sábado, 11 de julho de 2026

O Rio do Desespero

Título no Brasil: O Rio do Desespero
Título Original: The River
Ano de Lançamento: 1984
País: Estados Unidos
Estúdio: Universal Pictures
Direção: Mark Rydell
Roteiro: Robert Dillon e Julian Barry
Elenco: Mel Gibson, Sissy Spacek, Scott Glenn, Shane Bailey, Becky Jo Lynch, James Tolkan, Billy Green Bush e Don Hood.

Sinopse:
Tom Garvey e sua esposa Mae vivem com os dois filhos em uma pequena fazenda às margens de um rio no estado do Tennessee. A família luta diariamente para manter viva uma propriedade que pertence aos Garvey há várias gerações, mas enfrenta uma sucessão de dificuldades provocadas pelas enchentes, pela queda dos preços agrícolas e pelas constantes cobranças do banco credor. Quando uma inundação destrói praticamente toda a plantação, Tom vê seu sonho de continuar vivendo da agricultura ameaçado pela possibilidade de perder suas terras. Ao mesmo tempo, um poderoso empresário local tenta convencer diversos agricultores a venderem suas propriedades para um grande empreendimento industrial. Dividido entre preservar suas raízes e garantir o sustento da família, Tom enfrenta decisões cada vez mais difíceis, enquanto a união familiar é colocada à prova diante das adversidades econômicas e naturais. Inspirado em problemas reais vividos pelos agricultores americanos durante os anos 1980, o filme retrata com realismo o declínio da agricultura familiar nos Estados Unidos.

Comentários:
Lançado no final de 1984, O Rio do Desespero integrou um grupo de produções de Hollywood que abordavam a grave crise enfrentada pelos agricultores americanos naquela década. O diretor Mark Rydell buscou imprimir um forte senso de realismo à narrativa, inspirando-se em relatos de fazendeiros que perderam suas propriedades em consequência das enchentes e do endividamento crescente. A crítica americana recebeu o filme de forma dividida. O The New York Times, em crítica assinada por Vincent Canby, elogiou a intenção de retratar a difícil realidade do campo americano e destacou a atuação de Sissy Spacek, indicada ao Oscar de Melhor Atriz, mas observou que o roteiro nem sempre conseguia transformar seu importante conteúdo social em um drama verdadeiramente envolvente. Roger Ebert também ressaltou a sinceridade da produção e a força emocional de diversas cenas familiares, embora tenha considerado que alguns conflitos dramáticos eram excessivamente convencionais. Um dos aspectos mais elogiados foi a magnífica fotografia de Vilmos Zsigmond, que transformou as paisagens rurais em um elemento essencial da narrativa, além da emocionante trilha sonora composta por John Williams. O filme recebeu quatro indicações ao Oscar, incluindo Melhor Atriz, Melhor Fotografia, Melhor Trilha Sonora Original e Melhor Som, conquistando ainda um Oscar Especial pela edição de efeitos sonoros.

Embora tenha fracassado nas bilheterias norte-americanas, arrecadando cerca de US$ 11,5 milhões contra um orçamento estimado em US$ 18 milhões, O Rio do Desespero conquistou uma reputação muito mais sólida ao longo dos anos. Muitos críticos passaram a considerá-lo uma obra subestimada da década de 1980, especialmente por sua abordagem humanista e pelo retrato sensível da crise agrícola americana. A atuação de Sissy Spacek continua sendo amplamente considerada o ponto alto do filme, enquanto Mel Gibson, em seu primeiro papel protagonista em uma produção hollywoodiana, recebeu avaliações mais variadas, embora muitos reconheçam que sua interpretação contribui para transmitir a honestidade e a determinação do personagem. Em retrospectivas publicadas por revistas especializadas, o longa é frequentemente lembrado como um dos melhores dramas rurais produzidos nos Estados Unidos durante os anos 1980, ao lado de obras como Places in the Heart e Country. Atualmente, O Rio do Desespero é valorizado por sua fotografia deslumbrante, pela trilha musical de John Williams e pela relevância de seus temas, que permanecem atuais ao tratar das dificuldades enfrentadas pelas pequenas propriedades familiares diante das transformações econômicas e sociais.

Erick Steve. 

sábado, 4 de julho de 2026

A Cor da Noite

A Cor da Noite
Um dos grandes fracassos comerciais da carreira de Bruce Willis. Um roteiro confuso, que procura ser sensual sem conseguir, resultando tudo em muita estética cinematográfica, mas pouca qualidade de fato. Ao assistir o filme você ficará com a sensação de estar vendo a uma longa peça publicitária da década de 90, com tudo de ruim que isso possa significar. A fotografia surge saturada e no meio da tentativa de tudo soar chic a coisa desanda, virando uma breguice realmente insuportável. Na época a ruindade do filme foi comentada, mas o que mais chamou a atenção da crítica e do público foram as cenas gratuitas de nudez de Bruce Willis!

Como se não bastasse ser bem ruim a fita, o espectador ainda tinha que aguentar os ataques de ego do peladão Willis! Acredito que ele hoje em dia tenha muita vergonha dessas sequências. E a estória? Do que se trata? Willis interpreta um psiquiatra que fica abalado com o suicídio de uma de suas pacientes. Depois tenta recuperar o equilíbrio com um colega de profissão, porém descobre alarmado que ele foi morto, provavelmente por uma de suas clientes. Enfim, bobagem pura, sendo que esse filme você pode dispensar sem maiores problemas. Mesmo assim conseguiu ser indicado ao Globo de Ouro na categoria de Melhor Canção Original ("The Color of the Night"). Porém depois foi "vencedor" do Framboesa de Ouro na categoria de Pior Filme do Ano! Realmente não houve salvação...

A Cor da Noite (Color of Night, Estados Unidos, 1994) Direção: Richard Rush / Roteiro: Billy Ray, Matthew Chapman / Elenco: Bruce Willis, Jane March, Rubén Blades / Sinopse: A história de um homem mais velho que se envolve sexualmente com uma garota mais jovem.

Pablo Aluísio.

Olha Quem Está Falando

Título no Brasil: Olha Quem Está Falando
Título Original: Look Who's Talking
Ano de Produção: 1989
País: Estados Unidos
Estúdio:  TriStar Pictures,
Direção: Amy Heckerling
Roteiro: Amy Heckerling
Elenco: John Travolta, Kirstie Alley, Bruce Willis, Olympia Dukakis, George Segal, Jason Schaller

Sinopse:
Um casal jovem acaba recebendo a visita da cegonha de surpresa! Assim nasce o bebezinho Mikey (na voz de Bruce Willis) que passa a compartilhar com o espectador os seus pensamentos e visões do novo mundo que se abre ao seu redor.

Comentários:
Foi um dos filmes mais lucrativos dos anos 80. Custou a bagatela de 7 milhões de dólares e nas bilheterias faturou mais de 460 milhões de dólares! Números que realmente surpreendem. E qual era o segredo do sucesso? Simples, colocar os pensamentos de um bebezinho na voz irônica e mordaz de Bruce Willis. Claro, nada de muita acidez, a tônica aqui era meio bobinha mesmo, um típico produto "family friendly", feito para toda a família. Para John Travolta foi um alívio, pois o ator vinha colecionando fracassos por duas décadas e então surgiu esse sucesso estrondoso na carreira. Ele deve ter levantado as mãos aos céus agradecendo a Deus. Caso ficasse mais alguns anos na baixa sua carreira seguramente chegaria ao fim. E Bruce Willis, bem, ele não precisou fazer muitos esforços. Seu trabalho de dublagem foi muito bem feito, porém como ele mesmo disse depois não levou mais de três dias para ficar pronto. Alvo certo, dinheiro no bolso de todo mundo, a má notícia só veio pelo fato de que uma continuação bem ruinzinha iria ser realizada. Essa porém é uma outra história que depois contaremos por aqui. E sobre esse primeiro filme, bom, a coisa pode ser resumida em apenas poucas palavras: bobinho, mas simpático.

Pablo Aluísio.

O Anjo da Guarda

O Anjo da Guarda
North (Elijah Wood) é um garoto insatisfeito e frustrado com sua família que resolve partir em busca de uma nova, vivendo inúmeras aventuras enquanto não acha os pais que ele venha a considerar ideais. Esse filme, que não fez sucesso quando foi lançado, resolveu apostar em um tom de fábula. Elijah Wood era apenas um garotinho, mas mostrou muito talento em segurar o filme praticamente sozinho, com eventuais participações de atores famosos, como por exemplo, o astro Bruce Willis, que surge como narrador do enredo.

Esse clima de fantasia que o diretor Rob Reiner quis a todo custo manter não conseguiu agradar a todo mundo, alguns inclusive detestaram, a ponto até do filme ser indicado a várias categorias no Framboesa de Ouro (pior filme, direção, ator, roteiro, etc). Não era para tanto, acredito que o Framboesa tenha vindo em retaliação a Bruce Willis, que vinha em uma época turbulenta com a imprensa, com muitas trocas de acusações e ofensas. De qualquer maneira, se você não conhece a fita e queira arriscar um programa bem diferente deixo aqui a dica. Não posso afirmar que você vai gostar do resultado, mas posso garantir que será algo bem diferente.

O Anjo da Guarda (North, Estados Unidos, 1994) Direção: Rob Reiner / Roteiro: Alan Zweibel / Elenco: Elijah Wood, Bruce Willis, Jason Alexander / Sinopse: Um filme com toques infantis, estrelado pelo astro de ação dos anos 80 Bruce Willis.

Pablo Aluísio.

sábado, 27 de junho de 2026

Inferno Vermelho

Inferno Vermelho
Durante décadas os russos foram os vilões preferidos dos filmes americanos. Não é de se admirar uma vez que o mundo vivia a Guerra Fria onde o mundo era basicamente dividido entre o bloco ocidental capitalista liderado pelos Estados Unidos e o bloco oriental comunista liderado pela União Soviética (formada pela Rússia e vários pequenos países satélites). Esse quadro começou a mudar com a subida ao poder de Mikhail Gorbachev que promoveu uma série de mudanças em seu país, levando finalmente ao desmantelamento daquele regime em 1989 com a queda do Muro de Berlim. Esse clima de novos ares acabou sendo captado por filmes como esse “Inferno Vermelho” que já não via os russos como vilões sem alma, muito pelo contrário, o roteiro do filme colocava o astro austríaco como um policial soviético chamado Ivan Danko (Arnold Schwarzenegger) que trabalhava em cooperação com o tira americano (interpretado pelo ator e comediante James Belushi) com o objetivo de prender um perigoso assassino e traficante russo.

O personagem interpretado por Arnold Schwarzenegger surgia como um policial soviético austero, disciplinado mas longe da caracterização de vilão, papel que era sempre reservado para personagens vindos de Moscou nos filmes americanos da época. Como não poderia deixar de ser o policial interpretado por James Belushi era um clichê ambulante baseado naquela visão um tanto quanto boba que os americanos tem de si mesmos. Um sujeito boa praça, chegado numa piada, sempre mascando chicletes, ou seja, o extremo oposto do russo feito por Arnold Schwarzenegger. De qualquer modo, mesmo com todos os clichês possíveis e imagináveis, “Inferno Vermelho” se revelou um bom filme de ação e o mais importante de tudo, com roteiro bem antenado com o que acontecia no mundo naquele momento. O diretor Walter Hill já havia trabalhado em bons filmes como “Ruas de Fogo”, “48 Horas” e “A Encruzilhada” e manteve o bom nível técnico aqui. Enfim, “Inferno Vermelho” é certamente uma fita de ação dos anos 80 que não irá decepcionar os fãs do estilo. Se ainda não assistiu não deixe de conferir.

Inferno Vermelho (Red Heat, Estados Unidos, 1988) Direção: Walter Hill / Roteiro: Walter Hill, Harry Kleiner / Elenco: Arnold Schwarzenegger, James Belushi, Peter Boyle / Sinopse: Dois policiais, um soviético (Arnold Schwarzenegger) e um americano (James Belushi), unem forças para colocar na prisão um perigoso assassino e traficante russo que se encontra solto pelas ruas de Chicago.

Pablo Aluísio.

Irmãos Gêmeos

Irmãos Gêmeos 
É uma comédia de uma piada só. Basta ver o cartaz do filme para entender bem isso. Como o brucutu musculoso  Arnold Schwarzenegger poderia ser o irmão gêmeo do baixinho e gordinho Danny DeVito? E é só isso mesmo. Decepcionado? Agora imagine a cara dos fãs dos filmes de ação de Schwarzenegger nos anos 80 tendo que lidar com uma fitinha boba como essa nas locadoras de VHS! Pois é. De uma hora para outra o austríaco colocou na cabeça que poderia se tornar um bom comediante. Era como dar um cavalo de pau completo nos rumos da carreira. O diretor Ivan Reitman, recentemente falecido, sempre foi muito talentoso para esse tipo de fita, mas em minha opinião ele pisou na jaca, errou feio aqui.

Nunca consegui gostar desse filme. Nunca achei divertido ou engraçado. Sempre me soou muito forçado e artificial. E o  Arnold Schwarzenegger ainda não tinha entendido que ele basicamente só funcionava bem em filmes de pura ação. Ele sempre foi muito limitado e fazer comédia nunca foi para qualquer um. É bom sempre lembrar que todo bom comediante é também um grande ator. Não existem muitas exceções nessa afirmação. Eu só vi esse filme uma única vez, ainda nos anos 80, numa fita VHS. Ver uma vez bastou. Tudo muito chato, sem graça, sem charme. A única coisa positiva foi ver a linda Kelly Preston ainda bem jovem e esbanjando beleza. Isso foi muito antes dela casar com o John Travolta. Pois é, meus caros, o mundo nunca foi perfeito mesmo.

Irmãos Gêmeos (Twins, Estados Unidos, 1988) Direção: Ivan Reitman / Roteiro: William Davies, William Osborne / Elenco: Arnold Schwarzenegger, Danny DeVito, Kelly Preston, David Caruso / Sinopse: O grandalhão halterofilista Julius Benedict (Arnold Schwarzenegger) descobre que tem um irmão gêmeo... ou quase isso. Enquanto um é forte e atlético, o outro é baixinho e está muitos quilos acima do peso. Pior do que isso, Vincent (DeVito) é do tipo encrenqueiro, sempre se envolvendo em confusões de todos os tipos.

Pablo Aluísio.

sábado, 20 de junho de 2026

O Sobrevivente

O Sobrevivente
O Sobrevivente7Cada ator famoso do gênero ação na década de 80 procurou trilhar um caminho próprio que acabasse caracterizando sua filmografia. Os filmes de Stallone, por exemplo, sempre flertaram com situações mais dramáticas como Rocky e até mesmo em Rambo - Programado para Matar. Já Chuck Norris era o rei das produções mais simples, de orçamentos modestos e cenas impossíveis. Entre eles Arnold Schwarzenegger foi o que mais flertou com a Ficção Cientifica. Como se não bastasse ter estrelado o clássico do gênero "O Exterminador do Futuro", ele alcançaria grande sucesso ainda com "Predador" e "O Vingador do Futuro", dois clássicos Sci-Fi daqueles anos. Assim não foi surpresa para ninguém quando surgiu com esse estranho "O Sobrevivente" (que no Brasil foi lançado também com seu título original, The Running Man). O roteiro era baseado na obra de Stephen King que curiosamente usou de um de seus pseudônimos quando o texto foi lançado,

Quando assisti recentemente "Jogos Vorazes" me lembrei imediatamente desse "The Running Man". O argumento é praticamente o mesmo. Em um futuro distante  Ben Richards (Arnold Schwarzenegger) se vê em um terrível jogo mortal onde terá que sobreviver a inúmeros combates e lutas.O diferencial é que tudo é consumido pelo povo em geral como simples diversão, numa verdadeira releitura das antigas arenas romanas de gladiadores. Assim tudo não passaria de um grande Game Show, na mais pura tradição do pão e circo para as massas empobrecidas e alienadas. Agora que você leu a sinopse de "O Sobrevivente" me diga com sinceridade: Existe alguma diferença com "Jogos Vorazes"? Eu sinceramente acho que não. O filme é bem realizado, tem boa produção e direção segura de Paul Michael Glaser, que curiosamente vinha do mesmo mundo da TV que criticava no filme. Tendo dirigido os sucessos "Miami Vice" e "Starsky e Hutch" ele certamente sabia lidar com o tema. Embora tenha sido lançado no auge da carreira do ator Arnold Schwarzenegger o filme, para surpresa de todos, não conseguiu fazer o sucesso esperado. Talvez o tema tenha soado muito complexo para aquele universo de filmes de ação da década de 80 ou então o público não comprou a ideia. De qualquer modo a produção funciona tanto como filme de ação como de Sci-Fi e merece ser redescoberto pelos fãs de ambos os gêneros. No fundo é uma crítica corrosiva sobre a futilidade reinante em nossos canais de TV, tal como o sucesso "Jogos Vorazes".


O Sobrevivente (The Running Man, Estados Unidos, 1987) Direção: Paul Michael Glaser / Roteiro: Steven E. de Souza baseado na obra de Stephen King / Elenco: Arnold Schwarzenegger, Maria Conchita Alonso, Yaphet Kotto, Jim Brown, Jesse Ventura / Sinopse: Em um futuro distante Ben Richards (Arnold Schwarzenegger) se vê em um terrível jogo mortal onde terá que sobreviver a inúmeros combates e lutas. Tudo não passando de um Game Show realizado para entreter as massas ociosas e desocupadas.

Pablo Aluísio.