sábado, 8 de agosto de 2026

Homem de Ferro 3

Homem de Ferro 3
Filmes de número 3 sempre são problemáticos. Há uma certa tradição em dizer que geralmente são os piores de várias trilogias (com raras exceções). Infelizmente “Homem de Ferro 3” vem para confirmar essa regra! Poucos pensariam que um filme tão equivocado fosse feito após o sucesso de público e crítica de “Os Vingadores”. A impressão porém é que a Marvel, completamente entupida de dólares, esqueceu de caprichar no produto, entregando praticamente qualquer coisa para os fãs de quadrinhos consumirem. “Homem de Ferro 3” erra em muitos aspectos mas o pior deles é seu roteiro que preguiçosamente tenta dar alguma agilidade a várias cenas de ação mal explicadas que passam a sensação de pura embromação (o espectador ficaria assim distraído do argumento capenga da produção). Outro problema muito visível é a atuação de Robert Downey Jr como Tony Stark. Esse ator tem que sempre estar em rédeas curtas pois caso contrário seus maneirismos e atitudes bobas dominam a cena.
   
Em “Homem de Ferro 3” ele está fora de controle. Como toda celebridade que se preze o astro interferiu em muitos aspectos do roteiro inserindo uma quantidade enorme de piadas sem graça em cada momento. Em certa altura o espectador começa a questionar se está assistindo a um filme de super-herói ou uma comédia boboca cheia de “cacos” inseridos pelo ator principal. Outro problema muito sério desse filme: nenhuma adaptação de quadrinhos funciona sem um grande vilão por trás. Esse aliás sempre foi o segredo do sucesso de todos os filmes da franquia Batman. Infelizmente o Homem de Ferro sempre foi carente nesse aspecto (até nos quadrinhos) e aqui o problema se repete. O tal de Mandarim mais parece um palhaço do que um antagonista de verdade. Fazer de sua participação uma mera escada cômica é seguramente um enorme equívoco. Em suma, “Homem de Ferro 3” é uma terceira seqüência digna de Hollywood: preguiçosa, com atuações negligentes, sem novidades e esbanjando sinais de cansaço por todos os lados. Melhor encerrar a franquia por aqui.

Homem de Ferro 3 (Iron Man 3, Estados Unidos, 2013) Direção: Shane Black / Roteiro: Shane Black, Drew Pearce / Elenco: Robert Downey Jr., Gwyneth Paltrow, Guy Pearce, Ben Kingsley, Paul Bettany, Rebecca Hall / Sinopse: O milionário industrial Tony Stark (Robert Downey jr) tem que enfrentar um novo vilão ao mesmo tempo em que tenta lidar com inúmeros problemas pessoais e profissionais.

Pablo Aluísio.

Homem de Ferro 2

Homem de Ferro 2
Depois de vários dias hoje finalmente consegui assistir Homem de Ferro 2. Não tive nenhuma surpresa. O filme é praticamente igual ao primeiro com apenas algumas inovações, algumas bem desperdiçadas. O mais gritante foi a falta de aproveitamento de Mickey Rourke no filme. Veja, geralmente em filmes baseados em quadrinhos os vilões acabam roubando o show. Foi assim em Batman e por isso eu esperava que algo parecido acontecesse aqui. Me enganei. Mesmo tendo no elenco um ator de primeira fazendo o vilão nada ou muito pouco foi aproveitado. Mickey tem poucas cenas onde teria oportunidade real de mostrar seu talento. Infelizmente nem mesmo seu confronto com Robert Downey Jr na cena da cela é aproveitada. Enfim, um tremendo desperdício. Se as cenas são tão escassas e vazias não precisava chamar um ator do quilate de Mickey Rourke, qualquer ator comum daria conta do recado. Além disso não gostei de Robert Downey Jr. Esse ator anda extremamente repetitivo em suas atuações, cheio de maneirismos pessoais o que não acrescenta em nada ao filme. Talvez tenha sido os anos de abuso em drogas mas o fato é que Robert não consegue sair do tipo estressadinho, nervosinho, prestes a dar um chilique. Ele já foi bom ator no passado mas depois que saiu a fazer um blockbuster atrás do outro virou um intérprete vazio, repetitivo e o que é pior, muitas vezes ignorando completamente o personagem que está interpretando. No fundo ele só faz um papel sempre, o dele mesmo em cena. Não importa se é o Homem de Ferro ou o Sherlock Holmes, Robert Downey Jr sempre surge como Robert Downey Jr em qualquer filme que faça.

Achei que o filme também não cumpriu as expectativas no quesito Efeitos Especiais. Todas as principais cenas com o Homem de Ferro são mostradas à noite onde pouca ou quase nada se vê (geralmente só se consegue visualizar pontos de luz indo de lá pra cá). Os robôs vilões também são outra decepção. Seu visual é completamente ultrapassado e retrô, nada originais. Em relação ao restante do elenco não há muito o que dizer: Gwyneth Paltrow está patética, dando gritinhos nervosos a todo momento, se tornando aborrecida e irritante e Scarlett Johansson entra muda e sai calada (sua dublê até que luta direitinho). Enfim, o diretor Jon Favreau realizou um filme burocrático, quase uma cópia fiel do primeiro (com efeitos especiais inferiores) De maneira geral achei um filme bem clichê, sem nenhum traço de personalidade.

Homem de Ferro 2 (Iron Man 2, Estados Unidos, 2010) Direção de Jon Favreau / Roteiro: Justin Theroux baseado nos personagens criados por Stan Lee / Elenco: Robert Downey Jr, Mickey Rourke, Gwyneth Paltrow / Sinopse: Ivan Vanko (Mickey Rourke) constrói equipamento de última geração para enfrentar o Homem de Ferro (Robert Downey Jr). Seu objetivo é se vingar de uma situação ocorrida com ele no passado.

Pablo Aluísio.

sábado, 1 de agosto de 2026

Homem-Aranha: Sem Volta para Casa

Homem-Aranha: Sem Volta para Casa
Eu esperava mais. Não que esses filmes de super-heróis ainda vão surpreender alguém, mas de qualquer forma pelo custo da produção e pelo tamanho da bilheteria, pensei que seria um filme melhor. Eu me enganei. O filme tem poucas novidades. Na verdade o roteiro se agarra em certas fórmulas que já tinham sido utilizadas há anos. Não está convencido disso? Preste a atenção na cena final no alto da estátua da Liberdade! Parece até mesmo uma sequência repetida dos primeiros filmes do personagem no cinema. Provavelmente a única boa ideia nova venha do fato de termos os 3 atores que interpretaram Peter Parker contracenando juntos. Como o roteiro explora o conceito de multiversos, isso seria tecnicamente possível. Entretanto mesmo com uma boa ferramenta narrativa como essa em mãos, os roteiristas fizeram muito pouco. Os três juntos poderia dar margem a excelentes cenas, mas tudo é desperdiçado. A interatividade entre eles é pequena. Nenhum dos atores convidados (Tobey Maguire e Andrew Garfield) teve uma oportunidade mais ampla de explorar esse encontro inusitado. Nada de substancial surge dessa chegada deles no enredo do filme. Acaba sendo apenas uma curiosidade ver os atores juntos e nada muito além disso.

Outro aspecto interessante que percebi nesse filme é que todos os melhores vilões são da primeira trilogia do Homem-Aranha no cinema. Parece até que os outros filmes não tinham nada a oferecer nesse ponto a essa nova produção. O Duende Verde, o Dr. Octopus, o Homem de Areia, todos vieram dos filmes estrelados por Tobey Maguire. O próprio ator inclusive poderia ter sido melhor aproveitado, mas isso não acontece como já frisei. Os vilões também seguem nessa linha. Eles estão lá, mas o roteiro não sabe direito o que fazer com eles. Agora, de todas as coisas que me decepcionaram nesse novo filme do Aranha, nada se compara com os efeitos digitais. Achei tudo fraco demais. Preste atenção nas cena final. Parece game. Os Aranhas voam de um lado para outro, enfrentam os vilões, mas nada parece ter consistência. Eles não parecem ter massa corporal ou peso. Sua interação com o ambiente é igualmente mal produzida. Ruim demais! Dizem que para enganar o cérebro humano é algo complicado. Dificilmente vemos um personagem digital sem perceber que ele é digital. No caso desse filme a coisa ficou tão sem veracidade que acredito que até mesmo as crianças mais pequenas vão perceber que o herói é na verdade um programa de computador, feito de pixel. Então é isso. Um filme que, pelos números envolvidos, poderia ser muito melhor. Do jeito que ficou é apenas interessante, mas igualmente repetitivo de velhas fórmulas e nada muito original.

Homem-Aranha: Sem Volta para Casa (Spider-Man: No Way Home, Estados Unidos, 2021) Direção: Jon Watts / Roteiro: Chris McKenna, Erik Sommers, baseados nos personagens criados por Stan Lee e Steve Ditko / Elenco: Tom Holland, Tobey Maguire, Andrew Garfield, Benedict Cumberbatch, Jamie Foxx, Willem Dafoe, Alfred Molina, Marisa Tomei / Sinopse: O mundo descobre que Peter Parker é o Homem-Aranha. Depois disso a vida dele se torna um inferno. Procurando por uma saída ele pede ao Dr. Stranger que mude a realidade, para que o mundo esqueça essa informação, só que o feitiço criado para esse fim acaba dando errado, abrindo portas para universos paralelos, de onde chegam vilões extremamente perigosos.

Pablo Aluísio.

Homem-Aranha: Longe de Casa

Título no Brasil: Homem-Aranha - Longe de Casa
Título Original: Spider-Man - Far from Home
Ano de Produção: 2019
País: Estados Unidos
Estúdio: Columbia Pictures, Marvel Studios
Direção: Jon Watts
Roteiro: Chris McKenna, Erik Sommer
Elenco: Tom Holland, Samuel L. Jackson, Jake Gyllenhaal, Marisa Tomei, Jon Favreau, Zendaya

Sinopse:
Finalmente Peter Parker (Holland) vai tirar suas férias na Europa, ao lado de amigos da escola. Ele acredita ser o momento ideal para finalmente conquistar a garota pelo qual está apaixonado, só que a viagem, que deveria ser de diversão e relaxamento, logo se torna uma aventura com monstros e um estranho novo super-herói.

Comentários:
É o filme mais leve já feito sobre esse famoso personagem da Marvel. É quase um filme de adolescentes normais, isso se não houvesse um super-herói entre eles. O roteiro inclusive poderia muito bem ter saído de alguma revistinha em quadrinhos dos anos 60, criada por Stan Lee. É bem na levada comics. Divertido e de certa forma inofensivo, caiu no gosto do público imediatamente. Com quase 1 bilhão de dólares de bilheteria acabou se tornando o maior sucesso do Homem-Aranha nos cinemas. Só que não adianta celebrar muito pois certamente será o fim dessa (terceira) franquia do herói na tela grande. Isso tudo porque houve uma guerra de bastidores envolvendo duas empresas que detém os direitos do personagem. A Marvel tem os direitos para quadrinhos e a Sony tem os direitos para o cinema. Eles chegaram em um acordo de cavaleiros para a inclusão do personagem nos filmes dos Vingadores e depois nessa produção aqui. Só que o acordo chegou ao fim, com acusações de ambos os lados. Com isso é bem provável que o próximo filme do Homem-Aranha seja um reboot, começando do zero (de novo!). E pensar que o cabeça de teia teve seus direitos vendidos lá atrás por um preço abaixo do valor, porque a Marvel estava em crise. Hoje em dia a empresa fatura bilhões no cinema. Se arrependimento matasse...

Pablo Aluísio.

sábado, 25 de julho de 2026

Homem-Aranha: De Volta ao Lar

Homem-Aranha: De Volta ao Lar 
Homem-Aranha: De Volta ao Lar (Spider-Man: Homecoming) estreou em 7 de julho de 2017, dirigido por Jon Watts. O roteiro foi escrito por Jonathan Goldstein, John Francis Daley, Jon Watts, Christopher Ford, Chris McKenna e Erik Sommers, baseado nos personagens criados por Stan Lee e Steve Ditko. O elenco principal reúne Tom Holland, Michael Keaton, Robert Downey Jr., Marisa Tomei, Zendaya e Jacob Batalon. A história acontece logo após os eventos de Capitão América: Guerra Civil. Peter Parker retorna ao ensino médio tentando equilibrar sua vida de estudante com suas atividades como Homem-Aranha. Ansioso para provar seu valor aos Vingadores, ele enfrenta Adrian Toomes, o Abutre, um comerciante de tecnologia alienígena que constrói armas poderosas a partir de equipamentos recuperados da batalha de Nova York. Enquanto busca se tornar um verdadeiro herói, Peter aprende importantes lições sobre responsabilidade, humildade e amadurecimento.

A recepção crítica foi extremamente positiva. O The New York Times elogiou o tom leve e divertido do filme, destacando que Tom Holland ofereceu "a interpretação mais convincente do adolescente Peter Parker vista no cinema". O Los Angeles Times ressaltou a habilidade do diretor Jon Watts em equilibrar humor, ação e drama escolar. A revista Variety descreveu o filme como "um dos mais refrescantes filmes de super-heróis dos últimos anos", elogiando principalmente a atuação de Michael Keaton como o Abutre, considerado um dos melhores vilões do Universo Marvel. A crítica também aprovou a decisão de não recontar novamente a origem do herói, concentrando-se em seu crescimento pessoal. O consenso foi amplamente favorável, considerando o longa uma renovação bem-sucedida da franquia.

Embora não tenha recebido indicações ao Oscar, Homem-Aranha: De Volta ao Lar conquistou diversas indicações em premiações voltadas ao cinema popular e aos efeitos visuais. Tom Holland foi amplamente elogiado por capturar simultaneamente o entusiasmo, a insegurança e o humor característicos de Peter Parker nos quadrinhos. Michael Keaton recebeu reconhecimento por construir um vilão complexo e intimidador, cuja identidade proporciona uma das cenas mais memoráveis do filme. Muitos críticos também destacaram a química entre Holland e Robert Downey Jr., que interpreta Tony Stark como mentor do jovem herói. Com o passar dos anos, o filme consolidou-se como um dos melhores recomeços da história do personagem no cinema.

Do ponto de vista comercial, Homem-Aranha: De Volta ao Lar foi um enorme sucesso. Produzido com um orçamento estimado em US$ 175 milhões, arrecadou aproximadamente US$ 880 milhões nas bilheterias mundiais, sendo cerca de US$ 334 milhões nos Estados Unidos e US$ 546 milhões no mercado internacional. O filme foi muito bem recebido pelo público, que elogiou a interpretação de Tom Holland, o humor da narrativa e a integração do Homem-Aranha ao Universo Cinematográfico da Marvel. Seu excelente desempenho garantiu rapidamente duas continuações: Homem-Aranha: Longe de Casa (2019) e Homem-Aranha: Sem Volta para Casa (2021).

Hoje, Homem-Aranha: De Volta ao Lar é considerado um dos melhores filmes do personagem e um dos destaques da chamada Fase 3 do MCU. A atuação de Tom Holland permanece amplamente elogiada por representar com autenticidade o lado adolescente de Peter Parker, enquanto Michael Keaton é frequentemente lembrado como um dos vilões mais marcantes da Marvel. O equilíbrio entre comédia, ação, drama escolar e aventura conquistou tanto críticos quanto fãs, consolidando o filme como uma das adaptações mais fiéis ao espírito dos quadrinhos. Além disso, seu sucesso redefiniu a presença do Homem-Aranha no cinema e fortaleceu sua posição como um dos principais heróis do Universo Marvel.

Homem-Aranha: De Volta ao Lar (Spider-Man: Homecoming, Estados Unidos, 2017) Direção: Jon Watts / Roteiro: Jonathan Goldstein, John Francis Daley, Jon Watts, Christopher Ford, Chris McKenna e Erik Sommers, baseado nos personagens criados por Stan Lee e Steve Ditko / Elenco: Tom Holland, Michael Keaton, Robert Downey Jr., Marisa Tomei, Zendaya e Jacob Batalon / Sinopse: Tentando provar que merece fazer parte dos Vingadores, o jovem Peter Parker enfrenta o perigoso Abutre enquanto aprende que ser um verdadeiro herói exige muito mais do que possuir grandes poderes.

Erick Steve. 

O Espetacular Homem-Aranha 2

O Espetacular Homem-Aranha 2
O Espetacular Homem-Aranha 2: A Ameaça de Electro (The Amazing Spider-Man 2) foi lançado em 2 de maio de 2014, dirigido por Marc Webb e estrelado por Andrew Garfield, Emma Stone, Jamie Foxx, Dane DeHaan, Sally Field e Paul Giamatti. Na sequência do reboot iniciado em 2012, Peter Parker continua protegendo Nova York enquanto tenta manter sua promessa de se afastar de Gwen Stacy, feita ao falecido Capitão Stacy. Paralelamente, ele investiga o misterioso desaparecimento de seus pais. A situação se complica quando Max Dillon, um tímido funcionário da Oscorp, sofre um acidente e transforma-se no poderoso Electro. Ao mesmo tempo, Harry Osborn retorna à cidade, herda a Oscorp e, desesperado para salvar a própria vida, acaba se transformando no Duende Verde. Peter precisa enfrentar essas novas ameaças enquanto lida com perdas pessoais que mudarão sua vida para sempre.

Quando estreou, O Espetacular Homem-Aranha 2 recebeu uma recepção crítica mista. O The New York Times elogiou o carisma de Andrew Garfield e Emma Stone, afirmando que o relacionamento entre os dois era o verdadeiro coração do filme. O Los Angeles Times destacou a qualidade visual das cenas de ação e dos efeitos especiais, mas criticou o excesso de tramas paralelas e personagens. A revista Variety considerou que o longa apresentava momentos de grande espetáculo, porém sofria por tentar preparar diversos filmes futuros ao mesmo tempo, sacrificando a narrativa principal. Muitos críticos elogiaram a atuação de Jamie Foxx como Electro e a química entre Garfield e Stone, mas apontaram que o roteiro era excessivamente carregado e irregular. O consenso geral foi de que o filme possuía excelentes momentos individuais, embora não alcançasse o equilíbrio narrativo de seu antecessor.

Embora não tenha recebido indicações ao Oscar, O Espetacular Homem-Aranha 2 foi reconhecido em diversas premiações técnicas, especialmente por seus efeitos visuais e sequências de ação. A trilha sonora composta por Hans Zimmer, em parceria com o grupo The Magnificent Six, também recebeu elogios. A morte de Gwen Stacy foi amplamente considerada uma das cenas mais emocionantes já produzidas em um filme do Homem-Aranha, sendo apontada como o ponto alto da obra. Com o passar dos anos, muitos críticos e fãs passaram a reavaliar o filme de forma mais positiva, principalmente após o retorno de Andrew Garfield como Peter Parker em Spider-Man: No Way Home, valorizando aspectos emocionais que haviam sido ofuscados pelas críticas iniciais.

Do ponto de vista comercial, O Espetacular Homem-Aranha 2 foi um sucesso, embora tenha arrecadado menos do que o esperado pela Sony Pictures. Produzido com um orçamento estimado em US$ 200–255 milhões, o filme arrecadou aproximadamente US$ 709 milhões nas bilheterias mundiais, sendo cerca de US$ 203 milhões nos Estados Unidos e US$ 506 milhões no mercado internacional. Apesar do resultado expressivo, a arrecadação ficou abaixo da obtida pelo primeiro filme da série e aquém das expectativas do estúdio para uma franquia dessa dimensão. Ainda assim, o longa teve bom desempenho em home video e plataformas digitais, mantendo uma base fiel de admiradores.

Atualmente, O Espetacular Homem-Aranha 2 é visto de maneira mais favorável do que em seu lançamento. Muitos fãs passaram a elogiar a interpretação de Andrew Garfield, a forte carga emocional da história e o romance entre Peter Parker e Gwen Stacy, frequentemente considerado o melhor relacionamento romântico já retratado nos filmes do Homem-Aranha. A atuação de Emma Stone continua sendo amplamente elogiada, assim como a direção visual de Marc Webb. Embora ainda seja criticado pelo excesso de subtramas e pela tentativa de construir um universo compartilhado às pressas, o filme conquistou um status de cult entre muitos admiradores do herói e permanece como um capítulo importante da história cinematográfica do Homem-Aranha.

O Espetacular Homem-Aranha 2: A Ameaça de Electro (The Amazing Spider-Man 2, Estados Unidos, 2014) Direção: Marc Webb / Roteiro: Alex Kurtzman, Roberto Orci e Jeff Pinkner, baseado nos personagens criados por Stan Lee e Steve Ditko / Elenco: Andrew Garfield, Emma Stone, Jamie Foxx, Dane DeHaan, Sally Field e Paul Giamatti / Sinopse: Enquanto enfrenta o poderoso Electro e o surgimento do Duende Verde, Peter Parker vive os momentos mais difíceis de sua vida, tendo de escolher entre seu dever como herói e a felicidade ao lado de Gwen Stacy.

Erick Steve. 

O Espetacular Homem-Aranha

O Espetacular Homem-Aranha
O Espetacular Homem-Aranha (The Amazing Spider-Man) foi lançado em 3 de julho de 2012, dirigido por Marc Webb e estrelado por Andrew Garfield, Emma Stone, Rhys Ifans, Denis Leary, Martin Sheen e Sally Field. Reiniciando a franquia após a trilogia de Sam Raimi, o filme apresenta uma nova versão da origem de Peter Parker. Criado pelos tios Ben e May após o desaparecimento misterioso de seus pais, Peter descobre documentos ligados às pesquisas de seu pai na Oscorp. Durante sua investigação, é picado por uma aranha geneticamente modificada e desenvolve habilidades sobre-humanas. Ao mesmo tempo, o cientista Curt Connors transforma-se no monstruoso Lagarto após um experimento fracassado. Enquanto tenta impedir os planos do vilão, Peter aprende que grandes poderes exigem grandes responsabilidades, iniciando sua jornada como o Homem-Aranha.

Quando estreou, O Espetacular Homem-Aranha recebeu uma recepção crítica majoritariamente positiva, embora muitos críticos questionassem a necessidade de um reboot apenas cinco anos após Homem-Aranha 3. O The New York Times elogiou a atuação de Andrew Garfield, afirmando que ele trouxe "inteligência, humor e vulnerabilidade" ao personagem. O Los Angeles Times destacou a excelente química entre Garfield e Emma Stone, considerada um dos maiores pontos fortes da produção. A revista Variety elogiou a direção de Marc Webb por dar um tom mais humano e intimista à história, mas observou que a narrativa repetia muitos elementos já vistos na trilogia anterior. A maioria das críticas também destacou a qualidade dos efeitos visuais e das cenas de ação, especialmente as sequências em primeira pessoa durante os balanços entre os arranha-céus de Nova York. O consenso foi de que o filme representava um recomeço sólido para a franquia.

Na temporada de premiações, o filme não recebeu indicações ao Oscar, mas conquistou diversos prêmios e indicações em cerimônias voltadas ao cinema popular e aos efeitos visuais. Andrew Garfield foi amplamente elogiado por sua interpretação de um Peter Parker mais tímido, inteligente e emocionalmente complexo, enquanto Emma Stone recebeu reconhecimento por sua atuação como Gwen Stacy. Muitos especialistas também destacaram o desempenho de Rhys Ifans como o Dr. Curt Connors, embora alguns considerassem que o Lagarto poderia ter sido mais desenvolvido. Com o passar dos anos, a crítica passou a valorizar ainda mais o filme, especialmente após o sucesso de Garfield em Spider-Man: No Way Home, que renovou o interesse por essa fase da franquia.

Do ponto de vista comercial, O Espetacular Homem-Aranha foi um grande sucesso. Produzido com um orçamento estimado em US$ 230 milhões, arrecadou cerca de US$ 758 milhões nas bilheterias mundiais, sendo aproximadamente US$ 262 milhões nos Estados Unidos e US$ 496 milhões no mercado internacional. O público respondeu positivamente ao novo elenco e à abordagem mais moderna do personagem. O filme também obteve excelente desempenho no mercado de vídeo doméstico e nas plataformas digitais, garantindo a produção de uma sequência lançada em 2014.

Atualmente, O Espetacular Homem-Aranha é visto de forma bastante favorável por grande parte dos fãs. Embora inicialmente tenha sido comparado constantemente à trilogia de Sam Raimi, muitos espectadores passaram a apreciar sua abordagem mais realista, o romance entre Peter Parker e Gwen Stacy e a atuação carismática de Andrew Garfield. A interpretação do ator ganhou ainda mais reconhecimento após seu retorno em Spider-Man: No Way Home, levando muitos críticos a reavaliar positivamente toda a série The Amazing Spider-Man. Hoje, o filme é considerado um dos melhores recomeços de uma franquia de super-heróis e continua sendo bastante popular entre os fãs do personagem.

O Espetacular Homem-Aranha (The Amazing Spider-Man, Estados Unidos, 2012) Direção: Marc Webb / Roteiro: James Vanderbilt, Alvin Sargent e Steve Kloves, baseado nos personagens criados por Stan Lee e Steve Ditko / Elenco: Andrew Garfield, Emma Stone, Rhys Ifans, Denis Leary, Martin Sheen e Sally Field / Sinopse: Após ganhar poderes extraordinários por causa da picada de uma aranha geneticamente modificada, Peter Parker enfrenta o monstruoso Lagarto enquanto investiga o desaparecimento de seus pais e descobre o verdadeiro significado da responsabilidade.

Erick Steve. 

domingo, 19 de julho de 2026

Homem-Aranha 3

Homem-Aranha 3
O filme Homem-Aranha 3 (Spider-Man 3) foi lançado em 4 de maio de 2007, dirigido por Sam Raimi e estrelado por Tobey Maguire, Kirsten Dunst, James Franco, Thomas Haden Church, Topher Grace e Bryce Dallas Howard. No terceiro capítulo da trilogia, Peter Parker vive seu melhor momento como Homem-Aranha e finalmente consegue equilibrar sua vida pessoal e sua carreira como super-herói. Entretanto, tudo muda quando um misterioso organismo alienígena se funde ao seu uniforme, criando o famoso traje negro e despertando seu lado mais arrogante, violento e vingativo. Ao mesmo tempo, Peter enfrenta três grandes ameaças: o Homem-Areia, um criminoso com poderes de manipular areia; Harry Osborn, que assume o legado do Duende Verde em busca de vingança; e Eddie Brock, fotógrafo rival que acaba se transformando no temível Venom. O filme explora temas como perdão, orgulho, vingança e redenção, encerrando a trilogia iniciada em 2002.

Quando foi lançado, Homem-Aranha 3 recebeu uma recepção crítica mista. O The New York Times elogiou a direção visual de Sam Raimi e a qualidade dos efeitos especiais, mas observou que a narrativa sofria com o excesso de personagens e tramas paralelas. O Los Angeles Times destacou a ambição da produção, afirmando que o filme possuía sequências de ação espetaculares, embora seu roteiro fosse menos equilibrado do que o de Homem-Aranha 2. A revista Variety elogiou o espetáculo visual e a interpretação de Thomas Haden Church como Homem-Areia, mas também apontou que o longa tentava desenvolver muitos conflitos simultaneamente. Entre as críticas mais frequentes estavam o tratamento dado ao personagem Venom, considerado subaproveitado, e o tom irregular da história. Ainda assim, a atuação de Tobey Maguire foi bastante elogiada, assim como as impressionantes cenas de ação e os avanços tecnológicos nos efeitos visuais. A recepção geral ficou abaixo da aclamação obtida pelos dois primeiros filmes da trilogia, mas permaneceu positiva em diversos aspectos.

Embora não tenha recebido indicações ao Oscar, Homem-Aranha 3 conquistou diversas indicações em premiações técnicas e populares, especialmente nas categorias de efeitos visuais e filmes de ficção científica. A produção recebeu elogios pelo trabalho da equipe de computação gráfica na criação do Homem-Areia, considerado um dos efeitos digitais mais impressionantes da época. Muitos críticos reconheceram que Sam Raimi manteve seu estilo visual dinâmico e inventivo, principalmente nas sequências envolvendo o traje negro e as batalhas finais. Com o passar dos anos, parte da crítica revisitou o filme de maneira mais favorável, reconhecendo que muitos de seus problemas decorreram da tentativa de acomodar vários vilões em uma única história. Ainda assim, a maioria dos especialistas continua considerando Homem-Aranha 2 o ponto mais alto da trilogia. Mesmo assim, Homem-Aranha 3 permanece como um capítulo importante na evolução do cinema de super-heróis.

Do ponto de vista comercial, Homem-Aranha 3 foi um enorme sucesso mundial. Produzido com um orçamento estimado em US$ 258 milhões, o filme arrecadou aproximadamente US$ 887 milhões nas bilheterias globais, sendo cerca de US$ 338 milhões nos Estados Unidos e US$ 549 milhões no mercado internacional. Durante seu lançamento, estabeleceu diversos recordes de arrecadação, incluindo uma abertura histórica nos Estados Unidos. O público compareceu em massa aos cinemas, impulsionado pelo enorme sucesso dos dois filmes anteriores. Embora a recepção dos espectadores tenha sido mais dividida do que a das produções anteriores, as cenas de ação, os efeitos especiais e a presença de Venom garantiram enorme interesse do público. Posteriormente, o filme também obteve excelente desempenho em DVD, Blu-ray e plataformas digitais, consolidando-se como um dos maiores sucessos comerciais de 2007.

Atualmente, Homem-Aranha 3 é visto de forma mais equilibrada do que em sua estreia. Muitos fãs passaram a valorizar sua carga emocional, o arco de redenção de Harry Osborn e a impressionante caracterização do Homem-Areia, cuja origem continua sendo considerada uma das melhores sequências da trilogia. Ao mesmo tempo, permanecem as críticas ao excesso de vilões e ao pouco espaço dedicado ao Venom de Topher Grace. Ainda assim, o filme é reconhecido como o encerramento de uma das trilogias mais influentes do cinema de super-heróis, responsável por ajudar a consolidar o gênero no início do século XXI. A direção estilizada de Sam Raimi, a atuação de Tobey Maguire e a memorável trilha sonora de Christopher Young continuam sendo amplamente elogiadas. Quase duas décadas após seu lançamento, Homem-Aranha 3 permanece como uma obra ambiciosa, imperfeita, mas importante na história das adaptações da Marvel para o cinema.

Homem-Aranha 3 (Spider-Man 3, Estados Unidos, 2007) Direção: Sam Raimi / Roteiro: Sam Raimi, Ivan Raimi e Alvin Sargent, baseado nos personagens criados por Stan Lee e Steve Ditko / Elenco: Tobey Maguire, Kirsten Dunst, James Franco, Thomas Haden Church, Topher Grace e Bryce Dallas Howard / Sinopse: Enquanto luta para controlar a influência corruptora de um traje alienígena, Peter Parker enfrenta o Homem-Areia, o vingativo Harry Osborn e o perigoso Venom, aprendendo que o verdadeiro heroísmo depende da capacidade de perdoar e superar o desejo de vingança.

Erick Steve. 

Homem-Aranha 2

Homem-Aranha 2 
O filme Homem-Aranha 2 (Spider-Man 2) foi lançado em 30 de junho de 2004, dirigido por Sam Raimi e estrelado por Tobey Maguire, Kirsten Dunst, Alfred Molina, James Franco, Rosemary Harris e J. K. Simmons. Baseado no personagem criado por Stan Lee e Steve Ditko, o longa acompanha Peter Parker dois anos após os acontecimentos do primeiro filme. Dividido entre sua vida como universitário, fotógrafo e super-herói, Peter começa a perder seus poderes em razão do enorme conflito emocional provocado pela responsabilidade de ser o Homem-Aranha. Enquanto isso, o brilhante cientista Otto Octavius sofre um acidente durante uma experiência de fusão nuclear e transforma-se no perigoso Doutor Octopus, controlado por quatro tentáculos mecânicos dotados de inteligência artificial. Com a cidade ameaçada pelo novo vilão e sua vida pessoal entrando em colapso, Peter precisa decidir se continuará sacrificando sua felicidade em nome de seu dever como herói. O filme aprofunda temas como responsabilidade, culpa, amadurecimento e altruísmo, sendo considerado uma das adaptações mais fiéis do espírito dos quadrinhos.

Quando foi lançado, Homem-Aranha 2 recebeu uma recepção crítica extremamente positiva. O The New York Times destacou que Sam Raimi conseguiu produzir uma sequência "mais rica emocionalmente" que o filme original, elogiando o equilíbrio entre ação espetacular e desenvolvimento dos personagens. O Los Angeles Times afirmou que o longa elevava o padrão dos filmes de super-heróis ao combinar drama humano, humor e efeitos visuais impressionantes. A revista Variety descreveu a produção como "uma sequência rara que supera o original", ressaltando a direção segura de Raimi e a excelente atuação de Alfred Molina como Doutor Octopus. Diversos críticos também elogiaram a interpretação de Tobey Maguire, que apresentou um Peter Parker vulnerável e extremamente humano. A famosa sequência da batalha sobre o trem de Nova York foi imediatamente apontada como uma das melhores cenas de ação da história do cinema de super-heróis. O consenso foi praticamente unânime ao considerar Homem-Aranha 2 uma das melhores adaptações de histórias em quadrinhos já realizadas.

O reconhecimento refletiu-se nas premiações. Homem-Aranha 2 recebeu três indicações ao Oscar, vencendo a estatueta de Melhores Efeitos Visuais. Também foi indicado nas categorias de Melhor Mixagem de Som e Melhor Edição de Som. O filme conquistou ainda diversos prêmios da crítica e foi eleito por várias publicações como um dos melhores longas de 2004. Alfred Molina recebeu inúmeros elogios por sua interpretação de Doutor Octopus, considerado um dos maiores vilões da história dos filmes de super-heróis. Ao longo dos anos, revistas especializadas e críticos passaram a citar o filme como uma referência para o gênero, graças ao equilíbrio entre espetáculo e profundidade emocional. Ainda hoje, muitos o consideram o melhor filme do Homem-Aranha já produzido.

Do ponto de vista comercial, Homem-Aranha 2 foi um enorme sucesso mundial. Produzido com um orçamento estimado em US$ 200 milhões, arrecadou aproximadamente US$ 788 milhões nas bilheterias globais, sendo cerca de US$ 375 milhões nos Estados Unidos e US$ 413 milhões no mercado internacional. O filme estreou quebrando diversos recordes de arrecadação e consolidou a franquia como uma das mais lucrativas da época. O público respondeu de forma extremamente positiva, elogiando principalmente a história emocionante, o desenvolvimento dos personagens e as espetaculares cenas de ação. O sucesso continuou com as vendas de DVD, que bateram recordes, além das exibições na televisão e dos posteriores lançamentos em Blu-ray e plataformas digitais. A excelente recepção comercial confirmou definitivamente o Homem-Aranha como um dos maiores ícones do cinema de super-heróis.

Atualmente, Homem-Aranha 2 é amplamente considerado um dos maiores filmes de super-heróis de todos os tempos. Muitos críticos o colocam ao lado de obras como The Dark Knight e Superman entre os maiores representantes do gênero. Seu retrato do conflito entre vida pessoal e responsabilidade heroica continua sendo apontado como um dos aspectos mais marcantes da adaptação. A direção de Sam Raimi, a atuação de Tobey Maguire e o inesquecível Doutor Octopus de Alfred Molina permanecem como referências para cineastas e fãs. Em retrospectivas recentes, o filme frequentemente ocupa o primeiro lugar entre os filmes do Homem-Aranha já produzidos, sendo celebrado por seu equilíbrio entre emoção, ação e fidelidade ao personagem.

Homem-Aranha 2 (Spider-Man 2, Estados Unidos, 2004) Direção: Sam Raimi / Roteiro: Alvin Sargent, baseado em história de Alfred Gough, Miles Millar e Michael Chabon, inspirada nos personagens criados por Stan Lee e Steve Ditko / Elenco: Tobey Maguire, Kirsten Dunst, Alfred Molina, James Franco, Rosemary Harris e J. K. Simmons / Sinopse: Enquanto enfrenta uma crise pessoal que coloca em dúvida seu destino como Homem-Aranha, Peter Parker precisa impedir que o cientista Otto Octavius, transformado no poderoso Doutor Octopus, destrua Nova York com uma experiência científica fora de controle.

Erick Steve. 

sábado, 11 de julho de 2026

Rebelião em Alto Mar

Rebelião em Alto Mar
Excelente filme. Essa é a terceira versão com essa mesma história. As anteriores contaram com dois mitos do cinema, a primeira com Clark Gable e a segunda com Marlon Brando. A produção dessa terceira versão não deixa a desejar, pois conta com vários nomes de peso em seu elenco. Como é baseado em fatos reais não há maiores diferenças em termos de enredo entre os três filmes. A história se passa no século XVIII. O comandante William Bligh (Anthony Hopkins) da Marinha Real Britânica, recebe a missão de levar o navio HMS Bounty até o Pacífico Sul. Seu objetivo é recolher mudas de Fruta-Pão para levá-las para a Jamaica, onde serão plantadas e usadas como alimentação para a mão de obra escrava que é utilizada nas fazendas daquela colônia.

Antes de embarcar Bligh resolve contratar seu amigo pessoal, Fletcher Christian (Mel Gibson), para ser seu homem de confiança dentro do navio. A viagem começa e durante a navegação o Capitão Bligh informa para sua tripulação que tem a vontade de contornar o Cabo Horn, um lugar terrível, cheio de tempestades, onde vários navios afundaram e homens morreram. Essa é a primeira decisão do Capitão que vai contra a vontade de seus marinheiros. A coisa porém não cessa por aí. Bligh se mostra um tirano, sempre açoitando e torturando os membros do navio pelos menores deslizes de disciplina.

Homem duro, pouco propenso a fazer concessões, o Capitão acaba vendo a situação piorar quando o navio finalmente chega nas paradisíacas ilhas do Taiti. Com lindas praias, frutas e mulheres nativas bonitas (e nuas), sempre prontas para transar com os tripulantes, a disciplina e a moral piora ainda mais. Após ficar algumas semanas nessas ilhas, o Bounty finalmente parte em direção à Jamaica, porém os marinheiros resolvem se revoltar contra o Capitão e seu método de comando. O motim, punido por enforcamento pela lei inglesa, logo se torna incontrolável, tendo como mentor justamente o imediato Christian, a quem o Comandante parecia confiar tanto, por considerá-lo seu amigo leal. A traição é duplamente violenta e mortal.

O elenco conta com grandes nomes. O primeiro deles, central em todos os acontecimentos, é Sir Anthony Hopkins, perfeito como o Capitão que perde o controle da situação do barco ao seu comando. Mel Gibson que trava um verdadeiro duelo de interpretação com Hopkins em cena, obviamente leva uma surra nesse aspecto, pois ele era ainda muito jovem quando atuou no filme. Melhor se sai o ícone do cinema e teatro inglês Laurence Olivier. Quando o filme começa o Capitão do Bounty é levado a uma corte marcial e Laurence interpreta seu superior, um almirante, que preside o julgamento. Daniel Day-Lewis também está na tripulação do navio, com o primeiro imediato do capitão que acaba perdendo seu posto durante a viagem. Não há muito espaço para Lewis brilhar, mas ele cumpre perfeitamente bem seu papel no meio de tantas feras da arte de atuar. Por fim Liam Neeson dá vida a um marinheiro bom de briga, meio animalesco, que se torna um pesadelo para seus superiores enquanto atravessa o Atlântico. Em suma, um filme realmente muito bom, com ótima fotografia, roteiro bem escrito, coeso e um time de atores de primeira linha. Imperdível para cinéfilos em geral.

Rebelião em Alto Mar (The Bounty, Estados Unidos, Inglaterra, 1984) Direção: Roger Donaldson / Roteiro:  Robert Bolt, baseado no livro histórico escrito por Richard Hough / Elenco: Mel Gibson, Anthony Hopkins, Daniel Day-Lewis, Laurence Olivier, Liam Neeson, Edward Fox / Sinopse: No século XVIII o Capitão William Bligh (Anthony Hopkins) é surpreendido por um motim em sua embarcação, o navio da armada inglesa HMS Bounty. Os amotinados liderados por Fletcher Christian (Mel Gibson) tomam o controle do navio alegando não mais suportar a tirania de seu comandante. Filme indicado à Palma de Ouro do Cannes Film Festival. Também indicado ao British Society of Cinematographers na categoria de Melhor Fotografia (Arthur Ibbetson).

Pablo Aluísio.

O Rio do Desespero

Título no Brasil: O Rio do Desespero
Título Original: The River
Ano de Lançamento: 1984
País: Estados Unidos
Estúdio: Universal Pictures
Direção: Mark Rydell
Roteiro: Robert Dillon e Julian Barry
Elenco: Mel Gibson, Sissy Spacek, Scott Glenn, Shane Bailey, Becky Jo Lynch, James Tolkan, Billy Green Bush e Don Hood.

Sinopse:
Tom Garvey e sua esposa Mae vivem com os dois filhos em uma pequena fazenda às margens de um rio no estado do Tennessee. A família luta diariamente para manter viva uma propriedade que pertence aos Garvey há várias gerações, mas enfrenta uma sucessão de dificuldades provocadas pelas enchentes, pela queda dos preços agrícolas e pelas constantes cobranças do banco credor. Quando uma inundação destrói praticamente toda a plantação, Tom vê seu sonho de continuar vivendo da agricultura ameaçado pela possibilidade de perder suas terras. Ao mesmo tempo, um poderoso empresário local tenta convencer diversos agricultores a venderem suas propriedades para um grande empreendimento industrial. Dividido entre preservar suas raízes e garantir o sustento da família, Tom enfrenta decisões cada vez mais difíceis, enquanto a união familiar é colocada à prova diante das adversidades econômicas e naturais. Inspirado em problemas reais vividos pelos agricultores americanos durante os anos 1980, o filme retrata com realismo o declínio da agricultura familiar nos Estados Unidos.

Comentários:
Lançado no final de 1984, O Rio do Desespero integrou um grupo de produções de Hollywood que abordavam a grave crise enfrentada pelos agricultores americanos naquela década. O diretor Mark Rydell buscou imprimir um forte senso de realismo à narrativa, inspirando-se em relatos de fazendeiros que perderam suas propriedades em consequência das enchentes e do endividamento crescente. A crítica americana recebeu o filme de forma dividida. O The New York Times, em crítica assinada por Vincent Canby, elogiou a intenção de retratar a difícil realidade do campo americano e destacou a atuação de Sissy Spacek, indicada ao Oscar de Melhor Atriz, mas observou que o roteiro nem sempre conseguia transformar seu importante conteúdo social em um drama verdadeiramente envolvente. Roger Ebert também ressaltou a sinceridade da produção e a força emocional de diversas cenas familiares, embora tenha considerado que alguns conflitos dramáticos eram excessivamente convencionais. Um dos aspectos mais elogiados foi a magnífica fotografia de Vilmos Zsigmond, que transformou as paisagens rurais em um elemento essencial da narrativa, além da emocionante trilha sonora composta por John Williams. O filme recebeu quatro indicações ao Oscar, incluindo Melhor Atriz, Melhor Fotografia, Melhor Trilha Sonora Original e Melhor Som, conquistando ainda um Oscar Especial pela edição de efeitos sonoros.

Embora tenha fracassado nas bilheterias norte-americanas, arrecadando cerca de US$ 11,5 milhões contra um orçamento estimado em US$ 18 milhões, O Rio do Desespero conquistou uma reputação muito mais sólida ao longo dos anos. Muitos críticos passaram a considerá-lo uma obra subestimada da década de 1980, especialmente por sua abordagem humanista e pelo retrato sensível da crise agrícola americana. A atuação de Sissy Spacek continua sendo amplamente considerada o ponto alto do filme, enquanto Mel Gibson, em seu primeiro papel protagonista em uma produção hollywoodiana, recebeu avaliações mais variadas, embora muitos reconheçam que sua interpretação contribui para transmitir a honestidade e a determinação do personagem. Em retrospectivas publicadas por revistas especializadas, o longa é frequentemente lembrado como um dos melhores dramas rurais produzidos nos Estados Unidos durante os anos 1980, ao lado de obras como Places in the Heart e Country. Atualmente, O Rio do Desespero é valorizado por sua fotografia deslumbrante, pela trilha musical de John Williams e pela relevância de seus temas, que permanecem atuais ao tratar das dificuldades enfrentadas pelas pequenas propriedades familiares diante das transformações econômicas e sociais.

Erick Steve. 

sábado, 4 de julho de 2026

A Cor da Noite

A Cor da Noite
Um dos grandes fracassos comerciais da carreira de Bruce Willis. Um roteiro confuso, que procura ser sensual sem conseguir, resultando tudo em muita estética cinematográfica, mas pouca qualidade de fato. Ao assistir o filme você ficará com a sensação de estar vendo a uma longa peça publicitária da década de 90, com tudo de ruim que isso possa significar. A fotografia surge saturada e no meio da tentativa de tudo soar chic a coisa desanda, virando uma breguice realmente insuportável. Na época a ruindade do filme foi comentada, mas o que mais chamou a atenção da crítica e do público foram as cenas gratuitas de nudez de Bruce Willis!

Como se não bastasse ser bem ruim a fita, o espectador ainda tinha que aguentar os ataques de ego do peladão Willis! Acredito que ele hoje em dia tenha muita vergonha dessas sequências. E a estória? Do que se trata? Willis interpreta um psiquiatra que fica abalado com o suicídio de uma de suas pacientes. Depois tenta recuperar o equilíbrio com um colega de profissão, porém descobre alarmado que ele foi morto, provavelmente por uma de suas clientes. Enfim, bobagem pura, sendo que esse filme você pode dispensar sem maiores problemas. Mesmo assim conseguiu ser indicado ao Globo de Ouro na categoria de Melhor Canção Original ("The Color of the Night"). Porém depois foi "vencedor" do Framboesa de Ouro na categoria de Pior Filme do Ano! Realmente não houve salvação...

A Cor da Noite (Color of Night, Estados Unidos, 1994) Direção: Richard Rush / Roteiro: Billy Ray, Matthew Chapman / Elenco: Bruce Willis, Jane March, Rubén Blades / Sinopse: A história de um homem mais velho que se envolve sexualmente com uma garota mais jovem.

Pablo Aluísio.

Olha Quem Está Falando

Título no Brasil: Olha Quem Está Falando
Título Original: Look Who's Talking
Ano de Produção: 1989
País: Estados Unidos
Estúdio:  TriStar Pictures,
Direção: Amy Heckerling
Roteiro: Amy Heckerling
Elenco: John Travolta, Kirstie Alley, Bruce Willis, Olympia Dukakis, George Segal, Jason Schaller

Sinopse:
Um casal jovem acaba recebendo a visita da cegonha de surpresa! Assim nasce o bebezinho Mikey (na voz de Bruce Willis) que passa a compartilhar com o espectador os seus pensamentos e visões do novo mundo que se abre ao seu redor.

Comentários:
Foi um dos filmes mais lucrativos dos anos 80. Custou a bagatela de 7 milhões de dólares e nas bilheterias faturou mais de 460 milhões de dólares! Números que realmente surpreendem. E qual era o segredo do sucesso? Simples, colocar os pensamentos de um bebezinho na voz irônica e mordaz de Bruce Willis. Claro, nada de muita acidez, a tônica aqui era meio bobinha mesmo, um típico produto "family friendly", feito para toda a família. Para John Travolta foi um alívio, pois o ator vinha colecionando fracassos por duas décadas e então surgiu esse sucesso estrondoso na carreira. Ele deve ter levantado as mãos aos céus agradecendo a Deus. Caso ficasse mais alguns anos na baixa sua carreira seguramente chegaria ao fim. E Bruce Willis, bem, ele não precisou fazer muitos esforços. Seu trabalho de dublagem foi muito bem feito, porém como ele mesmo disse depois não levou mais de três dias para ficar pronto. Alvo certo, dinheiro no bolso de todo mundo, a má notícia só veio pelo fato de que uma continuação bem ruinzinha iria ser realizada. Essa porém é uma outra história que depois contaremos por aqui. E sobre esse primeiro filme, bom, a coisa pode ser resumida em apenas poucas palavras: bobinho, mas simpático.

Pablo Aluísio.

O Anjo da Guarda

O Anjo da Guarda
North (Elijah Wood) é um garoto insatisfeito e frustrado com sua família que resolve partir em busca de uma nova, vivendo inúmeras aventuras enquanto não acha os pais que ele venha a considerar ideais. Esse filme, que não fez sucesso quando foi lançado, resolveu apostar em um tom de fábula. Elijah Wood era apenas um garotinho, mas mostrou muito talento em segurar o filme praticamente sozinho, com eventuais participações de atores famosos, como por exemplo, o astro Bruce Willis, que surge como narrador do enredo.

Esse clima de fantasia que o diretor Rob Reiner quis a todo custo manter não conseguiu agradar a todo mundo, alguns inclusive detestaram, a ponto até do filme ser indicado a várias categorias no Framboesa de Ouro (pior filme, direção, ator, roteiro, etc). Não era para tanto, acredito que o Framboesa tenha vindo em retaliação a Bruce Willis, que vinha em uma época turbulenta com a imprensa, com muitas trocas de acusações e ofensas. De qualquer maneira, se você não conhece a fita e queira arriscar um programa bem diferente deixo aqui a dica. Não posso afirmar que você vai gostar do resultado, mas posso garantir que será algo bem diferente.

O Anjo da Guarda (North, Estados Unidos, 1994) Direção: Rob Reiner / Roteiro: Alan Zweibel / Elenco: Elijah Wood, Bruce Willis, Jason Alexander / Sinopse: Um filme com toques infantis, estrelado pelo astro de ação dos anos 80 Bruce Willis.

Pablo Aluísio.

sábado, 27 de junho de 2026

Inferno Vermelho

Inferno Vermelho
Durante décadas os russos foram os vilões preferidos dos filmes americanos. Não é de se admirar uma vez que o mundo vivia a Guerra Fria onde o mundo era basicamente dividido entre o bloco ocidental capitalista liderado pelos Estados Unidos e o bloco oriental comunista liderado pela União Soviética (formada pela Rússia e vários pequenos países satélites). Esse quadro começou a mudar com a subida ao poder de Mikhail Gorbachev que promoveu uma série de mudanças em seu país, levando finalmente ao desmantelamento daquele regime em 1989 com a queda do Muro de Berlim. Esse clima de novos ares acabou sendo captado por filmes como esse “Inferno Vermelho” que já não via os russos como vilões sem alma, muito pelo contrário, o roteiro do filme colocava o astro austríaco como um policial soviético chamado Ivan Danko (Arnold Schwarzenegger) que trabalhava em cooperação com o tira americano (interpretado pelo ator e comediante James Belushi) com o objetivo de prender um perigoso assassino e traficante russo.

O personagem interpretado por Arnold Schwarzenegger surgia como um policial soviético austero, disciplinado mas longe da caracterização de vilão, papel que era sempre reservado para personagens vindos de Moscou nos filmes americanos da época. Como não poderia deixar de ser o policial interpretado por James Belushi era um clichê ambulante baseado naquela visão um tanto quanto boba que os americanos tem de si mesmos. Um sujeito boa praça, chegado numa piada, sempre mascando chicletes, ou seja, o extremo oposto do russo feito por Arnold Schwarzenegger. De qualquer modo, mesmo com todos os clichês possíveis e imagináveis, “Inferno Vermelho” se revelou um bom filme de ação e o mais importante de tudo, com roteiro bem antenado com o que acontecia no mundo naquele momento. O diretor Walter Hill já havia trabalhado em bons filmes como “Ruas de Fogo”, “48 Horas” e “A Encruzilhada” e manteve o bom nível técnico aqui. Enfim, “Inferno Vermelho” é certamente uma fita de ação dos anos 80 que não irá decepcionar os fãs do estilo. Se ainda não assistiu não deixe de conferir.

Inferno Vermelho (Red Heat, Estados Unidos, 1988) Direção: Walter Hill / Roteiro: Walter Hill, Harry Kleiner / Elenco: Arnold Schwarzenegger, James Belushi, Peter Boyle / Sinopse: Dois policiais, um soviético (Arnold Schwarzenegger) e um americano (James Belushi), unem forças para colocar na prisão um perigoso assassino e traficante russo que se encontra solto pelas ruas de Chicago.

Pablo Aluísio.

Irmãos Gêmeos

Irmãos Gêmeos 
É uma comédia de uma piada só. Basta ver o cartaz do filme para entender bem isso. Como o brucutu musculoso  Arnold Schwarzenegger poderia ser o irmão gêmeo do baixinho e gordinho Danny DeVito? E é só isso mesmo. Decepcionado? Agora imagine a cara dos fãs dos filmes de ação de Schwarzenegger nos anos 80 tendo que lidar com uma fitinha boba como essa nas locadoras de VHS! Pois é. De uma hora para outra o austríaco colocou na cabeça que poderia se tornar um bom comediante. Era como dar um cavalo de pau completo nos rumos da carreira. O diretor Ivan Reitman, recentemente falecido, sempre foi muito talentoso para esse tipo de fita, mas em minha opinião ele pisou na jaca, errou feio aqui.

Nunca consegui gostar desse filme. Nunca achei divertido ou engraçado. Sempre me soou muito forçado e artificial. E o  Arnold Schwarzenegger ainda não tinha entendido que ele basicamente só funcionava bem em filmes de pura ação. Ele sempre foi muito limitado e fazer comédia nunca foi para qualquer um. É bom sempre lembrar que todo bom comediante é também um grande ator. Não existem muitas exceções nessa afirmação. Eu só vi esse filme uma única vez, ainda nos anos 80, numa fita VHS. Ver uma vez bastou. Tudo muito chato, sem graça, sem charme. A única coisa positiva foi ver a linda Kelly Preston ainda bem jovem e esbanjando beleza. Isso foi muito antes dela casar com o John Travolta. Pois é, meus caros, o mundo nunca foi perfeito mesmo.

Irmãos Gêmeos (Twins, Estados Unidos, 1988) Direção: Ivan Reitman / Roteiro: William Davies, William Osborne / Elenco: Arnold Schwarzenegger, Danny DeVito, Kelly Preston, David Caruso / Sinopse: O grandalhão halterofilista Julius Benedict (Arnold Schwarzenegger) descobre que tem um irmão gêmeo... ou quase isso. Enquanto um é forte e atlético, o outro é baixinho e está muitos quilos acima do peso. Pior do que isso, Vincent (DeVito) é do tipo encrenqueiro, sempre se envolvendo em confusões de todos os tipos.

Pablo Aluísio.

sábado, 20 de junho de 2026

O Sobrevivente

O Sobrevivente
O Sobrevivente7Cada ator famoso do gênero ação na década de 80 procurou trilhar um caminho próprio que acabasse caracterizando sua filmografia. Os filmes de Stallone, por exemplo, sempre flertaram com situações mais dramáticas como Rocky e até mesmo em Rambo - Programado para Matar. Já Chuck Norris era o rei das produções mais simples, de orçamentos modestos e cenas impossíveis. Entre eles Arnold Schwarzenegger foi o que mais flertou com a Ficção Cientifica. Como se não bastasse ter estrelado o clássico do gênero "O Exterminador do Futuro", ele alcançaria grande sucesso ainda com "Predador" e "O Vingador do Futuro", dois clássicos Sci-Fi daqueles anos. Assim não foi surpresa para ninguém quando surgiu com esse estranho "O Sobrevivente" (que no Brasil foi lançado também com seu título original, The Running Man). O roteiro era baseado na obra de Stephen King que curiosamente usou de um de seus pseudônimos quando o texto foi lançado,

Quando assisti recentemente "Jogos Vorazes" me lembrei imediatamente desse "The Running Man". O argumento é praticamente o mesmo. Em um futuro distante  Ben Richards (Arnold Schwarzenegger) se vê em um terrível jogo mortal onde terá que sobreviver a inúmeros combates e lutas.O diferencial é que tudo é consumido pelo povo em geral como simples diversão, numa verdadeira releitura das antigas arenas romanas de gladiadores. Assim tudo não passaria de um grande Game Show, na mais pura tradição do pão e circo para as massas empobrecidas e alienadas. Agora que você leu a sinopse de "O Sobrevivente" me diga com sinceridade: Existe alguma diferença com "Jogos Vorazes"? Eu sinceramente acho que não. O filme é bem realizado, tem boa produção e direção segura de Paul Michael Glaser, que curiosamente vinha do mesmo mundo da TV que criticava no filme. Tendo dirigido os sucessos "Miami Vice" e "Starsky e Hutch" ele certamente sabia lidar com o tema. Embora tenha sido lançado no auge da carreira do ator Arnold Schwarzenegger o filme, para surpresa de todos, não conseguiu fazer o sucesso esperado. Talvez o tema tenha soado muito complexo para aquele universo de filmes de ação da década de 80 ou então o público não comprou a ideia. De qualquer modo a produção funciona tanto como filme de ação como de Sci-Fi e merece ser redescoberto pelos fãs de ambos os gêneros. No fundo é uma crítica corrosiva sobre a futilidade reinante em nossos canais de TV, tal como o sucesso "Jogos Vorazes".


O Sobrevivente (The Running Man, Estados Unidos, 1987) Direção: Paul Michael Glaser / Roteiro: Steven E. de Souza baseado na obra de Stephen King / Elenco: Arnold Schwarzenegger, Maria Conchita Alonso, Yaphet Kotto, Jim Brown, Jesse Ventura / Sinopse: Em um futuro distante Ben Richards (Arnold Schwarzenegger) se vê em um terrível jogo mortal onde terá que sobreviver a inúmeros combates e lutas. Tudo não passando de um Game Show realizado para entreter as massas ociosas e desocupadas.

Pablo Aluísio.

sábado, 13 de junho de 2026

Rocky IV

Rocky IV
Rocky IV é um produto da guerra fria. Naquela época Estados Unidos e União Soviética lutavam entre si pela hegemonia mundial. O próprio presidente americano Ronald Reagan havia afirmado que a URSS era o império do mal. Por trás da antipatia mútua dos países havia a grande luta ideológica entre capitalismo e comunismo. Para os jovens isso tudo agora faz parte dos livros de história mas na década de 80 isso era pauta do dia a dia e fazia parte das conversas diárias. Para capitalizar em cima desse clima o ator Sylvester Stallone resolveu colocar seu personagem, o lutador Rocky Balboa, em favor da ideologia americana. Afinal seria uma grande idéia colocar dois boxeadores dessas nações lutando entre si em um ringue de boxe, tudo de forma bem visceral, sem máscaras. Há duas formas de entender Rocky IV - como cinema ou como propaganda ideológica. Como cinema o filme é um dos mais simples dessa franquia. Simples, mas muito eficiente. Enquanto os demais procuravam explorar o lado mais humano do lutador, esse aqui se apoiava muito mais no aspecto da luta em si, do que ela representaria para os Estados Unidos, afinal era a luta de um americano contra o soviético Drago (Dolph Lundgren) que sequer parecia humano. Frio, sem reação, mais se assemelhava a uma máquina do que a um homem. Ao seu lado uma charmosa russa interpretada pela mulher de Stallone na época, a bonita Brigitte Nielsen.

Já sob a ótica da ideologia política Rocky IV realmente não tem nenhum mistério. É uma apologia aos ideais da América, sem sombra de dúvidas. Stallone surge enrolado na bandeira americana, seu uniforme esportivo segue o padrão listas e estrelas da mesma bandeira, enfim tudo remete ao American Way Of Life. Em certos aspectos a produção é ainda mais ufanista do que Rambo III, que também seguia essa mesma linha mais patriótica. O problema é que o bloco soviético ruiu em 1989 e o suporte ideológico que sustentava esse tipo de filme deixou de existir. Assim os filmes ficaram sem esse conflito de ideologias, se tornando politicamente obsoletos, tanto que Stallone deixaria esse tipo de roteiro para trás definitivamente - Rocky V voltaria para o lado mais dramático dos primeiros filmes, por exemplo. De qualquer modo como o roteiro é muito enxuto e eficiente Rocky IV até hoje consegue funcionar muito bem. Stallone soube revitalizar antigos mitos como a luta de Davi contra Golias. Colocando seu personagem como um lutador desacreditado que luta sozinho, treinando com dificuldades ele criou uma simpatia imediata com o público. O lutador soviético Drago é um produto do Estado soviético, anabolizado, altamente preparado, sem um pingo de emoção; No fim das contas a luta acaba sendo não apenas entre USA x URSS mas também entre a paixão e o coração americano contra a frieza e a tecnologia dos russos. De certa forma quem acaba ganhando ao final é o público pois Rocky IV é divertido e empolgante, mesmo nos dias de hoje.

Rocky IV (Rocky IV, Estados Unidos, 1985) Direção: Sylvester Stallone / Roteiro: Sylvester Stallone / Elenco: Sylvester Stallone, Talia Shire, Burt Young, Brigitte Nielsen, Dolph Lundgren, Carl Weathers / Sinopse: No quarto filme do personagem Rocky Balboa para o cinema, o lutador americano terá que enfrentar o boxeador soviético Drago (Dolph Lundgren), um atleta sem emoções e programado para vencer a todo custo.

Pablo Aluísio.

sábado, 6 de junho de 2026

Rambo II - A Missão

Rambo II - A Missão
Após os acontecimentos do primeiro filme John Rambo (Sylvester Stallone) é enviado em uma missão secreta pelo governo norte-americano para o sudeste asiático. Seu objetivo é se infiltrar na selva para confirmar ou não a existência de campos de prisioneiros americanos da guerra do Vietnã. Tudo que deveria fazer era fotografar os campos caso existentes e retornar para os EUA. Porém Rambo tem outros planos para seus antigos companheiros de guerra, agora prisioneiros em condições deploráveis. "Rambo II - A Missão" é até hoje considerado um dos melhores filmes da franquia. Não há a carga dramática do primeiro filme, aqui o foco é realmente na ação pura e simples. Rambo surge finalmente com as características que iriam lhe definir nos filmes seguintes, ou seja, um super soldado, treinado nas melhores técnicas e que de posse de material de alta tecnologia era capaz de enfrentar sozinho todo um exército. Quando lançado o filme fez tanto sucesso de bilheteria que no Brasil ocorreu um fenômeno raro, a produtora a pedido dos exibidores, promoveu um relançamento do primeiro filme nos cinemas, um fato único ocorrido naquela época. 

Além do relançamento do filme original o sucesso de Rambo II consolidou o personagem como herói multimídia no mercado. Rambo virou coleção de brinquedos, desenho animado e marca para licenciamento de produtos como lancheiras, cadernos e tudo o mais que se possa imaginar. Nascido como personagem de literatura Rambo virou ícone da cultura pop moderna. Muito disso se deve a visão dos produtores Mario Kassar e Andrew G Vajna que sabiam que poderiam transformar Rambo em um produto de sucesso no mercado. Outro aspecto curioso de Rambo II é que ele virou tema de uma boba patrulha ideológica em seu lançamento. O personagem Rambo logo foi associado ao setor mais reacionário da política externa americana, sendo ligado ideologicamente ao estilo linha dura do presidente americano Ronald Reagan (que chegou a declarar publicamente que Rambo era um de seus personagens preferidos). Pura bobagem. "Rambo II - A Missão" é apenas um competente filme de ação dirigido com maestria pelo especialista George P. Cosmatos (falecido em 2005). Qualquer leitura política ou social de Rambo é mera bobagem. O que vale em si é a aventura e o entretenimento aqui, coisa que o filme cumpre muito bem, diga-se de passagem.

Rambo II - A Missão (Rambo: First Blood Part II, Estados Unidos, 1985) Direção: George P. Cosmatos / Roteiro: Sylvester Stallone, Kevin Jane e James Cameron baseados no personagem criado por David Morrell / Elenco: Sylvester Stallone, Richard Grenna, Charles Napier, Steven Berkof / Sinopse: Após os acontecimentos do primeiro filme John Rambo (Sylvester Stallone) é enviado em uma missão secreta pelo governo norte-americano para o sudeste asiático. Seu objetivo é se infiltrar na selva para confirmar ou não a existência de campos de prisioneiros americanos da guerra do Vietnã. Tudo que deveria fazer era fotografar os campos caso existentes e retornar para os EUA. Porém Rambo tem outros planos para seus antigos companheiros de guerra, agora prisioneiros em condições deploráveis.  

Pablo Aluísio.

sábado, 30 de maio de 2026

A Morte Pede Carona

A Morte Pede Carona
Outro filme de Rutger Hauer que merece menção é esse thriller de suspense e ação chamado "A Morte Pede Carona". E aqui o roteiro mostra como uma história simples pode resultar em um bom filme. A história começa quando o jovem Jim Halsey (C. Thomas Howell) viaja por uma estrada secundária. É noite de chuva intensa e ele avista um homem andando a pé, pedindo carona. Seu sentimento de solidariedade fala mais alto e ele decide ajudar aquele andarilho. Péssima ideia, o sujeito logo se revela um psicopata perigoso, que não pensa duas vezes antes de atacar a pessoa que afinal lhe ajudou, dando carona.

Esse roteiro era tão bom que chegou a interessar até mesmo ao diretor Steven Spielberg que só não dirigiu o filme por não ter espaço livre em sua agenda. Melhor assim, pois tudo acabou resultando em um excelente filme sob direção de Robert Harmon. Ele soube muito bem explorar as nuances do suspense, colocando em evidência o modo suave e gentil do assassino, em momentos em que ele estaria prestes a revelar sua verdadeira natureza. E os dois atores em cena, Rutger Hauer e C. Thomas Howell (de "ET" e "Admiradora Secreta") contribuiu bastante para o ótimo resultado final. Houve um remake recente desse filme, mas esqueça essa nova versão. Não vela a pena. Fique mesmo com o original dos anos 80. Esse sim é um ótimo road movie.

A Morte Pede Carona (The Hitcher, Estados Unidos, 1986) Direção: Robert Harmon / Roteiro: Eric Red / Elenco: Rutger Hauer, C. Thomas Howell, Jennifer Jason / Sinopse: Jovem viajante dá carona a um estranho numa noite de chuva e acaba se arrependendo amargamente de sua decisão. Ele esqueceu do velho conselho de não dar caronas a estranhos.

Pablo Aluísio.