto para resgatar o menino. O ponto de partida do filme estabelece uma jornada de amadurecimento, onde fantasia e realidade se misturam, sem jamais revelar o desfecho dessa aventura.

No momento de seu lançamento, Labirinto recebeu uma reação crítica bastante mista por parte da imprensa americana. O The New York Times descreveu o filme como “visualmente inventivo, mas narrativamente irregular”, destacando o trabalho técnico enquanto questionava a força dramática da história. O Los Angeles Times elogiou a imaginação visual e o design de produção, afirmando que o filme era “um espetáculo artesanal raro em uma indústria cada vez mais dependente de efeitos mecânicos”. Já a revista Variety observou que a obra parecia indecisa quanto ao seu público-alvo, oscilando entre um tom infantil e elementos mais sombrios. Muitos críticos reconheceram o charme singular do universo criado por Jim Henson, mas apontaram dificuldades no ritmo e na construção do roteiro, especialmente para espectadores adultos.

O The Washington Post comentou que o filme possuía “momentos de puro encanto visual”, mas carecia de uma narrativa mais envolvente, enquanto a The New Yorker classificou a produção como “uma fantasia belamente construída que nem sempre encontra uma base emocional sólida”. A atuação de David Bowie dividiu opiniões: alguns críticos elogiaram seu carisma e presença magnética, enquanto outros consideraram o tom exagerado e deslocado. Ainda assim, houve consenso quanto à originalidade estética do filme, com elogios frequentes aos cenários, figurinos e criaturas. No balanço geral da época, Labirinto foi visto como uma obra criativa e ambiciosa, porém falha em alcançar plenamente seu potencial, resultando em uma recepção crítica morna e sem grande entusiasmo imediato.

Comercialmente, Labirinto teve um desempenho abaixo do esperado. Produzido com um orçamento estimado em cerca de US$ 25 milhões, o filme arrecadou aproximadamente US$ 12,9 milhões nas bilheterias dos Estados Unidos, tornando-se um fracasso comercial inicial. No mercado internacional, a arrecadação ajudou a amenizar as perdas, mas não foi suficiente para transformar o filme em um sucesso financeiro na época de seu lançamento. O resultado decepcionante impactou negativamente os planos de Jim Henson para projetos semelhantes no cinema, reforçando a percepção do estúdio de que fantasias elaboradas desse tipo enfrentavam dificuldades comerciais em meados dos anos 1980. Apesar disso, o filme encontrou uma segunda vida no mercado de vídeo doméstico e nas exibições televisivas ao longo dos anos seguintes.

Nos dias atuais, Labirinto é amplamente reconhecido como um filme cult, sendo muito mais valorizado do que em sua estreia. A obra passou a ser celebrada por sua estética artesanal, pela trilha sonora marcante e pela performance memorável de David Bowie. Críticos contemporâneos frequentemente destacam o filme como um exemplo raro de fantasia autoral dentro do cinema comercial dos anos 1980. A jornada de amadurecimento de Sarah passou a ser reinterpretada sob leituras simbólicas e psicológicas, aumentando o prestígio crítico da obra. Hoje, Labirinto é considerado um clássico cult, frequentemente citado como uma das produções mais queridas e singulares da filmografia de Jim Henson.

Labirinto (Labyrinth, Estados Unidos, Reino Unido, 1986) Direção: Jim Henson / Roteiro: Terry Jones e Jim Henson (história baseada em conceito de Jim Henson, com personagens desenvolvidos pelo Jim Henson Company) / Elenco: David Bowie, Jennifer Connelly, Toby Froud, Shelley Thompson, Brian Henson, Ron Mueck / Sinopse: Uma jovem é forçada a atravessar um mundo fantástico repleto de criaturas e enigmas após fazer um desejo impulsivo, enfrentando desafios que colocam à prova sua coragem, imaginação e senso de responsabilidade.

Erick Steve.

sábado, 24 de janeiro de 2026

Tuff Turf: O Rebelde

Tuff Turf: O Rebelde
Quem é mais jovem provavelmente só conhece o ator James Spader por causa da série "Lista Negra". Porém quem é fã veterano de cinema lembra de outra fase da carreira desse ator. Lembra dos anos 80 quando ele se especializou em fazer papéis de jovens riquinhos e malvados, principalmente nos filmes memoráveis de adolescentes dirigidos pelo genial John Hughes. Pois bem, esse filme "Tuff Turf: O Rebelde" é justamente dessa época. Claro que os melhores filmes sobre rebeldes foram feitos nos anos 1950, mas é aquela coisa, certos nichos cinematográficos resistem ao passar dos anos. Nunca morrem e estão sempre se renovando, de uma maneira ou outra.

Não é dos melhores filmes do Spader nessa fase de sua vida, temos que reconhecer bem isso. Entretanto fez um sucesso considerável no Brasil por ter sido lançado em VHS por aqui pelo selo SBT Vídeos. Isso mesmo, o Silvio Santos entrou no mercado das locadoras de vídeos nos anos 80 e promoveu demais essa fita em seu canal de TV. Talvez justamente por essa razão esse filme tenha ficado tão conhecido entre os jovens brasileiros. No geral é uma fita B que até tem seus bons momentos, mas certamente durante a década de 1980 o James Spader fez coisa muito, mas muito melhor.

Tuff Turf: O Rebelde (Tuff Turf, Estados Unidos, 1985) Direção: Fritz Kiersch / Roteiro: Jette Rinck, Greg Collins O'Neill / Elenco: James Spader, Kim Richards, Paul Mones, Matt Clark / Sinopse: O novo garoto da escola, o novato, deve lutar contra uma gangue de jovens valentões do bairro depois de roubar a garota do líder dasse grupo de delinquentes.

Pablo Aluísio.


Em Cartaz: Tuff Turf - O Rebelde
Tuff Turf – O Rebelde chegou aos cinemas em 1985, dirigido por Fritz Kiersch e estrelado por James Spader, com Kim Richards no papel feminino principal. O filme se insere diretamente na onda de dramas juvenis dos anos 1980, explorando conflitos de classe, violência urbana e romance proibido. A história acompanha um jovem rico que se muda para um bairro dominado por gangues e acaba se envolvendo em confrontos físicos e emocionais que testam sua identidade e seu lugar naquele ambiente hostil.

Do ponto de vista comercial, Tuff Turf teve uma bilheteria modesta, sem alcançar o sucesso de títulos contemporâneos mais populares do gênero, como The Karate Kid ou Footloose. Ainda assim, o filme conseguiu boa circulação nos cinemas de bairro e posteriormente ganhou visibilidade no mercado de vídeo doméstico, onde encontrou um público fiel entre adolescentes e jovens adultos. A trilha sonora, com forte presença de rock e new wave, também ajudou a manter o filme em evidência além de sua passagem inicial pelas salas.

A recepção crítica em 1985 foi predominantemente negativa, embora não totalmente hostil. O The New York Times descreveu o longa como “um drama juvenil previsível, sustentado mais pelo estilo do que pela substância”, observando que a narrativa seguia fórmulas já conhecidas do cinema adolescente da época. Já a Variety comentou que o filme era “energeticamente encenado, mas dramaticamente raso”, destacando que o roteiro não aprofundava de forma convincente os conflitos sociais que propunha abordar.

As atuações, no entanto, receberam atenção especial. James Spader foi citado por alguns críticos como um ator carismático, ainda em início de carreira, capaz de transmitir vulnerabilidade e arrogância ao mesmo tempo. Jornais regionais americanos chegaram a afirmar que Spader “tem presença de astro, mesmo quando o material não o favorece”, enquanto Kim Richards foi vista como adequada ao papel, embora limitada por um roteiro pouco desenvolvido.

Com o passar dos anos, Tuff Turf – O Rebelde passou a ser reavaliado como um típico produto de seu tempo, mais lembrado por sua estética oitentista — figurinos, trilha sonora e clima urbano — do que por seus méritos narrativos. Embora não tenha sido um sucesso crítico nem comercial em 1985, o filme conquistou status de cult menor, especialmente entre fãs de James Spader e do cinema juvenil da década. Hoje, é visto como um retrato cru e estilizado das ansiedades adolescentes daquele período, ainda que preso às convenções de sua época.

terça-feira, 20 de janeiro de 2026

Febre de juventude

Febre de juventude
Não importa se você não viveu aquela época (muito provavelmente não viveu mesmo pois lá se vão mais de 50 anos!) pois certamente vai acabar gostando desse filme muito simpático que mostra o alvoroço que foi a chegada da chamada Beatlemania nos Estados Unidos. A cultura jovem de massa, do histerismo e dos gritinhos, certamente já tinha nascido nos anos 50 com Elvis Presley mas foi mesmo nos anos 60 que houve de verdade uma verdadeira febre de juventude entre a rapaziada que adorava rock ´n´ roll. O catalisador desse movimento foi esse quarteto criado em Liverpool por garotos da classe trabalhadora da cidade. John, Paul, George e Ringo viraram ícones, ídolos e mudaram a música para sempre! O filme porém não mostra os membros da banda e suas apresentações mas sim a reação que acontecia ao redor nos jovens que iam assistir os concertos e sonhavam em um dia encontrar pela frente esses grandes talentos. Essa aliás foi uma das grandes boas ideias do filme pois o espectador é transportado para dentro daquela época, interagindo com os personagens, seus cabelos, suas roupas e seu estilo de vida. Obviamente que muitas das situações soam engraçadas por si só, como por exemplo um dos caras do grupo que compra uma ridícula peruca beatle, mas isso tudo no final das contas acaba fazendo parte da (grande) diversão que é o filme em si.

Aliás o tom é facilmente captado pelo próprio nome original do filme, "I Want Hold Your Hand", uma das músicas mais significativas da explosão do grupo nas paradas americanas, quando em sua primeira excursão pelos Estados Unidos causaram um enorme furor de música e diversão. Por falar em diversão esse foi um projeto muito pessoal do diretor Robert Zemeckis que usou muito de suas próprias lembranças de juventude para recriar o clima que viveu na Nova Iorque de 1964, quando os Beatles por lá passaram. O roteiro foi escrito a quatro mãos com Bob Gale, outro grande fã do grupo britânico. Para completar o trio o aclamado diretor Steven Spielberg resolveu produzir o filme de tão encantado que ficou o enredo. Aliás pense rápido: que outro grande sucesso do cinema esse mesmo trio iria fazer na década seguinte, marcando para sempre o cinema de diversão de Hollywood? Se pensou em "De Volta Para o Futuro" acertou!. Foram eles mesmos que voltando a trabalhar juntos em meados dos anos 80 iriam concretizar umas das trilogias mais bem sucedidas da história de Hollywood. Aqui em "Febre da Juventude" eles parecem ter tido a mesma intenção - voltar no tempo para viver em uma época mágica da história. Aproveite e conheça o filme e tenha a mesma sensação (e o melhor de tudo sem precisar de uma máquina do tempo para isso!).

Febre da Juventude (Wanna Hold Your Hand, Estados Unidos,1978) Direção: Robert Zemeckis / Roteiro: Bob Gale, Robert Zemeckis / Elenco: Nancy Allen, Bobby Di Cicco, Marc McClure / Sinopse: Grupo de jovens americanos faz de tudo para chegar perto de seus ídolos, os Beatles, em sua primeira excursão pelos Estados Unidos.

Pablo Aluísio.

Em Cartaz: Febre de juventude
A comédia Febre de Juventude estreou nos cinemas em abril de 1978, dirigida por Robert Zemeckis e produzida por Steven Spielberg, que à época já era um dos nomes mais influentes de Hollywood. Ambientado em 1964, o filme acompanha um grupo de adolescentes obcecados pelos Beatles tentando de todas as formas assistir à histórica primeira apresentação da banda na televisão americana, no The Ed Sullivan Show. Desde o lançamento, a obra foi percebida como uma celebração nostálgica da juventude e do impacto cultural da Beatlemania.

Em termos de bilheteria, o filme teve um desempenho modesto, ficando aquém das expectativas comerciais. Apesar do prestígio de Spielberg como produtor, Febre de Juventude não se transformou em sucesso de público imediato, em parte por seu elenco pouco conhecido e por seu humor mais delicado e observacional. Ainda assim, conseguiu boa circulação nos Estados Unidos e encontrou maior acolhida em exibições posteriores, especialmente na televisão.

A reação da crítica em 1978 foi amplamente positiva. O The New York Times descreveu o filme como “uma comédia leve, espirituosa e cheia de afeto pela cultura pop dos anos 1960”, destacando seu ritmo ágil e seu olhar carinhoso sobre a adolescência. A revista Time afirmou que a produção era “barulhenta, doce e surpreendentemente inteligente”, elogiando a forma como o filme capturava a histeria coletiva sem ridicularizar seus personagens.

Os críticos também chamaram atenção para o talento emergente de Robert Zemeckis, apontando que sua direção revelava “energia visual e timing cômico incomuns para um estreante”. A influência de Spielberg foi notada no tom otimista e no dinamismo da narrativa, enquanto o roteiro foi elogiado por equilibrar humor físico com comentários sutis sobre identidade juvenil, consumo cultural e idolatria.

Com o passar dos anos, Febre de Juventude passou a ser visto como um clássico cult, especialmente entre fãs dos Beatles e estudiosos do cinema nostálgico americano. Já em 1978, alguns críticos observavam que o filme possuía um charme que poderia crescer com o tempo. Hoje, ele é lembrado como uma obra simpática e significativa, tanto por antecipar a carreira de Zemeckis quanto por representar uma das produções mais pessoais e afetuosas associadas ao nome de Steven Spielberg fora da direção.

sábado, 17 de janeiro de 2026

Ace Ventura:

Título no Brasil: Ace Ventura: Um Detetive Diferente
Título Original: Ace Ventura: Pet Detective
Ano de Lançamento: 1994
País: Estados Unidos
Estúdio: Morgan Creek Entertainment
Direção: Tom Shadyac
Roteiro: Jack Bernstein, Jim Carrey
Elenco: Jim Carrey, Courteney Cox, Sean Young

Sinopse:
Para ser um detetive de animais de estimação, você precisa entender tanto os criminosos quanto os animais. Ace Ventura vai ainda mais longe... Ele se comporta como um animal criminoso. Quando o mascote de um time de futebol (um golfinho) é roubado pouco antes do Superbowl, Ace Ventura é colocado no caso. Agora, quem iria querer roubar um golfinho e por quê?

Comentários:
A primeira vez que ouvi falar em Jim Carrey foi quando esse filme foi lançado no Brasil. Antes disso sua carreira se resumia em pequenas participações em filmes que ninguém viu e enquetes de humor em programas de TV no Canadá. Aqui o comediante chamou atenção por causa de seu humor físico. Afinal ele exagerava nas caras, bocas e caretas. Estava ocupando de certa maneira o trono vazio de Jerry Lewis. E acabou se dando bem nesse aspecto até porque fora a atuação do Carrey nada mais chama a atenção nessa comédia juvenil que no geral é muito fraquinha mesmo. Depois do sucesso desse filme nas locadoras, Jim Carrey finalmente viu as portas de Hollywood se abrirem para ele. Acabaria fazendo tanto sucesso que se tornaria um dos dez maiores salários da indústria cinematográfica dos Estados Unidos. Nada mal para um comediante careteiro! 

Pablo Aluísio.

Em Cartaz: Ace Ventura
A comédia Ace Ventura: Um Detetive Diferente estreou nos cinemas em fevereiro de 1994, dirigida por Tom Shadyac e estrelada por Jim Carrey no papel que o transformaria em uma das maiores estrelas da década. O filme apresenta um detetive excêntrico especializado em casos envolvendo animais, combinando humor físico exagerado, caretas, improviso e um ritmo cartunesco pouco comum no cinema mainstream da época. Desde o lançamento, ficou claro que o longa apostava quase exclusivamente na energia cômica de seu protagonista.

Em termos de bilheteria, o filme foi um grande sucesso comercial. Produzido com orçamento relativamente modesto pela Warner Bros., Ace Ventura arrecadou várias vezes seu custo inicial, tornando-se um dos maiores sucessos do início de 1994. O boca a boca foi decisivo, especialmente entre o público jovem, que respondeu com entusiasmo ao estilo anárquico de Jim Carrey, levando o filme a manter forte presença nas salas por várias semanas.

A reação da crítica na época foi majoritariamente negativa ou cética, contrastando fortemente com o sucesso popular. O The New York Times descreveu o filme como “barulhento, excessivo e dependente demais de caretas”, observando que o humor físico poderia cansar rapidamente. A revista Time comentou que a comédia era “infantil, agressiva e deliberadamente absurda”, embora reconhecesse que Carrey possuía uma presença difícil de ignorar.

Apesar das reservas quanto ao roteiro, Jim Carrey foi amplamente destacado, mesmo por críticos desfavoráveis ao filme. Alguns jornais apontaram que sua atuação era “incontrolável, elástica e singular”, sugerindo que o ator tinha potencial para se tornar um fenômeno cômico. A crítica especializada observou que Ace Ventura funcionava menos como um filme tradicional e mais como uma vitrine para um novo tipo de comediante, fortemente influenciado pelo humor corporal e pela televisão.

Com o passar dos anos, Ace Ventura: Um Detetive Diferente passou por uma reavaliação cultural, sendo hoje visto como um marco da comédia dos anos 1990. Já em 1994, a imprensa reconhecia que, mesmo rejeitado por muitos críticos, o filme havia criado um personagem imediatamente icônico. Seu impacto foi decisivo para consolidar Jim Carrey como estrela global e para definir um estilo de humor que dominaria boa parte da comédia hollywoodiana da década.

quinta-feira, 15 de janeiro de 2026

Cliente Morto Não Paga

Cliente Morto Não Paga
A ideia central até que é bem bolada: pegar dezenas de cenas avulsas de filmes clássicos e depois tentar inserir imagens do ator e comediante Steve Martin interagindo com elas. Uma paródia ao estilo do cinema noir dos anos 40. No começo o espectador se diverte com a imaginação e a originalidade, mas conforme a trama vai avançando você começa a perceber que nada mais faz muito sentido, até cair no vazio completo. Nesse ponto o filme perde o pique e se torna logo enfadonho e cansativo.

O diretor Carl Reiner pode até ser parabenizado pelo que criou, mas a verdade é que o clima de anarquia que ele depois imprimiu ao filme deu a sensação de desleixo e bagunça. Steve Martin teve que contracenar com o nada, dentro de um estúdio, até porque essa é uma fita onde a edição é tudo - da primeira à última cena. Talvez nos dias de hoje, com o avanço da tecnologia, as coisas funcionassem melhor. Já no começo da década de 80 tudo ficou apenas restrito nas boas intenções de seus realizadores e nada mais.

Cliente Morto Não Paga (Dead Men Don't Wear Plaid, Estados Unidos, 1982) Direção: Carl Reiner / Roteiro: Carl Reiner, George Gipe / Elenco: Steve Martin, Rachel Ward, Alan Ladd, entre outros grandes nomes da era de ouro do cinema americano. / Sinopse: Um filme curioso, mesclando cenas de filmes antigos com atores da atualidade, interpretando detetives do passdo.

Pablo Aluísio.

domingo, 11 de janeiro de 2026

Os Irmãos Cara de Pau

Nós éramos felizes nos anos 80 e não sabíamos. A década, que deixou muitas saudades nos tiozinhos e tiozinhas de hoje, foi extremamente rica em termos de cultura pop, embora muito lixo tenha sido produzido em abundância também. De qualquer forma sair da ultra kitsch década de 70 e da influência abrangente dos anos 60 já era um bom começo. A trilha sonora do filme The Blues Brothers (estupidamente traduzida no Brasil como "Os irmãos Cara de pau") demonstra como era rico o cenário musical e cinematográfico daqueles anos distantes. Afinal em que outra década você encontraria uma trilha sonora tão musicalmente maravilhosa em termos de sonoridade como essa? O filme é aquele negócio: comédia ultra exagerada com o  comediante do Saturday Night Live, John Belushi, aqui acompanhado de seu amigo de trupe Dan Aykroyd. A dupla do filme inclusive foi criada para esse famoso programa de humor dos EUA (que ainda está no ar, mesmo depois de tantos anos). 

No programa eles tinham um quadro básico, até mesmo simples, onde apresentavam números musicais vestidos de blueseiros brancos com cara de mau.  Quando se decidiu levar a idéia para a tela grande um novo roteiro foi escrito e o diretor John Landis foi contratado. Novas situações foram criadas e uma estória foi bolada para os dois irmãos. O filme pode até não ter nada demais em termos de roteiro e argumento mas seu charme até hoje é inegável. Quem nunca se divertiu com as aventuras dos irmãos Elwood que atire a primeira pedra! Infelizmente um dia a festa tinha que chegar ao fim... e chegou. John Belushi, o grande mentor do The Blue Brothers, morreu de overdose de drogas em 1982, sem nem ao menos curtir todo o seu merecido sucesso como comediante. Em uma vida de excessos Belushi resolveu experimentar uma mistura de cocaína com heroína, após curtir uma semana de farras em seu apartamento. O coração não aguentou e o humorista faleceu na flor da idade, com uma imensa carreira ainda pela frente que se perdeu para sempre. Foi a primeira grande vítima do sucesso nos anos 80. Não faz mal, trabalhos como esse The Blues Brothers lhe garantiram a imortalidade.

Os Irmãos Cara de Pau (The Blues Brothers, Estados Unidos, 1980) Direção: John Landis / Roteiro: John Landis, Dan Aykroyd / Elenco: John Belushi, Dan Aykroyd, Carrie Fisher, John Candy, Ray Charles, James Brown / Sinopse: Dois imrãos, cantores de blues, decidem ajudar o orfanato onde foram criados. Para isso terão que reunir sua antiga banda, os Blues Brothers.

Pablo Aluísio.

1941 - Uma Guerra Muito Louca

Título no Brasil: 1941 - Uma Guerra Muito Louca
Título Original: 1941
Ano de Produção: 1979
País: Estados Unidos
Estúdio: Universal Pictures, Columbia Pictures
Direção: Steven Spielberg
Roteiro: Robert Zemeckis, Bob Gale
Elenco: John Belushi, Dan Aykroyd, Treat Williams, Christopher Lee, Toshirô Mifune, John Candy, Nancy Allen

Sinopse:
Durante a Segunda Guerra Mundial os habitantes da Califórnia entram em pânico quando um boato se espalha em todas as cidades. Os rumores dão conta que as cidades da costa oeste serão em breve bombardeadas por uma grande esquadrilha de aviões japoneses. Assim que a falsa notícia se espalha o caos se instala em todos os lugares por causa do iminente ataque!

Comentários:
Ontem citei o comediante John Belushi (1949 - 1982) comentando uma comédia mais recente e isso me fez recordar desse "1941 - Uma Guerra Muito Louca". Belushi como todos sabemos foi cria do programa SNL da TV americana. Lá ele criou tipos inesquecíveis e virou ídolo da juventude que morria de rir com suas performances. Isso obviamente abriu as portas do cinema americano para ele e depois do sucesso de "Clube dos Cafajestes" o comediante estrelou esse filme, considerado o mais ambicioso de sua carreira até então. Dirigido por Steven Spielberg e roteirizado por Robert Zemeckis havia grandes expectativas de que se tornaria um grande campeão de bilheteria. Infelizmente isso não aconteceu. Produção muito cara o filme não conseguiu atrair a atenção do público, mesmo parecendo estar tudo em ordem, com as peças certas. 

O que deu errado? Muito provavelmente o tema (comédia passada em plena II Guerra Mundial) não tenha despertado a atenção do público na época. Afinal o cinema vivia uma outra fase, com filmes de ficção e aventura dominando as atenções. Outro problema vem do próprio roteiro escrito por Zemeckis e seu colega Bob Gale (os mesmos que criariam a franquia "De Volta Para o Futuro" alguns anos depois). Tudo é desorganizado, com excesso de personagens e falta de foco. Não demora muito para o espectador ficar desorientado no meio daquele enredo sem muito pé, nem cabeça. Para piorar as piadas são fracas e a sensação de estar vendo uma comédia sem graça logo domina. Revisto hoje em dia o filme serve apenas como curiosidade. Para relembrar John Belushi e entender que nem mesmo Steven Spielberg, o mago do cinema, era imune ao fracasso.

Pablo Aluísio

sábado, 10 de janeiro de 2026

O Rapto do Menino Dourado

Título no Brasil: O Rapto do Menino Dourado
Título Original: The Golden Child
Ano de Produção: 1986
País: Estados Unidos
Estúdio: Paramount Pictures
Direção: Michael Ritchie
Roteiro: Dennis Feldman
Elenco: Eddie Murphy, J.L. Reate, Charles Dance

Sinopse:
Chandler Jarrell (Eddie Murphy) é um profissional especializado em encontrar crianças perdidas. Ele acaba sendo contratado para localizar um menino muito especial, um garotinho oriental que parece ter poderes incomuns. Filme indicado ao prêmio da Academy of Science Fiction, Fantasy & Horror Films na categoria Melhor Filme de Fantasia.

Comentários:
É curioso como em certas ocasiões acabamos criando vínculos emocionais com certos filmes, mesmo que eles passem longe de serem obras primas. Esse "The Golden Child" é um exemplo. Eu me lembro de quando aluguei essa fita VHS, imagine você! Incrível mas certos acontecimentos, por mais banais que sejam, acabam ficando gravados em nossa mente por anos e anos. No caso desse filme provavelmente fiquei com a memória por ter na época comprado um video cassete novo e ele foi um dos primeiros filmes que aluguei para assistir no novo aparelho. Pena que em termos de qualidade o filme não seja grande coisa. É bem produzido, tem uma bonita direção de arte recriando o mundo oriental, mas o roteiro é bem vazio e o enredo não vai para lugar nenhum. Na verdade é um capricho de Murphy que na época colecionava sucessos de bilheteria. Seu costumeiro carisma infelizmente não funciona nessa produção. No geral não chega a ser marcante a não ser que você tenha lembranças como a minha, construída ainda nos saudosos tempos do VHS. Fora isso é de mediano para fraco mesmo.

Pablo Aluísio.

Em Cartaz: O Rapto do Menino Dourado
O filme O Rapto do Menino Dourado estreou nos cinemas em dezembro de 1986, dirigido por Michael Ritchie e estrelado por Eddie Murphy, então no auge de sua popularidade. Misturando comédia, aventura e fantasia, o longa apresentava Murphy como um detetive especializado em crianças desaparecidas que se envolve numa missão mística para salvar uma criança sagrada no Himalaia. O lançamento foi cercado de grande expectativa, pois marcava a tentativa de expandir o humor urbano de Murphy para um território mais fantástico e familiar.

Do ponto de vista comercial, o filme foi um grande sucesso de bilheteria. Com um orçamento estimado em cerca de US$ 25 milhões, O Rapto do Menino Dourado arrecadou aproximadamente US$ 79 milhões nos Estados Unidos e ultrapassou a marca de US$ 100 milhões mundialmente. O resultado confirmou o enorme apelo popular de Eddie Murphy na década de 1980, mesmo em um projeto que fugia um pouco do tom mais agressivo de sucessos anteriores como Um Tira da Pesada.

A recepção crítica em 1986 foi majoritariamente morna a negativa, especialmente quando comparada ao entusiasmo do público. A revista Variety descreveu o filme como “uma fantasia cômica irregular, que depende quase inteiramente do carisma de Eddie Murphy”, apontando que o roteiro tinha dificuldade em equilibrar humor e mitologia. Já o The New York Times observou que o longa era “visual­mente ambicioso, mas narrativamente confuso”, sugerindo que o potencial da premissa não era totalmente explorado.

Outros jornais foram ainda mais diretos em suas avaliações. O Los Angeles Times escreveu que o filme “oscila entre momentos inspirados de comédia e longos trechos sem energia”, enquanto alguns críticos lamentaram a ausência do humor mais ácido característico de Murphy. Por outro lado, houve elogios pontuais aos efeitos visuais e ao exotismo da ambientação, considerados acima da média para uma comédia da época.

Com o passar dos anos, O Rapto do Menino Dourado passou por uma reavaliação moderada, sendo lembrado com carinho por parte do público que cresceu nos anos 1980. As críticas publicadas em 1986 já indicavam que o filme não seria unanimidade, mas seu sucesso comercial demonstrou que a mistura de fantasia e comédia, aliada ao carisma de Eddie Murphy, era suficiente para conquistar as plateias. Hoje, o longa permanece como um exemplo típico do cinema comercial da década, mais celebrado pelo entretenimento do que pelo reconhecimento crítico.

domingo, 4 de janeiro de 2026

Um Dia a Casa Cai

Um Dia a Casa Cai
Tom Hanks hoje em dia é um ator respeitado e consagrado em Hollywood. Com dois Oscars no currículo ele certamente é um dos profissionais mais cotados dentro da indústria de cinema americano. Um quadro bem diferente de quando era apenas um comediante escrachado que estrelava comédias como “A Última Festa de Solteiro”, “Splash – Uma Sereia em Minha Vida” e “Quero Ser Grande”. Na década de 1980 Tom Hanks não fazia dramas e nem filmes ditos sérios, pelo contrário, sua carreira era completamente direcionada para as comédias de verão, leves, divertidas, sem muita noção. Foi justamente nessa fase de pura diversão descompromissada que ele estrelou esse divertido “Um Dia a Casa Cai”, uma produção de Steven Spielberg em uma das primeiras parceiras ao lado do ator – parceria essa que daria excelentes frutos no futuro como “O Resgate do Soldado Ryan”. Mas isso ainda era tão distante para Hanks por essa época quanto a Lua. Aqui ele apenas repete seu personagem cômico preferido, a do cara normal, que tenta levar a vida da melhor forma possível mas que acaba se enrolando numa situação absurda e sem sentido.

No caso de “Um Dia a Casa Cai” Tom Hanks interpreta Walter, que ao lado da esposa, resolve comprar uma grande e bela casa por uma pechincha! A casa realmente é das mais bonitas mas por baixo da fachada se encontra um imóvel literalmente caindo aos pedaços! Quem já passou por uma reforma de casa sabe o quanto isso pode ser estressante e fonte de problemas! Sem alternativas Walter (Hanks) e Anna (Shelley Long) resolvem começar a reformar toda a casa – e isso abre margem para muitas situações cômicas, das mais diversas e divertidas que a mente dos roteiristas conseguiram criar. Eles não têm muita grana e por isso ficam dentro do imóvel enquanto a reforma segue em frente (algo pra lá de desaconselhável). Algumas das situações que surgem disso são realmente extremamente engraçadas como a queda da escada principal, onde o personagem de Hanks tem um acesso de riso e fúria que se torna desespero total! Afinal não é fácil gastar tanto dinheiro para colocar aquela casa de pé novamente! Os trabalhadores que vão até o imóvel também são divertidíssimos – os encanadores, por exemplo, andam em carrões, não dão a menor bola para Walter e se comportam como verdadeiros pernósticos! Enfim, um retrato muito bem humorado e sarcástico do modo de vida da classe média americana que passa por vários apuros para morar bem. Depois de rever comédias como essa cheguei numa conclusão: nos anos 80 Tom Hanks certamente não tinha o prestígio que tem hoje em dia mas era seguramente um ator muito mais divertido do que agora! Bons tempos aqueles.
   
Um Dia a Casa Cai (The Money Pit, Estados Unidos, 1986) Direção: Richard Benjamin / Roteiro: David Giler / Elenco: Tom Hanks, Shelley Long, Alexander Godunov, Maureen Stapleton / SInopse: Walter (Tom Hanks) e Anna (Shelley Long) resolvem comprar uma velha mansão por uma verdadeira pechincha. Mal sabiam no pepino que estavam se metendo. A casa caindo aos pedaços necessita de uma reforma urgente – o que dará origem a várias confusões, colocando em risco inclusive o relacionamento do casal.

Pablo Aluísio.


Em Cartaz: Um Dia a Casa Cai
A comédia Um Dia a Casa Cai estreou nos cinemas em março de 1986, dirigida por Richard Benjamin e estrelada por Tom Hanks e Shelley Long. O filme acompanha um jovem casal que compra uma mansão aparentemente perfeita, mas que rapidamente se revela um pesadelo estrutural, transformando a reforma da casa em uma sucessão de desastres cômicos. Lançado em um período em que Tom Hanks consolidava sua imagem como astro da comédia, o longa foi divulgado como uma sátira moderna do sonho da casa própria e dos excessos da classe média americana.

Em termos de bilheteria, o filme teve um desempenho sólido, embora não espetacular. Com um orçamento estimado em cerca de US$ 10 milhões, arrecadou aproximadamente US$ 54 milhões mundialmente, sendo mais de US$ 21 milhões apenas nos Estados Unidos. O resultado foi considerado satisfatório para uma comédia de estúdio e garantiu ao filme uma boa circulação internacional, especialmente após seu lançamento em vídeo doméstico, onde conquistou ainda mais popularidade.

A reação da crítica na época foi mista, com elogios ao humor físico e reservas quanto ao roteiro. O The New York Times escreveu que o filme era “mais uma coleção de esquetes cômicos do que uma narrativa coesa”, destacando que as situações funcionavam melhor isoladamente do que como um todo. Já a revista Variety descreveu o longa como “uma comédia barulhenta, sustentada quase inteiramente pela energia de Tom Hanks”, reconhecendo o carisma do ator como o principal motor do filme.

Outros críticos foram mais severos. Roger Ebert, do Chicago Sun-Times, comentou que “a piada central se repete tantas vezes que perde impacto”, embora tenha elogiado algumas sequências específicas, como a famosa cena da escada. Em contraste, o Los Angeles Times observou que o filme “encontra sua força no exagero e no timing cômico de seu protagonista”, sugerindo que o humor físico remetia às comédias clássicas do cinema americano.

Com o passar dos anos, Um Dia a Casa Cai passou por uma reavaliação crítica positiva, tornando-se um clássico da comédia dos anos 1980. Embora as críticas publicadas em 1986 tenham sido cautelosas, o público manteve o filme vivo na memória popular, especialmente pela atuação de Tom Hanks e por suas cenas icônicas. Hoje, o longa é frequentemente citado como um retrato bem-humorado e exagerado das frustrações da vida adulta, confirmando que seu impacto cultural acabou sendo maior do que a recepção inicial da imprensa indicava.